CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

#ELENÃO

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Filme do Dia: The Magic Cloak of Oz (1914), J.Farrell MacDonald




The Magic Cloak of Oz (EUA, 1914). Direção: J. Farrell MacDonald. Rot. Adaptado: L. Frank Baum, baseado no romance Queen Zixi, of Ix; or the Story of the Magic Cloak. Fotografia: James A. Crosby. Com: Milred Harris, Violet MacMillan, Fred Woodward, Vivian Reed, Juanita Hansen, Bernardine Zuber, Andy Anderson, Leontine Dranet, Mai Wells.
As fadas de Oz concedem a um mensageiro o uso de um manto mágico, que pode proporcionar um desejo. Chorando com a morte do pai, Margaret recebe das mãos do mensageiro o manto mágico. Rivette (Wells), a tia dela e de seu irmão Timothy (MacMillan) e Margaret (Harris) decide que eles irão morar no reino de Noland. Ao chegarem a Noland, Timothy é tornado rei do local. Porém, o maior amigo dos irmãos, o burro Nickodemus (Woodward) não se adapta a Noland, e foge com os mantimentos, entre eles o manto mágico, sendo roubado por um grupo de assaltantes de estrada. O grupo mantém uma criança com eles. Nickodemus foge e consegue reunir todos os animais da floresta para atacar os ladrões, libertar a criança e a levar a casa de seus pais. O reino de Noland, no entanto, sofre a invasão dos nocivos Rolly Rogues. Mais uma vez, Nickodemus irá ser fundamental para a libertação do reino e expulsão dos Rolly Rogues. Com o auxílio de seus amigos animais, eles expulsarão os invasores.
Em um momento no qual o cinema já há muito havia abandonado praticamente a produção de filmes de trucagens, e particularmente o cinema norte-americano afirmava a narrativa clássica apoiada numa estética realista e numa dramaturgia eminentemente melodramática (Griffith, Ince, DeMille), é não menos que curioso o surgimento dessa tresloucada fantasia, que faz parte de uma trilogia de adaptações sobre Oz, todas produzidas no mesmo ano. Mesmo o filme se ressentindo da ausência de seu tom feérico inicial, o qual mal podemos acompanhar a narrativa, tal a sucessão vertiginosa dos eventos e se transformando em um filme de fantasia mais convencional, é surpreendentemente interessante o quanto MacDonald já demonstra precocemente seu tributo ao pioneiro do gênero, Méliès, seja nos figurinos de membros da corte, seja ainda mais evidentemente na Lua estilizada, numa explícita alusão a trucagem concebida para Viagem à Lua (1902). A atmosfera propícia a uma narrativa de conto de fadas se soma o engenho e o carisma com que o burro é vivido brilhantemente por Woodward, mesmo que posteriormente o realizador invista excessivamente e sem a mesma graça no antropomorfismo com outros atores vivendo os animais mais diversos. Aliás, a figura do burro é muito mais importante para a resolução dos problemas e ganha uma proeminência muito maior na narrativa, bastante complexa para a média da época,  que o próprio manto mágico que nomeia o filme. Há controvérsias e algumas fontes apontam que o próprio Baum, autor dos romance que deu origem ao filme, teria-o dirigido. The Oz Film Manufacturing Co. 38 minutos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Filme do Dia: Hula Hula Land (1949), Mannie Davis




Hula-Hula Land (EUA, 1949). Direção: Mannie Davis. Rot. Original: Tom Morrison.
Faísca & Fumaça abrem uma venda de cachorro-quente numa praia havaiana e seus clientes, ou melhor, vítimas, tornam-se o cão Dimwit e o policial-Buldogue nesse que é o vigésimo primeiro dos 52 curtas produzidos para o cinema da série. Dentro das perseguições rotineiras e trivialidades que remetem grandemente ao universo do burlesco mudo (será coincidência existir um curta produzido por Mack Sennet, em 1917, de mesmo título?), o destaque vai para a explosão final, sob forma de cogumelo atômico, evocando as experiências contemporâneas com a bomba de hidrogênio nos atóis próximos do Havaí e para um final que evoca os dois corvos cantando no céu, numa menção não demasiado explícita de que foram vítimas da explosão – a imagem deles surge como sempre, não enquanto os habituais espectros do universo da animação. Terrytoons para 20th Century-Fox. 6 minutos e 33 segundos.

