CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Filme do Dia: Pateta no Trânsito (1950), Jack Kinney







Pateta no Trânsito (Motor Mania, EUA, 1950). Direção: Jack Kinney. Rot. Original: Dick Kinney & Milt Schaffer. Música: Paul J. Smith.
Um dos mais populares curtas do estúdio com o passar dos anos, mesmo que longe de ser dos mais bem sucedidos, em grande parte deriva sua continuada atração ao fato de lidar, de forma “documental”, com o tema da violência no trânsito, servindo até hoje, sete décadas após, como peça de apoio para educação no transito e, em termos cinematográficos, pela inesquecível transformação do pacífico Sr. Andante, incapaz literalmente de pisar numa formiga, no Sr. Volante, evidentemente evocativa de O Médico e o Monstro; tal como no célebre romance, a figura burguesa assexuada e cortês se transforma numa besta-fera capaz de vociferar impropérios, atravessar por cima de poças somente para molhar pedestres e abalroar os carros quando sai do local onde se encontrava estacionado. Ainda que a transformação tenha seu apelo, pois igualmente tal como no romance de Stevenson, também se torna demarcada na própria aparência física do personagem, a situação mais hilariante é a do motorista que possui um carimbo para registrar cada uma de suas “vítimas”. Ou seja, com toda sua grossura, existe outros indivíduos tão ou mais  desprovidos de civilidade. Também digna de nota é a criativa metáfora visual que transforma o anseio de conquistar uma vaga no estacionamento por dois motoristas em um pote de ouro. Walt Disney Prod. para RKO Radio Pictures. 6 minutos e 38 segundos.

domingo, 15 de julho de 2018

Filme do Dia: O Último Mergulho (1992), João César Monteiro


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O Último Mergulho (Portugal/França, 1992). Direção e Rot. Original: João César Monteiro. Fotografia: Dominique Chapuis. Montagem: Stéphanie Mahet. Figurinos: Isabel Branco. Com: Fabienne Babe, Canto e Castro, Francesca Prandi, Rita Blanco, Dinis Neto Jorge, Catarina Lourenço, Fabienne Monteiro, Teresa Roby.
Samuel (Jorge), jovem rapaz,  desiste da ideia do suicídio quando um homem já velho, Eloi (Canto e Castro), convida-o para beber. Com uma mulher inválida, Elói leva Samuel para a noite e para o sexo com sua filha, Esperança (Babe), porém  posteriormente pratica o suicídio.
Embora aparentemente seja um filme bem mais convencional que a média do cineasta, da metade para o final tal impressão se desfaz por completo. Até por volta de sua primeira metade a narrativa segue uma decupagem relativamente convencional, em termos do encadeamento das ações, que representam a aventura dos personagens pela noite lisboeta, ao mesmo tempo que o filme oferece uma comovente generosidade do personagem mais velho para com o mais novo, longe de cair no trivial sentimentalismo. A partir de certo momento, no entanto, o cineasta volta a fazer uso de seus habituais planos-seqüência, com intermináveis momentos de dança e acaba, ao final, desinteressando-se de vez pela narrativa iniciada e adentrando na história grega de Hyperion. Tal interesse tardio – que provavelmente possui paralelos com o que a diegese esboçara anteriormente – culmina na seqüência final em tela negra (recurso que trabalharia em toda a extensão de seu filme posterior, Branca de Neve), onde Luís Miguel Cintra recita uma carta de Hyperion ao som das Variações de Goldberg, de Bach. Não há como negar que o filme é mais interessante na sua pequena crônica da vida noturna lisboeta que no desenrolar cada vez mais obscuro e próximo das narrativas godardianas, embora não faltem belos trechos também nesse segundo momento. Compõe uma tetralogia dos “quatro elementos” juntamente com O Fim do Mundo,de João Mário Grilo, No Dia dos Meus Anos, de João Botelho e Das Tripas Coração, de Joaquim Pinto, igualmente produzidos no mesmo ano. Monteiro surge numa ponta, observando Esperança, enquanto espera sua vez de usar o banheiro. Le Sépt Cinema/Madragoa Films/RTP. 85 minutos.

sábado, 14 de julho de 2018

Filme do Dia: City Hall to Harlem in 15 seconds, Via the Subway Route (1904), Edwin S. Porter



