Postagens

O Dicionário Biográfico de Cinema#339: Meryl Streep

Imagem
  Meryl Streep   (Mary Louise Streep), n. Summit, Nova Jersey, 1949 M eryl Streep é uma atriz modelo nos filmes americanos - mas alguns tem dito de uma forma que faz a atuação parecer excessivamente solene ou calculada? Aos quarenta, não apenas era considerada a mulher mais talentosa nos filmes, mas a mais destacada. A distinção não é um elogio comum nos filmes, nem é frequentemente bem intencionada. Os distinguidos são por vezes aqueles que o público não ama: o termo cai pesadamente sobre as cabeças de Olivier, Katharine Hepburn e mesmo Al Pacino , por vezes. Mas bem no final dos anos oitenta, tinha sido brilhante, devidamente encerrada e definitivamente australiana em A Cry in the Dark  [ Um Grito no Escuro ] (88, Fred Schepisi). Muitas poucas pessoas foram ver o filme - seu tema e cenários não eram aprazíveis - mas alguns reconheceram que a presença de Streep já era, naquele tempo, um suficiente alerta para um público cauteloso. Ela poderia ser soberba, em vez de fria,...

Filme do Dia: Entre Dois Amores (1985), Sydney Pollack

Imagem
  Entre Dois Amores ( Out of Africa , EUA, 1985). Direção: Sydney Pollack. Rot. Adaptado: Kurt Luedtke, baseado nos livros  Isak Dinensen: the Life of a Storyteller , de Judith Turman,  Silence Will Speak , de Errol Trzebinski e nas memórias de Isak Dinensen.  Fotografia: David Watkin. Música: John Barry. Montagem: Pembrooke J. Herring, Sheldon Kahn, Frederic Steinkamp & William Steinkamp. Dir. de arte: Stephen B. Grimes, Colin Grimes, Cliff Robinson & Herbert Westbrook. Cenografia: Josie MacAvin. Figurinos: Milena Canonero. Com: Meryl Streep , Robert Redford, Klaus Maria Brandeur, Michael Kitchen, Malick Bowens, Joseph Thiaka, Stephen Kinyanjui, Michael Gough. A dinamarquesa Karen Blixen (Streep) aceita um casamento formal com o Barão Bror Blixen (Brandeur), que vive no Quênia. Ao chegar ao local tem que enfrentar várias adversidades, como o desejo do marido de plantar café, suas constantes saídas para safáris e traições, a I Guerra Mundial e a sífilis contr...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#163: Raoni

Imagem
  RAONI (Brasil/França/Bélgica, 1978). Com Raoni sendo nomeado ao Oscar de Melhor Documentário - Longa Metragem em 1979, o mundo foi introduzido à difícil situação dos índios amazônicos diante do desmatamento da floresta tropical. Embora em grande parte uma produção franco-belga, dirigida por Jean-Pierre Dutrilleux e narrada em sua versão em inglês - com o subtítulo The Fight for the Amazon  - por Marlon Brando , ao diretor de fotografia brasileiro Luiz Carlos Saldanha foi dado o crédito de co-direção; Raoni também venceu o prêmio de Melhor Filme Brasileiro, e três outros prêmios, incluindo fotografia e música no Festival de Cinema de Gramado , em 1979. Raoni foi um filme estilisticamente divisor de águas igualmente. A música de Egberto Gismonti e a fotografia em tela ampla de Saldanha se combinaram em apresentar um cenário belo e idílico para o personagem central, Raoni do povo Megkrenoti, às margens do Rio Xingu. Longas passagens observacionais, descrevendo o "modo de vida i...

