CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

#ELENÃO

domingo, 16 de junho de 2019

Filme do Dia: Uma Canção para Carla

Uma Canção para Carla (Carla’s Song, Reino Unido/Espanha/Alemanha,1996) Direção: Ken Loach. Rot. Original: Paul Laverty. Fotografia: Barry Ackroyd. Música: George Fenton. Montagem: Jonathan Morris. Com: Robert Carlyle, Oyanka Cabezas, Scott Glenn, Salvador Espinoza, Louise Goodall, Richard Loza, Gary Lewis, Subash Singh Pall, Margaret McAdam, Pamela Turner.
     Motorista de ônibus de Glasgow, George (Carlyle), interessa-se pela mulher que viajava sem passagem, levando-o a uma suspensão e ela tendo que sair correndo. A mulher lhe procura e leva-o um presente. Ele a reencontra dançando na rua, porém ela tenta defender-se de sua atitude protetora. Acabam sendo expulsos do cortiço onde ela mora e indo para o apartamento que George divide com seu amigo Sammy (Lewis). Aos poucos George vai sabendo mais a respeito da mulher, trata-se de Carla (Cabezas), refugiada nicaraguense, que deixou todos os laços afetivos - sua família e o parceiro no grupo musical Antonio (Loza) no país que vive o conflito civil. Deprimida, Carla corta os pulsos na banheira e é socorrida por George. George junta suas economias e compra passagem para ambos viajarem para a Nicarágua. Procurando saber qual o paradeiro de Antonio, Carla recebe várias evasivas de todos a quem recorre, inclusive de Bradley (Glenn), ex-agente da CIA e líder de um movimento pacifista que atua na guerra civil. Pragmático e motivado, Bradley viaja com o vacilante George, aterrorizado com a realidade que presencia. Após percorrerem uma parte do país, George e Carla encontram a família dela. Certa noite Carla entra subitamente no quarto de Bradley e este lhe revela que Antonio vive com ele. Carla resolve visitá-lo. Quando George sabe de tudo, parte instantaneamente em um ônibus que se encontrava estacionado. Bradley vai com ele, munido de espingarda. Incapaz de lidar com a realidade que o circunda, George encontra Carla solitária em seu quarto e a convida a voltarem para a Escócia. Carla concorda, porém ao se despedir de Antonio e cantarem juntos a canção que tanto representava para eles, muda de idéia. George parte de volta à Escócia. No momento de sua partida, Bradley lhe traz uma lembrança de Carla: a canção.
      O grandemente cultuado cineasta inglês Loach, associado sobretudo a dramas de cunho político e caráter libertário, ainda mais que em Terra e Liberdade (que se desenvolvia na Guerra Civil Espanhola), conseguiu um resultado pífio nesse seu projeto didático de apresentar, de forma engajada,  a conturbada realidade nicaraguense. Tudo no filme soa falso e esquemático, seja o inverossímil amor de George por Carla, o diálogo de Bradley denunciando o papel primordial exercido pelos EUA para a continuação do conflito (fato, aliás, mas que obviamente conhecido), seja ainda o momento em que Carla se emociona com o relato de seus patrícios e sua fé na revolução. O idealismo ingênuo e sentimental que permeia o filme do início ao final, com direito a canções de ressistência, certamente não entusiasmará um público maior que aquele que se alimenta dos clichês tradicionais de esquerda, como é o caso do movimento estudantil. O personagem de George, por exemplo, é tão patético e Carla parece tão desorientada que, no final das contas, a impressão que fica é que seja onde estiverem, na Nicarágua ou na Escócia, juntos ou separados, não haverá maior diferença para eles ou para nós, já que não os percebemos como realmente “vivos”, antes mero meio para que Loach exponha seu painel da situação em tom monocórdio e grave, sem menor espaço para qualquer ambiguidade ou complexidade dramática.Altafilmes S.A/Channel Four/Degeto Film/Filmstiftung/Institute of Culture/Parallax Pictures/Road Movies/TVE/The Glasgow Film Fund/Tornasol Films S.A. 127 minutos.