domingo, 21 de outubro de 2018

Filme do Dia: David, o Caçula (1921), Henry King


Resultado de imagem para david, o caçula henry king

David, o Caçula (Tol´able David, EUA, 1921). Direção: Henry King. Rot. Adaptado: Henry King & Edmund Goulding, baseado no romance de Joseph Hergesheimer. Fotografia: Henry Cronjager. Montagem: W. Duncan Mansfield. Com: Richard Barthelmess, Gladys Hulette, Walter P. Lewis, Ernerst Torrence, Ralph Yersley, Forrest Robinson, Warner P. Richmond, Marion Abbott, Edmund Gurney.
             A vida tranqüila da família Kinemon no pacato vilarejo é transformada com o atentado sofrido pelo irmão mais velho, Allen (Richmond) por parte de um membro de marginais da família Hatburn, cuja jovem Esther (Hulette), é objeto da paixão de David, o caçula da família Kinemon, há muito tempo. A decisão de David de revidar o que ocorreu com o irmão provoca a morte do pai Hunter (Gurney), em um ataque cardíaco fulminante. Sem qualquer fonte de renda, a família muda-se para um bairro mais pobre, e David renega a amizade de Esther. Consegue, no entanto, trabalhar em um armarinho local e por força das circunstâncias, torna-se o cocheiro que leva o malote de correio, despertando o orgulho da mãe (Abbott). Porém, sua missão é dificultada pela ameaça dos Hatburns, que ficam com  o malote. Enfrentando-os, David consegue matar os três e cumprir suas responsabilidades até o final, para a surpresa de todo o vilarejo que já o dava como morto.
Esse primeiro grande sucesso da longeva carreira de King demonstra sua direta influência de Griffith, construindo um melodrama de iniciação típico, sendo toda a narrativa construída no sentido da afirmação do protagonista, posto a prova com a invalidez do irmão mais velho e a morte do pai, e após momentos de vacilação, conquistando a afirmação de sua masculinidade no seio de uma sociedade de moral e papéis sociais muito bem delimitados. Muitos dos elementos que voltariam a ser trabalhados por King em produções posteriores, como uma certa construção pastoral do ambiente vivenciado pelos protagonistas e o idílio amoroso associado com uma virtude caracterizada na pureza de David e sua amada já se encontram aqui presentes. Por outro lado, a caracterização do vilão, igualmente sem qualquer ambiguidade presente, recurso também enfatizado pela própria construção narrativa, não deixa qualquer dúvida sobre a índole de todos os personagens. Sua enorme fluência narrativa e apelo dramático ainda permanecem relativamente interessantes, o que demonstra o talento do cineasta e sua enorme influência em realizadores dos mais diversos, aqui no Brasil notadamente Humberto Mauro, que se utilizaria em grande parte na caracterização de um vilão igualmente detrator de animais domésticos em seu Tesouro Perdido (1927). Barthelmess, figura freqüente nas produções de Griffith, seria incensado como um dos atores mais em evidência do momento com essa produção, em grande parte certamente ao tom pueril que encarna ao personagem, notadamente no início da narrativa. National Film Registry em 2007. Inspiration Pictures. 99 minutos.


sábado, 20 de outubro de 2018

Filme do Dia: O Filho Adotivo (1998), Aktan Abdykalykov


Filho Adotivo (Beshkempir, França/Curguistão, 1998). Direção: Aktan Abdykalykov. Rot. Original: Aktan Abdykalykov, Aytandil Adikulov & Marat Sarulu. Fotografia: Khasan Kydyraliyev. Música: Nurlan Nishanov. Montagem: Tilek Mambetova. Dir. de arte: Emil Tilelov. Com: Mirlan Abdykalykov, Adir Abilkassimov, Mirlan Cinkozoev, Bakit Dzhylkychiev, Albina Imasheva, Talai Mederov.
                 Beshkempir (Abdykalykov) é praticamente filho de uma das tradições do Curguistão: as famílias numerosas deixam um filho para aquelas que não conseguem ter filhos. Inicialmente evitado pelo grupo de crianças de sua idade, devido a sua origem, Beshkempir acaba, aos poucos, integrando-se. A relação, principalmente com um garoto vizinho, no entanto, é repleta de conflitos, que apenas se acirram quando Beshkempir aproxima-se da jovem que é desejada pelo grupo. Após espancar seu melhor amigo na casa dele, Beshkempir é chamado de bastardo pelo próprio pai adotivo e foge de casa. Retorna quando sabe que a avó, que lhe dava mais carinho que os próprios pais, encontra-se moribunda, mas não chega a encontrá-la com vida. Consegue finalmente aproximar-se da garota que admirava, da mesma forma que observara os outros garotos fazerem.
Esse retrato da puberdade que une as tradições culturais do país a uma provável inspiração autobiográfica possui seu grande trunfo menos no enredo em si, divertido e tocante sem ser necessariamente original que no ritmo com que a história é narrada, repleta de silêncios e inserções de elementos da natureza, assim como as poéticas dissoluções da imagem em um branco completo (que lembra a utilização de semelhante recurso em Sertão das Memórias). Como retrato autobiográfico de uma fase em que a descoberta da sexualidade é o elemento obsessivo e igualmente tratada de forma galhofa e agridoce não há como não traçar um paralelo com Amarcord (1974), de Fellini, evocado, sobretudo, na cena em que o grupo de garotos espiona uma mulher gorda semi-nua. Destaque para a bela fotografia (em p&b e cores) e o raro apuro visual dos planos como um todo, em se tratando de um cineasta estreante, que parecem apontar para algo mais que um mero esteticismo vazio. O alter-ego do cineasta é vivido por seu próprio filho. Primeiro longa metragem produzido no país. Kirghizfilm/Noé Productions. 81 minutos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Filme do Dia: Scanners - Sua Mente Pode Destruir (1981), David Cronenberg