Filme do Dia: The Magic Glass (1914), Hay Plumb

Imagem
  T he Magic Glass (Reino Unido, 1914). Direção Hay Plumb. Com Reginald Sheffield. Cientista descobre lente que pode observar através de obstáculos como portas. Testando seu invento, ele observa seu filho (Sheffield), atacando uma lata de doces na dispensa. Enquanto desfruta de sua refeição com a esposa, faz com que   criança devolva o que fora furtado e discute com a esposa, retirando-se do aposento.   No aposento contíguo usa a lente para observar a esposa fazendo gestos provocativos a ele, sob as risadas do filho do casal, e imediatamente vai tomar satisfações dela e estapear o filho. Observa então a criada a se aproximar das bebidas da casa. O cientista a pega em flagrante e lhe dá uma lição de moral. Quando intervém para aplacar o barulho provocado por um gramofone, o garoto fica a par de qual o segredo do pai. E começa a utilizar do pó em uma lupa ainda maior.   Descobrindo onde se encontram as comidas que lhe interessam, mas logo flagrado pela mãe, que chama...

Filme do Dia: Point of Order! (1963), Emile de Antonio

Imagem
  P oint of Order! (EU A, 1963). Direção: Emile De Antonio. Montagem: Robert Duncan. Filme de estreia do realizador e obra considerada seminal dentro da história do cinema documentário pelo modo que opera com as imagens de arquivo que constituem sua única e exclusiva fonte (não há qualquer intervenção over ), sendo que toda a elaboração perspectiva (e até mesmo autoral) se faz através da seleção dentre as centenas de horas televisionadas do qual os realizadores se detiveram, assim como as modestas inserções para discriminar quando se trata de acusação ou defesa,  indo contra as tendências então imperativas e influentes no campo documental norte-americano vinculadas ao Cinema Direto. Se é verdade que o filme faz uso radical de seu material de arquivo, em termos de abdicação de contraposições ou qualquer outro material que não remeta às próprias imagens televisionadas, isso certamente não facilita a vida de um espectador que não se encontre exatamente a par do que está sendo p...

Filme do Dia: Nelson Freire (2003), João Moreira Salles

Imagem
  N elson Freire (Brasil, 2003). Direção: João Moreira Salles. Roteiro Original: João Moreira Salles, Felipe Lacerda & Flávio Pinheiro. Fotografia: Toca Seabra. Montagem: Felipe Lacerda & João Moreira Salles . O filme é uma aproximação do retratado que menos que apresentar uma pesquisa exaustiva sobre o seu tema (como Ophüls fez em Hotel Terminus ou as habituais investigações jornalísticas de Nick Bloomfield  para a BBC) procura  se adequar ao perfil de Freire, reservado e buscando, a todo custo, sufocar a emoção. Respeitando as lacunas e eventual pouca articulação do pianista, o filme não envereda pelo esquema investigativo para tentar contemplá-las. No máximo, introduz a locução (de Eduardo Coutinho) de uma carta emocionada do pai, escrita em 1950, que relata as numerosas dificuldades que a família vivenciou no início da carreira de Freire. É visível o desconforto deste com a invasão da câmera nos momentos de maior emoção, como quando escuta Guiomar Novaes, a...

Filme do Dia: Colonel Heeza Liar Foils the Enemy (1915), John Randolph Bray

Imagem
  C olonel Heeza Liar Foils the Enemy (EUA, 1915). Direção e Rot. Original John Randolph Bray. Coronel Heeza Liar não consegue avançar, dada o grande bombardeio por parte do inimigo. Quando o faz cai numa trincheira de um oficial inicialmente hostil, mas depois se identifica como um aliado argentino.   Voltando a combater da trincheira, Heeza é vítima da explosão da bomba posta por um alemão, que subterraneamente se aproximou do local. Heeza é jogado longe e acredita que terá uma boa noite se refugiando em um canhão que o dispara rumo ao comandante alemão da ofensiva. Um comentário sobre a I Guerra Mundial então em curso. Sua estrutura visual talvez remeta mais, aos olhos de mais de um século após, a de alguns joguinhos eletrônicos que propriamente ao que se acostumou na tradição da animação comercial. Aqui, um senhor já maduro, em trajes de sáfari (numa alusão a sua fonte de inspiração, o presidente Roosevelt), tenta avançar, sendo continuamente rechaçado pelos bombardeio...