Postado originalmente em 15/06/2015



sábado, 15 de junho de 2019

Filme do Dia: Roger e Eu (1989), Michael Moore


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Roger e Eu (Roger and Me, EUA, 1989). Direção e Rot. Original: Michael Moore. Fotografia: Chris Beaver, John Prusak, Kevin Rafferty & Bruce Schermer. Montagem: Jeniffer Beman & Wendey Stanzler.
Moore retorna a sua cidade natal, Flint, para se deter sobre o processo de decadência que a acompanha, após o fechamento das fábricas da General Motors. Seu principal alvo vem a ser Roger Smith, o novo presidente da companhia, que inicia uma nova política de austeridade. Moore, em seu primeiro longa-metragem, mesmo imbuído de fazer de si próprio uma espécie de porta-voz ou paladino de uma justiça para com os desempregados de Flint, que se tornará sua marca registrada nos anos subsequentes, não chega a abusar de tais estratégias como depois. Faz-se uso da ironia, como quando sobrepõe a eletrizante alegria da canção Wouldn´t it be Nice dos Beach Boys com a realidade de terra arrasada que seguiu a onda de desemprego maciça na cidade, que tornou-se vítima de uma forte onda de criminalidade. Ou quando contrapõe o discurso natalino de Roger Smith com as desocupações das residências dos ex-funcionários da General Motors, no qual a realidade das imagens faz parecer a retórica de Smith soar como não mais que vazia e protocolar. Efetivado ao longo de pelo menos três anos e com doações  de simpatizantes, o filme de Moore também já apresenta uma forte carga de ressentimento, trabalhada de um modo evocativo dos dramas moralistas griffithneanos do início do século, como quando apresenta fleumáticas senhoras da elite de Flint jogando golfe e especulando sobre o nível de acomodação dos desempregados ou quando parece querer direcionar toda a sua ira contra  Roger Smith e não tentar compreender o processo em sua forma mais abrangente. Certamente se assim o fizesse não teria a mesma facilidade de criar empatia com o grande público, algo que se demonstraria igualmente uma marca registrada de suas produções. Ao contrário do que ocorre em outras produções suas, Moore tem que se contentar apenas com uma tentativa pseudo-fracassada de confrontamento com o próprio Roger Smith. Para outras figuras “menores” como a cantora Anita Bryant, o ator e garoto propaganda da GM Pat Boone ou a futura miss EUA, Miss Michigan, Moore deixa que suas próprias declarações soem como atestado de comprometimento com o establishment associado a seus interesses particulares – como quando Miss Michigan afirma que não irá dar nenhuma declaração polêmica tendo em vista a proximidade do concurso nacional. Nada muito distante da tentativa de “renascimento” da cidade a partir de empreitadas um tanto alucinadas como a da construção de um hotel de luxo e de um gigantesco parque temático que encerrará suas portas em seis meses. National Film Registry em 1999. Dog Eat Dog Films/Warner Bros. Pictures para Warner Bros. 91 minutos.


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Filme do Dia: The Weakly Reporter (1944), Chuck Jones

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The Weakly Reporter (Estados Unidos, 1944). Direção: Chuck Jones. Rot. Original: Michael Maltese. Música: Carl W. Stalling. Montagem: Treg Brown.
Três fortes características chamam a atenção nesse produto de exceção da  habitual parceria Maltese-Jones. Primeiro (e daí vem a exceção) se trata de um filme de propaganda, sendo que seu humor consegue ser mais bem sucedido do que alguns exemplares semelhantes dirigidos por Avery. Depois, apresenta visualmente elementos de traços modernos de animação no estilo UPA pouco habituais para a produção do período. Por fim, concentra a maior (e talvez melhor) parte do seu humor em piadas infames em sua misoginia como na sua ironia ao apresentar as mulheres ocupando postos de trabalho na guerra antes reservados somente aos homens, na figura de uma hiper-masculinizada motorista de táxi, guardando os traços habituais da figura masculina  de extrato popular que é marca registrada do animador. Ou ainda quando as soldadas são dispensadas e correm imediatamente para uma promoção de meias-ligas. Como em boa parte da animação de propaganda, o estilo “editorial” substitui qualquer narrativa de apelo mais convencional, com personagens fixos, sendo a figura do narrador, como nos documentários, que articula o que é apresentado, o que acaba servindo como uma luva para que as gags sucessivas se sucedam de forma mais livre, no contexto espacial, do que nas animações de perfil convencional. Warner Bros. Pictures. 6 minutos e 43 segundos.