City Hall to Harlem in 15 Seconds, Via the Subway Route (EUA, 1904). Fotografia: Edwin S. Porter. 
Chama imediatamente atenção pelo título, evidente alusão às vistas que muitas vezes faziam uso dos meios de transporte para apresentar aspectos da modernidade das grandes cidades do mundo e que muitas vezes também compartilhavam longos títulos descritivos. Porém aqui se trata de uma evidente brincadeira com o gênero – do qual o próprio Porter muitas vezes contribuiu (tal como em Cannoeing  on the Charles River, Boston, Mass., do mesmo ano). Um homem entra na linha metroviária e provoca uma explosão que o leva via aérea durante os 15 segundos que faz menção o título pela linha do metrô até cair na casa de uma moradora do Harlem. Edison Manufacturing Co. 2 minutos e 31 segundos. 


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Filme do Dia: Ryan (2004), Chris Landreth




Ryan (Canadá, 2004). Direção: Chris Landreth. Música: Fergus Marsh & Michael White. Montagem: Alan Code.
Engenhoso e tocante tributo a um dos grandes nomes da animação canadense dos anos 60 Ryan Larkin, hoje vivendo de esmolas em Montreal. Landreth conseguiu fundir nesse seu tributo não apenas a dimensão biográfica – com a presença de depoimentos de pessoas ligadas a Larkin, além do próprio – como trechos da própria obra e do auge da carreira do realizador, quando chegou a ser indicado ao Oscar de animação. Tudo isso realizado através de uma forma de animação em 2D grandemente tributária da originalidade do artista a quem retrata. Enquanto a arte de Larkin dizia respeito a sua brilhante utilização e domínio da técnica do movimento, um dos destaques da animação de Landreth é seu inventivo uso de imagens de ação ao vivo para compor seus personagens animados. Oscar de animação. Cooper Heart Ent./National Film Board of Canadá. 14 minutos.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

Filme do Dia: Paraíso Remoto (2004), Frédéric Tremblay

Un jour ordinaire pas comme les autres Poster


Paraíso Remoto (Un Jour Ordinaire pas comme les Autres, Canadá, 2004). Direção: Frédéric Tremblay. Rot. Original: Alexis Martin & Frédéric Tremblay. Música: Dennis Larochelle. Montagem: Natacha Dufaux.
Duas crianças fazem uma viagem para uma ilha remota após o tédio mortal que segue a explosão da televisão do apartamento onde vivem. Criativa e inteligente animação em tinta sobre papel colorida por computador, no qual a aventura extraordinária vivida pelas crianças pode ser representativa da imaginação reprimida por uma programação televisiva repetitiva e inexpressiva. Ao mesmo tempo, ironicamente finalizam afirmando que não foi mais que uma tarde como as outras que dá nome ao título original. ONF. 7 minutos.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Filme do Dia: A Bela Junie (2008), Christophe Honoré