Resultado de imagem para scanners david cronenberg

Scanners – Sua Mente Pode Destruir (Scanners, Canadá, 1981). Direção e Rot. Original: David Cronenberg.  Fotografia: Mark Irwin. Música: Howard Shore. Montagem: Ronald Sanders. Dir. de arte: Carol Spier. Figurinos: Delphine White. Com: Stephen Lack, Jennifer O’Neill, Patrick McGoohan, Lawrence Dane, Michael Ironside, Robert A. Silverman, Lee Broker, Mavor Moore.
O renomado cientista Paul Ruth (McGoohan) descobre um dos “scanners”, homens que possuem capacidades telepáticas extraordinárias,  Cameron Vale (Lack), que decide participar de uma busca a outros scanners, contando com a ajuda de uma aliada, Kim Obrist (O’Neill). O mais poderoso de todos é Darryl Revok (Ironside), que comanda uma gangue de scanners que planejam dominar o mundo.
Esse filme da fase inicial da carreira de Cronenberg, mesmo iniciando com certa aura promissora, e até de que seja melhor que o seu posterior – e já contando com capital norte-americano – A Mosca (1986), demonstra ser ainda pior, além de dotado de um roteiro primorosamente confuso. Evocativo da produção de ficção-científica B e, talvez ainda mais, do gênero noir da época do cinema clássico, porém sem o mesmo charme e tendo contra si a desglamorização não apenas do cinema como do próprio mundo nesse intervalo. O elenco, como em A Mosca, é outro ponto de contato com a produção de universos cotidianos permeados à fantasia dos tempos clássicos, o que significa, em outras palavras, bastante limitado. À exceção, quando muito, talvez fique com o veterano do cinema canadense McGoohan. CFDC/Filmplan/Victor Solnicki Prod. para AVCO-Embassy. 103 minutos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Filme do Dia: M, O Vampiro de Dusseldorf (1931), Fritz Lang