quinta-feira, 13 de junho de 2019

Filme do Dia: Um Estranho no Ninho (1975), Milos Forman


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Um Estranho no Ninho (One Flews over the Cuckoo´s Nest, EUA, 1975). Direção: Milos Forman. Rot. Adaptado: Lawrence Hauben & Bo Goldman baseado no romance de Ken Kensey e na peça de Dale Wasserman. Fotografia: Haskell Wexler. Música: Jack Nitzsche. Montagem: Sheldon Kahn & Lynzee Klingman. Dir. de arte: Paul Sylbert & Edwin O´Donovan.  Figurines: Aggie Guerard Rodgers. Com: Jack Nicholson, Louise Fletcher, William Redfield, Sydney Lassick, Brad Dourif, Christopher Lloyd, Will Sampson, Danny DeVito, Mews Small.
R.P. McMurphy (Nicholson) é enviado de uma penitênciaria para um sanatório de doentes mentais. Seu espírito rebelde faz com que entre em conflito com a rígida enfermeira Ratched (Fletcher). Sua atitude informal e seu comportamento crítico motiva outros pacientes a saírem da  afasia na qual se encontravam, como no caso do gigante índio Bromden (Sampson). Após ter dirigido o ônibus da instituição para uma improvisada pescaria e provocado outras traquinagens no sanatório, McMurphy é levado para uma sessão de eletrochoques. Sua inquietude o levará a organizar uma pequena orgia, não apenas convidando sua amante Candy (Small), como ainda fazendo com que ela mantivesse relações sexuais com o tímido Billy Bibbit (Dourif). Esse, sentindo-se ameaçado pela possibilidade da enfermeira Ratched contar tudo a sua mãe, suicida-se. McMurphy é levado a uma segunda sessão de choques. Ainda em estado de confusão mental, é morto por Bromden, que fica comovido em  ver toda a vitalidade de McMurphy se transformar numa máscara facial inexpressiva.
Esse, sem dúvida o mais popular filme da carreira de Forman, após o fracasso comercial representado por seu primeiro filme americano, Procura Insaciável (1971), ajusta a sua habitual verve anti-estabelshment, já presente em seus filmes da sua Tchecoslováquia natal, para padrões narrativos e estilísticos bem mais convencionais. Mesmo que a Ratched de Louise Fletcher, em grande interpretação, demonstre muito mais do que severidade, sendo certamente menos caricata do que figuras semelhantes em seus filmes anteriores (os pais dos jovens de Procura Insaciável ou Pedro, O Negro, por exemplo), o filme apela para um emocionalismo de fácil identificação, sinalizando para uma carreira futura certamente mais inexpressiva. Nicholson, que já havia protagonizado filmes bem mais interessante, como Cada um Vive como Quer,  selará de vez a sua persona fílmica – chega em certos momentos a parecer inspirado em Pernalonga, em sua superioridade condescendente,  como  quando chega ao hospital logo ao início  e agarra e beija um guarda – com esse filme. Sua ironia tão ao gosto do clima de contestação de então será reconfigurada para gêneros mais clássicos, como é o caso de O Iluminado, quando tais filmes de pretensão “autoral” não demonstrarem maior apelo de bilheteria.  O fato do personagem que vivencia, a exemplo de Bicho de Sete Cabeças, ser um não louco entre loucos, certamente produz uma sensível abertura para uma maior identificação do público. Kensey, o autor do livro, afirma nunca o ter assistido tão irritado ficou com mudanças como a do protagonista, originalmente o índio. Wexler, ainda que creditado oficialmente, abandonou as filmagens por desavenças com Forman, sendo a fotografia de fato de Bill Butler. Fantasy Films/N.V.Zvaluw. 133 minutos.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Filme do Dia: War Dogs (1943), William Hanna & Joseph Barbera




War Dogs (EUA, 1943). Direção: Joseph Barbera & William Hanna. Música: Scott Bradley.
Dentro do panorama da animação à serviço da guerra até que essa animação sobre um cão preguiçoso e atrapalhado, a serviço, como muitos outros cães, do exército norte-americano não chega ser abaixo da média, em grande parte ao carisma com que é construído o personagem.  O curta chega a ter até mesmo alguns momentos inspirados, como o do reconhecimento de figuras pelo cão, que imita o som de um avião, teima em continuar observando a mulher sensual com maiô patriótico e simplesmente destrói o suporte dos painéis quando surge a imagem de Hitler. A algo do humor sardônico de Tex Avery nele e não é, de fato, impossível que o tenha dirigido, embora nem mesmo surja entre os animadores listados. MGM. 6 minutos e 48 segundos.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Filme do Dia: A Chinesa (1967), Jean-Luc Godard

