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O Dicionário Biográfico de Cinema#322: Mabel Normand

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Mabel Normand   (1894-1930), n. Boston, Massachussets " Mabel" foi a coisa doce jovem do estúdio Keystone, a bela e morena garota, com olhos muito vivos, que ama pular em piscinas e que excitou os corações de Chaplin e Fatty Arbuckle nos anos iniciais da Primeira Guerra Mundial. Uma contemporânea de Mary Pickford e das Irmãs Gish, foi uma das primeiras a provar que uma garota de boa aparência, com charme e um senso de diversão poderia ser bem sucedida no cinema, sem qualquer pretensão especial a interpretar. A Keystone ajudou a configurar a fazê-la parecer a mais charmosa - ou como Chaplin o pôs, a bela em meio às feras.  E la foi modelo antes de juntar-se a Griffith na Biograph, em 1911. Ainda com apenas 16 anos, atuou diversas vezes para ele, mais notoriamente em The Squaw's Love [ Amor de Índio ] (11), em que ela deu um mortal para trás em um rio na primeira tentativa. Mas foi Mack Sennett que a utilizou mais na Biograph, como a atração feminina em curtas de ainda mai...

Filme do Dia: The Water Nymph (1912), Mack Sennett

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  T h e Water Nymph (EUA, 1912). Direção: Mack Sennett . Com: Mabel Normand , Mack Sennett, Ford Sterling, Gus Pixley, Edward Dillon, Mary Maxwell. George (Sennett) convida sua namorada (Normand), que ainda não apresentou aos pais à praia, pois o pai, subitamente energizado, quer se divertir e paquerar. Ao lá chegarem, o pai se sente atraído justamente pela namorada de George e lhe corteja, abandonando a mulher na mesa do restaurante. O encontro dos quatro à mesa ao final é o momento em que George a apresenta aos pais, ainda que o pai não disfarce sua frustração. Esse, que é considerado o primeiro curta que Sennett realizou com suas “bathing beauties” (ironizadas de forma marcante em  Flim Flam Films , animação com o Gato Felix) praticamente deixa em segundo plano o amor cortês e apropriado entre os jovens para apresentar a lubricidade do velho pai. Como era costume na época, a figura feminina surge como completamente passiva aos cortejos de outro homem, mesmo se encontrando...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#148: Suriname

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  SURINAME . (República do Suriname). Antigamente colônia britânica, depois holandesa, o Suriname se tornou independente da Holanda em 1975. Margeado pela Guiana ao oeste, pela Guiana Francesa  ao leste, pelo Brasil ao sul e pelo Oceano Atlântico ao norte, o Suriname tem uma população atualmente de apenas um pouco mais de 500 mil habitantes, e é o menor estado autônomo na América do Sul. Como as vizinhas Guianas, a maior parte da população vive na região costeira norte (que inclui a capital, Paramaribo), e o país igualmente não possui uma verdadeira história do cinema, ainda que um proeminente diretor nascido no Suriname, Pim de la Parra, tenha escrito e dirigido mais de vinte e cinco longas desde 1965 (*). Habitado por variadas populações indigenas, incluindo o grupo de fala arawak nomeado "surinen", a área foi visitada por exploradores franceses, espanhois e holandeses no século XVI e foi estabelecida (em Marshall's Creek) pelos ingleses, que chamaram o território de Su...

Filme do Dia: Lance Maior (1968), Sylvio Back

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  L ance Maior (Brasil, 1968). Direção: Sylvio Back. Rot. Original: Sylvio Back, sob o argumento de Nélson Padrella & Oscar Milton Volpini. Fotografia: Hélio Silva. Música: Carlos Castilho. Montagem: Maria Guadalupe. Dir. de arte: Luiz Hilário. Figurinos: Ilana Kwasinski. Com: Reginaldo Farias, Regina Duarte, Irene Stefânia, Isabel Ribeiro, Lourdes Bergmann, Sérgio Bianchi, Doralice Bittencourt, Maria Dora Carvalho, Joel de Oliveira, Lúcio Weber. Mário (Farias) é um jovem de baixa classe média que se divide entre a vendedora suburbana Neuza (Stefânia) e a ricaça estudante universitária Cristina (Duarte), não conseguindo um emprego nem levar para diante sua relação com as moças, recorrendo eventualmente a prostitutas. Back faz seu filme de “desencanto”, como boa parte dos realizadores do Cinema Novo contemporâneos ( O Desafio , Terra em Transe , São Paulo S/A , etc.), ainda que sem a mesma verve estilística ou precisão ideológica dos mesmos. Como nesses filmes, trata-se de u...