Resultado de imagem para m o vampiro de dusseldorf
M, O Vampiro de Dusseldorf (M, Alemanha, 1931). Direção: Fritz Lang. Rot. Adaptado: Fritz Lang & Thea Von Harbou, baseado no artigo de Egon Jakobson. Fotografia: Fritz Arno Wagner. Montagem: Paul Falkenberg. Dir. de arte: Emil Hasler & Karl Vollbrecht. Cenografia: Edgar G. Ulmer. Com: Peter Lorre, Ellen Widmann, Inge Landgut, Otto Wernicke, Theodor Loos, Gustaf Gründgens, Friedrich Gnass, Fritz Odemar, Georg John.
       A cidade de Dusseldorf se encontra apavorada com um criminoso que assassina crianças. Quando a jovem Elsie Beckmann (Landgut) se torna a oitava vítima do criminoso, Franz Becker (Lorre), não apenas a polícia procura criar estratégias de capturar o criminoso, mas o próprio crime organizado, que sente a interferência em seus negócios, pela presença maciça de policiais nas ruas, comandada pela política de tolerância zero do Inspetor Lohmann (Wernicke). Assim, uma rede de informantes é criada entre os pequenos vendedores e vagabundos de rua e um vendedor de balões cego (John) reconhece a melodia que o criminoso assobiava no dia que comprou um balão para Elsie. Um grupo de marginais consegue encurralar Franz em um prédio de escritório e montam uma operação de captura que vaza para a polícia. Porém, os marginais capturam Franz e o levam para um julgamento organizado por eles próprios que resulta em uma tentativa de linchamento, interrompida pela chegada da polícia.
          O primeiro grande filme alemão do cinema sonoro e o último do período pré-hitlerista, é notável tanto por suas experiências formais com o som e montagem quanto – e principalmente – por ser um dos filmes de Lang que melhor expressam as complexas relações entre o indivíduo e a resposta social diante do crime (tema que já havia sido explorado pelo cineasta na série de filmes com o personagem Mabuse e que voltaria à tona em Fúria, embora de forma menos radical, já que nuançado pelo fato do herói vivido por Spencer Tracy ser inocente e os espectadores saberem do fato). Aqui, o protagonista abala a estrutura social como um todo: afronta à polícia, já que ela tenta demonstrar sua eficiência perante a sociedade e a pressão é distribuída de maneira hierárquica e afronta o mundo do crime, que perde muitos de seus negócios com a presença mais radical da polícia nas ruas. Ironicamente, não é a estrutura hiper-racional de investigação da polícia que encontrará o criminoso, mas sim a rede semi-informal criada pelo mundo do crime. Entre as suas melhores sequências se encontram o célebre prólogo em que o cineasta une montagem e som para expressar o desespero da mãe e a captura da filha por Franz e a defesa que o mesmo faz de si próprio perante os pequenos criminosos, afirmando que eles possuem a opção de não roubarem, enquanto para ele essa opção inexiste, já que se trata de uma compulsão sobre o qual não possui domínio. Ou ainda a seqüência em que um assustado Franz (em interpretação inspirada de Lorre) descobre o M sobre a capa em um espelho ao se aproximar de mais uma menina. Infelizmente essa está longe de ser uma das melhores versões do filme, que originalmente possuía 110 minutos, já que outras versões apresentam uma crítica do protagonista à sociedade muito mais contundente, no momento em que o grupo tenta lincha-lo, substituído aqui pela chegada imediata da polícia e uma cretina mensagem moral em voz off que “nós temos que olhar nossas crianças”. Originalmente seria intitulado Os Criminosos estão entre Nós, sendo uma crítica velada ao Partido Nazista, título que seria apropriado pelo cineasta Wolfgang Staudt para uma produção do imediato pós-guerra, que lida justamente com a presença incômoda dos nazistas numa sociedade ainda traumatizada pelos eventos recentes. Embora baseado em um artigo sobre um caso semelhante ocorrido na cidade de Dusseldorf, Lang esteve longe de se preocupar em tentar ser completamente fiel aos fatos (assim como Sganzerla em seu O Bandido da Luz Vermelha, que ainda mais radicalmente que aqui apenas partiu de notícias do jornal para criar uma obra que igualmente transcendia a mera proposta realista e pretendia, como no filme de Lang, igualmente apresentar um quadro mais amplo da sociedade de sua época). A grande influência dessa obra de Lang, refilmada por Losey em 1951, pode ser apreciada pela quantidade de cineastas célebres que lhe fizeram referência como Godard em O Desprezo (1963), Kubrick em Laranja Mecânica (1971), Spielberg em Caçadores da Arca Perdida (1981), Terry Gilliam em Brazil (1985), Altman em O Jogador (1992) e Woody Allen em Neblina e Sombras (1992). Nero-Film AG.  96 minutos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Filme do Dia: Mad Hatter (1940), Sid Marcus




The Mad Hatter (EUA, 1940). Direção: Sid Marcus. Música: Joe DeNat. Montagem: George Winkler.
O atropelo para chegar ao trabalho e a calmaria nesse, onde apenas consome doces, é apenas um prelúdio para o melhor momento do dia para Maisie, o que irá experimental e eventualmente comprar chapéus. E, quanto mais originais e excêntricos melhor.
Seguindo o padrão cada vez mais disseminado de um estilo jornalístico-documental, acompanhar o cotidiano da protagonista serve como uma luva para o festival de comentários misóginos que se segue, que vão da maquiagem pela manhã à futilidade do trabalho como secretária passando pela paixão pela moda associada aqui ao fanatismo por chapéus. Não se deixa de se observar os bastidores dos criadores de tais “maravilhas” tão excêntricos (e em alguns casos, gays) quanto os próprios chapéus, literalmente enjaulados e somente libertos para elaborarem suas produções personalizadas – e o chapéu que Maisie se afeiçoa se aproxima do estilo tropical que começa a ser incensado na mídia americana através da figura de Carmen Miranda (cuja estreia em Hollywood, Serenata Tropical, dera-se apenas um mês antes do lançamento desse curta, mas que já era tema de capas de revistas e espetáculos na Broadway). Septuagésimo episódio da série Color Rhapsodies. Columbia Pictures Corp./Screen Gems para Columbia Pictures. 7 minutos e 6 segundos.