Resultado de imagem para a chinesa godardChinesa (La Chinoise, França, 1967). Direção e Rot. Original: Jean-Luc Godard. Fotografia: Raoul Coutard. Montagem: Delphine Desfons & Agnès Guillemot. Com: Anne Wiazemski, Jean-Pierre Léaud, Juliet Berto, Michel Semeniako, Lex de Brujin, Omar Diop, Francis Jeanson, Blandine Jeanson.
Esse filme não apenas une o aspecto de colagem de intuitos mais estéticos do que políticos de filmes anteriores (e superiores, diga-se de passagem) de Godard tal como O Demônio das Onze Horas com o cansativo e confuso arsenal de clichês e ironias políticas que constituirá sua fase mais engajada, com o Grupo Dziga Vertov. Sem dúvida alguma antecipa muito da insatisfação da juventude francesa com relação ao governo e suas políticas culturais e estudantis, assim como sua aberta simpatia pelo maoísmo que marcará o Maio de 1968. E vai além, já apresentando inclusive muitas de suas fragilidades, como a inconsistência de seus ideiais quando confrontados com um intelectual – Francis Jeanson vivendo a si próprio em uma longa discussão em um trem com Wiazemski. Seu caráter de colagem permite uma profusão de estratégias e incorporações de referências pictóricas, literárias e cinematográficas que fazem uma releitura das artimanhas interativas do Primeiro Cinema, seja com os atores se dirigindo diretamente à câmera, seja com a presença de claquetes ou da própria câmera em determinados momentos, assim como situações limítrofes entre ficção e realidade encarnados por um monólogo de Léaud (evocativo do contemporâneo Despedida de Ontem, de Klüge). Destaque para a presença cada vez mais intensa da inclusão de cartelas e fotos fixas, mecanismos que ajudarão a compor uma certa proximidade com o ensaio literário e que continuarão a ser utilizadas décadas após pelo realizador, como em História(s) do Cinema, assim como as cores fortes presentes na decoração do apartamento dos “revolucionários” ressaltadas pela magnífica fotografia em cores de Coutard. Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza. Anouchka Films/Athos Film/Les Productions de la Guéville/Parc Film/Simar Films para Athos Film. 99 minutos.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Filme do Dia: Diários de Motocicleta (2004), Walter Salles


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Diários de Motocicleta (Argentina/EUA/Alemanha/Reino Unido, 2004). Direção: Walter Salles. Rot. Adaptado: José Rivera, baseado nos livros Notas de Viaje, de Che Guevara e Con el Che por America Latina, de Alberto Granado. Fotografia: Eric Gautier. Montagem: Daniel Rezende. Dir. de arte: Carlos Conti. Cenografia: Laurent Ott. Figurinos: Beatriz de Benedetto & Marisa Urruti. Com: Gael Garcia Bernal, Rodrigo De la Serna, Susana Lanteri, Mía Maestro, Mercedes Morán, Jean-Pierre Noher, Gustavo Pastorini, Ulises Dumont.
O jovem estudante de medicina Ernesto Guevara (Bernal) junto ao amigo bioquímico Alberto Granado (Serna), se despede de sua família e parte para uma longa viagem pela América Latina - inicialmente a bordo da motocicleta do segundo. A primeira parada de longa duração é na residência de Chichina (Maestro), namorada de Guevara, ainda que sob a oposição dos pais da garota. Adentram no Chile em pleno rigor do inverno e também visitam uma mina no deserto do Atacama, onde presenciam a realidade sofrida do povo. Posteriormente vão ao Peru, onde visitam as cidades históricas e são escorraçados de uma cidadela onde Guevara se enamorou de uma mulher casada. Porém, talvez a experiência mais profunda tenha sido vivenciada no leprosário peruano, em que se tornam verdadeiros heróis. A despedida dos dois amigos se dá quando Granado resolve se casar e Guevara pegar um avião de retorno à Argentina, não sem antes destacar o quanto mudara após a experiência da viagem.
Embora a viagem da dupla possua uma forte carga simbólica que potencialmente transcenderia o mero turismo exótico, seja enfatizando um pan-americanismo (acentuado no trecho do discurso de despedida de Che no leprosário) ou ainda antecipando o caráter de militância política de Guevara, o filme de Salles parece, no final das contas, ressaltar mais uma conotação de experiência turística e anedótica que qualquer outra. Nesse sentido suas paisagens que são verdadeiros cartões postais e sua exuberante fotografia, assim como os momentos dramáticos-cômicos vividos pela dupla acabam se inserindo perfeitamente num repertório já demasiado codificado pelas produções de um certo “cinema de arte” produzido nas últimas décadas, perdendo em vitalidade e conquistando imediatamente a aderência do público médio ao qual se destina. O filme se insere, portanto, no habitual filão de representar fatos vivenciados retrospectivamente pela sua veia mais sentimental e heroicizante, como no episódio da colônia de leprosos, sendo tal emocionalismo paternalista manipulado muitas vezes em sua forma mais rasteira, sem fazer jus às verdadeiras faces de populares que posam para a câmera no seu momento documental em p&b ao final. Diante da intensidade dos seus rostos, a narrativa de ficção que os antecede soa bastante artificiosa (no pior sentido do termo) e banal. Não menos banal e lugar comum é a sua representação  da conscientização política do personagem através das situações que se depara no decorrer da viagem. Curiosamente, o título não faz jus à ação, já que a motocicleta em questão quebra na metade da jornada e, portanto, antes de seu momento mais relevante. South Fork Pictures/FilmFour/Tu Vas Voir Productions/BD Cine/Senator Film Produktion GmbH/Southfork Pictures. 124 minutos.