Filme do Dia: A Sombra no Rio (2025), Janielly Linhares

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  A   Sombra no Rio (Brasil, 2025). Direção Janielly Linhares. Rot. Original Janielly Linhares & Luiz Diego Garcia. Montagem Wellington Gomes. Com David Backham, Alyson Gomes. Manuel (Gomes) e Vicente (Backham) são irmãos marcados pela morte do pai, que segundo Manuel teria escutado a voz do rio. Segundo este, um determinado dia, todos os homens da família viveriam este sortilégio, no qual saberiam que iriam partir. Vicente, por sua vez, não sente nada desta veia mística ou tampouco compreende porque deve venerar um local que foi responsável pela morte de seu amado pai. Curta que ao início tem alguns indícios não intencionais de ser voltado para temática gay apresenta,  como já se pode ter como pista seu título, um viés não muito amadurecido da mitologia, com efeitos nada instigantes, tocantes mais pelo que possui de amador – como é o caso, sobretudo da interpretação de um dos garotos. Qual é exatamente seu viés em relação à tradição (ou recusa desta) tampouc...

Filme do Dia: O Sereno Desespero (1973), Luiz Carlos Lacerda

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  O   Sereno Desespero (Brasil, 1973). Direção Luiz Carlos Lacerda. Rot. Adaptado Walmir Ayala & Luiz Carlos Barreto, a partir dos poemas de Cecília Meireles. Fotografia Rogério Noel. Montagem Ana Maria Magalhães. Com Arduíno Colassanti, Eliane de Itatinga, Rosana da Vinha, Tarcísio José, José Kléber, José Arthur Machado, Vera Manhães. Narrado por Isabel Ribeiro. E a voz de Ribeiro ecoa, lendo a posia de Meireles, enquanto observamos um “índio” cenográfico, evidentemente tão distante da realidade e idealizado quanto aquele lido na poesia. Além de fabricado pela produção deste curta. A nudez do mesmo deve ter sido influenciada pelo Como Era Gostoso o Meu Francês , sendo Lacerda várias vezes assistente de Nélson Pereira. Já se aproximando do final, após a exibição do corpo malemolente do jovem (prenúncio do Menino do Rio de Caetano) surfista (motivo visual reutilizado por Lacerda no bem posterior A Morte de Narciso ) é que um poema de Meireles provocará maior resson...

Filme do Dia: Alguém Morreu em Meu Lugar (1964), Paul Henreid

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  A lguém Morreu em Meu Lugar ( Dead Ringer , 1964, EUA). Direção: Paul Henreid. Rot. adaptado: Albert Beich & Oscar Millard, a partir do conto de Rian James. Fotografia: Ernest Haller. Música: André Previn. Montagem: Folmar Blangsted. Dir. de arte: Perry Ferguson.  Cenografia: William Stevens. Figurinos: Donfeld. Com : Bette Davis, Karl Malden , Peter Lawford, Philip Carey, Jean Hagen, George Macready, Estelle Winwood, George Chandler, Cyril Delevanti, Monika Henreid. Edith “Edie” Phillips (Davis), dona de um pequeno clube, do qual não consegue mais sequer extrair os aluguéis do local, decide matar sua rica irmã gêmea, Margaret DeLorca (Davis), à sangue-frio e incorporar a personalidade da falecida, assim como seus bens. Porém, incorporar Margaret significa atropelos desde os aposentos da casa até a presença de um policial, o Sargento Jim Hobbson (Malden), apaixonado por Edie e o vigarista Tony Collins (Lawford), amante da irmã. Cria-se uma empatia oblíqua com a assa...