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A Bela Junie (La Belle Personne, França, 2008). Direção: Christophe Honoré. Rot. Original: Christophe Honoré & Gilles Taurand. Fotografia: Laurent Brunet.  Música: Alex Beaupain. Música: Chantal Hymans. Dir. de arte: Samuel Deshors & Emmanuelle Cuillery. Com: Louis Garrel, Léa Seydoux, Grégoire Leprince Ringuet, Esteban Carvajal-Alegria, Simon Truxillo, Agathe Bonitzer, Anaïs Demostier, Valerie Lang.
Junie (Seydoux) muda de escola logo após a morte da mãe e passa a viver na casa do primo Matthias (Carvajal-Alegria). A beleza plácida e algo melancólica de Junie atrai a atenção do companheiro de sala Otto (Ringuet), que se apaixona por ela. Eles passam a namorar. O professor de italiano Nemours (Garrel) se apaixona perdidamente por ela e dispensa suas duas amantes. A situação se torna crítica quando uma carta na sala é tida como de Nemours para Junie, quando na verdade se trata do amante de Matthias. Junie decide se afastar quando sabe que irá corresponder ao amor de Nemeurs e não pretende magoar Otto. Este, sentido-se lesado ao saber que Junie beijou Nemeurs, suicida-se quase diante de seus olhos. Nemours pede licença da escola e segue Junie. Após um encontro no qual Junie afirma que não suportaria ficar com ele, pois saberia que um dia o amor entre eles se tornaria como qualquer outro,  desconversa sobre um novo encontro. Quando Nemeurs tenta voltar a encontrá-la, descobre que ela partiu para um lugar distante e não mais pretende vê-lo.
Esta livre adaptação de La Princese de Clèves, de Madame de La Fayette (1634-93), traz a história para a Paris contemporânea, belamente fotografada, e para uma ciranda do amor imperfeito trilhada por um elenco jovem e belo, ou seja, nada muito diverso de outras produções recentes de Honoré (Canções de Amor, Em Paris). Como nos outros dois, também existem momentos – ainda que aqui mais reduzidos – em que os personagens cantam de forma quase murmurante a respeito de seus amores. A adaptação de um texto clássico e a fixação em relações amorosas poderia sugerir uma aproximação com Rohmer, mas nada mais distante. Ao contrário daquele, tudo se torna mais convidativo, glamourizado e, em outras palavras, palatável para um espectador médio. O que talvez não deixe tampouco de ser o maior mérito de seu realizador, ao ficar num meio termo entre drama que se pretende, a seu modo, “profundo” e o banal melodrama de cada dia. Ainda que tal equilíbrio demonstre o bom senso de direção de seu realizador, o filme tropeça em subtramas absolutamente desnecessárias, afastando-se mais uma vez da concisão exemplar de um cineasta como Rohmer. Chiara Mastroianni faz uma ponta, sorrindo para a protagonista em um café frequentado por praticamente todos as personagens. O mesmo romance já rendeu adaptações de Jean Dellanoy, Manuel de Oliveira e Andrzej Zulawski. O filme assistido pelos estudantes e professores, a determinado momento é Yaaba (1989), de Idrissa Ouedraogo.  Arte France/Scarlett Production. 90 minutos.


terça-feira, 10 de julho de 2018

Filme do Dia: Minha Pobre Mãe Querida (1948), Homero Manzi & Ralph Pappier


Pobre mi madre querida on-line gratuito

Minha Pobre Mãe Querida (Pobre, Mi Madre Querida, Argentina, 1948). Direção: Homero Manzi & Ralph Pappier. Rot. Original: Pascual Conturzi & Homero Manzi.  Fotografia: Bob Roberts. Música: Alejandro Guttiérrez del Barrio. Montagem: José Gallego & Nicolás Proserpio. Dir. de arte: Carlos Ferraroti & Ralph Pappier. Com: Hugo del Carril, Emma Gramatica, Aida Luz, Graciela Lecube, Horacio Priani, Maria Esther Buschiazzo, Leticia Scury, Pablo Cumo.
De uma velha (Grammatica) que vaga pelas ruas com cachorros a segui-la se observa a motivação para ter ficado em tal estado. Mãe dedicada e cuidadosa do charmoso cantor de tangos, Ramón (Carril), que abandona o emprego e a namorada (Lecube) por uma mulher leviana que encontra ao acaso (Luz), e que lhe desperta a paixão.
Embora exista toda uma temática de amour fou com final trágico, chama mais atenção aos olhos de hoje a cuidadosa criação atmosférica de um ambiente de época (belle époque) empreendida com relativo esmero, sobretudo na primeira metade do filme. Aqui, de forma nada heterodoxa para os padrões não apenas do melodrama latino, mas de boa parte do cinema clássico ao redor do mundo, observa-se o gradual processo de auto-destruição de um homem cego por seu próprio desejo, por mais que, como o próprio título ressalta, de forma mais exata, trata-se da relação de amor entre uma mãe e seu filho. Já num dos primeiros créditos iniciais se ressalta a presença da “exímia atriz italiana Emma Gramatica” (que realizaria posteriormente Milagre em Milão) em sua breve temporada atuando em filmes de língua hispânica, que praticamente recria esse papel em situação-chave similar a aqui apresentada, em Mi Vida por La Tuya (1951), de Roberto Gaváldon. Fica mais que evidente não apenas que o filme é veículo para o popular cantor argentino Carril, que logo também se tornaria diretor como que tudo gira ao redor da figura de sua personagem e quando não, caso da garota de má fama, ele tenta sem sucesso fazer que sim e entre nesse processo destrutivo que parece ser resultante de uma personalidade demasiado narcísica.  Estudios San Miguel. 92 minutos.