O Dicionário Biográfico de Cinema#354: Edward G. Robinson
Edward G. Robinson (Emmanuel Goldenberg) (1893-1973), n. Bucareste, Romênia
Sua família chegou a América em 1902, e foi na Universidade de Colúmbia e na Academia Americana de Artes Dramáticas que Goldenberg mudou seu nome (o G foi simplesmente inicial). Apareceu no teatro nova-iorquino em 1913, e após prestar seu serviço de guerra sua fama cresceu e fez seu primeiro filme como velho em The Bright Shawl [O Chale Brilhante] (23, John S. Robertson). Mas foi uma estreia isolada e ele permaneceu no teatro até a chegada do som, quando a Paramount o convidou para interpretar um gângster em The Hole in the Wall (29), de Robert Florey.
Em um ano, Robinson se instaurou como o gângster mais latino de Hollywood. Teve um extraordinário sucesso como Little Rico em Little Caesar [Alma no Lodo] (30), de Mervyn LeRoy, e interpretou o Cobra em Outside the Law [Fora da Lei] (30, Tod Browning). Baixo e atarracado, com um rosto curiosamente inchado e pálido, e uma voz que podia rosnar ou se lamuriar, Robinson foi capaz de alternar sadismo e covardia palpáveis. Foi um editor turrão em Five Star Final [Sede de Escândalo] (31) e um assassino condenado em Two Seconds [Dois Segundos], ambos para LeRoy.
Mas Robinson subitamente viu o perigo em tantos psicopatas sibilantes e é provavelmente um reflexo de seu próprio bom humor (e sua ânsia por respeito) que tenha se voltado para gansters aposentados, para homens decentes tidos como gângsters, ou ainda imigrantes sentimentais. Em 1930 interpretou um italiano em A Lady to Love [Mulher Ideal], e em 1932 emprestou um entusiasmo particular ao pescador de Tiger Shark [O Tubarão] (32, Howard Hawks). E interpretou figuras mais respeitáveis - um senador em Silver Dollar [Sonho Prateado] (33, Alfred E. Green) e um magnata em I Loved a Woman [A Mulher que Eu Amei!] (33, Green). Em The Little Giant [Precioso Ridículo], de Roy del Ruth, foi um gangster aposentado, e em The Whole Town's Talking [O Homem que Nunca Pecou] (35), de Ford, ele foi tanto um gângster quanto um plácido bancário confundido com um bandido.
Ainda tinha uma reserva de assassinos e bandidos: em The Man with Two Faces [O Homem de Duas Caras] (34), de Archie Mayo, em Barbary Coast [Duas Almas se Encontram], de Hawks e em The Last Gangster [O Último Gângster] (38, Edward Ludwig). Mas em 1936 estava trabalhando contra um fora-da-lei pela primeira vez em Bullets or Ballots [Balas ou Votos], de William Keighley ou em Kid Galahad [Talhado para Campeão] (37), de Curtiz, empresário de um lutador. A Slight Case of Murder [Um Simples Assassinato] (38), de Lloyd Bacon, foi outra comédia gangster e, em 1939, para Anatole Litvak, Robinson realizou um dos pioneiros filmes anti-nazistas, Confessions of a Nazi Spy [Confissões de um Espião Nazista].
No ano seguinte, interpretou o papel-título em The Story of Dr. Ehrlich's Magic Bullet [A Vida do Dr. Ehrlich], de Dieterle, sobre um judeu alemão que descobriu a cura da sífilis. Robinson agora estava livre da imagem pesada de gângster, e em Brother Orchid [Irmão Orquídea] (40), de Bacon, foi um encapuzado que se refugiou em um monastério e começou a gostar da vida. Em 1940, interpretou o fundador de uma agência de notícias em A Dispatch from Reuter's de Dieterle; em Unholy Partners [A Suprema Cartada], de LeRoy; em The Sea Wolf [O Lobo do Mar] (41), de Curtiz; e em Manpower [Aquela Mulher!] (41), de Raoul Walsh, na qual sua esposa, Marlene Dietrich, é implausivelmente seduzida pelo padrinho, George Raft. Talvez isto tenha significado a verdadeira meia-idade, pois em 1942 Robinson realizou Larceny Inc. [Vale a Pena Roubar], para Bacon, seu último filme sob contrato dos Warners.
Por então, passava a maior parte de seu tempo fazendo transmissões de propaganda (ele falava oito línguas) para uma Europa ocupada e esteve somente nos melhores episódios de Tales of Manhattan [Seis Destinos] (42) e Flesh and Fantasy [Os Mistérios da Vida] (43), de Julien Duvivier. Sua recém-descoberta sobriedade foi posta em excelente uso em Double Indemnity [Pacto de Sangue] (44, Billy Wilder) e entao provavelmente em seus dois melhores filmes, ambos para Fritz Lang, The Woman in the Window [Um Retrato de Mulher] (44) e Scarlet Street [Almas Perversas], nos quais é um gentil burguês tragado para sórdidos assassinatos. Lang faz a estatura de Robinson parecer vulnerável e sua face trágica, onde antes havia sido apresentado como carrancudo assassino. Poucos filmes transformam de forma tão envolvente o tormento do homem comum ao se ver preso em situações mais apropriadas ao cinema.
Em 1945, na Inglaterra, interpretou um instrutor de voo em Journey Together, de John Boulting, um filme de propaganda, e em 1946 destacou-se como outro investigador obstinado em The Stranger [O Estranho], de Orson Welles. E foi uma surpresa no ano seguinte, quando novamente ele voltou a assustar, e bastante convincentemente, em The Red House [A Casa Vermelha], que o próprio Robinson produziu. Esteve em The Night has a Thousand Eyes [A Noite Tem Mil Olhos] (48, John Farrow), uma figura paterna em All My Sons [Resgate de uma Consciência] (48, Irving Reis) e em House of Strangers [Sangue do Meu Sangue] (49, Mankiewicz), e forneceu uma breve reprise de Little Rico, sussurando obscenamente no ouvido de Lauren Bacall em Key Largo [Paixões em Fúria] (48, Huston).
Por volta desta época, a carreira de Robinson sofreu, a despeito de ser posteriormente esclarecido, quando foi chamado pelo Comitê de Atividades Anti-Americanas (CAAA). Fez Actors and Sin [Bastidores e Pecadores] (52, Ben Hecht e Lee Garmes) e foi jogado em uma sucessão de filmes menores, nos quais foi forçado a ser gângster de novo: The Glass Web [O Crime da Semana] (53, Jack Arnold); The Big Leaguer (53), de Aldrich); o excelente Black Tuesday [Terça-Feira Trágica] (54), de Fregonese; Tight Spot [Ratos Humanos] (55) para Phil Karlson; A Bullet for Joey [Cada Bala uma Vida] (55) e Illegal [Trágica Fatalidade] (56), para Lewis Allen; e The Violent Man [Um Pecado em Cada Alma] (56, Rudolph Maté).
Então, após aparecer em The Ten Commandments [Os Dez Mandamentos] (56), de DeMille, Robinson retirou-se para apreciar suas pinturas e para trabalhar no teatro novamente. Atuou em Darkness at the Noon, de Arthur Koestler, em 1951 e criou o papel principal de Middle of the Night, de Chayefsky, em 1956. Voltou a Hollywood como um de seus mais reverenciados veteranos e envolvido em uma série de filmes indignos, mas aparecendo em créditos de A Hole in the Head [Os Viúvos Também Sonham] (59), de Capra; em Seven Thieves [Sete Ladrões] (60), de Hathaway; em Sammy Going South [Sozinho Contra a África] (63), de Mackendrick; desonesto e exagerado como o magnata do cinema em Two Weeks in Another Town [A Cidade dos Desiludidos] (62, Vincente Minnelli); como o secretário do interior em Cheyenne Autumn [O Crepúsculo de uma Raça] (64), de Ford; em um papel duplo em The Prize [Criminosos Não Merecem Prêmio] (64, Mark Robson); e de longe o mais confiante jogador de pôquer em The Cincinnati Kid [A Mesa do Diabo] (65, Norman Jewinson). Próximo ao final, esteve em filmes mais estúpidos - The Biggest Bundle of Them All [Cinco Milhões de Erros] (68, Ken Annakin); MacKenna's Gold [O Ouro de Mackenna] (69, J. Lee Thompson); Song of Norway [Canção do Sol da Meia Noite] (70, Andrew L. Stone); e Soylent Green [No Mundo de 2020] (72, Richard Fleischer). Morreu a poucos meses antes de poder receber o Oscar honorário concedido a ele tardiamente pela Academia.
Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 2265-68.

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