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O Dicionário Biográfico de Cinema#348: Paul Newman

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  Paul Newman (1925-2008), n. Cleveland, Ohio. D esde que tantas pessoas ao redor do mundo acharam Newman tão atrativo, importa muito pouco que eu seja cético de tal simpatia de olhos azuis. Ele parece-me uma personalidade tão apreensiva e auto-estimada, como se a beleza o deixasse culpado. Como resultado, foi mais maneirista que Brando quando jovem, enquanto seu sorridente bom-humor sempre pareceu mais apropriado a anúncios sofisticados mais que bons filmes. O filme crucial em sua carreira foi The Hustler [ Desafio à Corrupção ] (61, Robert Rossen ) em que George C. Scott o analisa e o descarta como um perdedor nato, um atleta vistoso, mas sem resistência ou caráter. Assistir repetidamente Desafio à Corrupção  somente apresenta os músculos "sensíveis" do papel de Newman. O antagonista pretendido por Scott se torna cada vez mais interessante e atraente, e me pego rejeitando o drama sentimental de Rossen , cercado como está por bolas de bilhar, ansiando para que a percepção d...

Filme do Dia: O Mercador de Almas (1958), Martin Ritt

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      O Mercador de Almas ( The Long Hot Summer , EUA, 1958). Direção: Martin Ritt. Rot. Adaptado: William Faulkner, Irving Ravetch & Harriet Frank jr., baseado nos contos  Barn Burning ,  The Spotted Horses  e no romance  The Hamlet , de Faulkner.  Fotografia: Joseph LaShelle. Música: Alex North. Montagem: Louis R. Loeffler.  Dir. de arte: Maurice Ransford & Lyle R. Wheeler. Cenografia: Eli Benneche & Walter M. Scott. Figurinos: Adele Palmer. Com: Paul Newman , Joanne Woodward, Anthony Franciosa, Orson Welles,  Lee Remick , Angela Lansbury, Richard Anderson, George Dunn.               As jovens e ricas Clara (Woodward) e Eula (Remick) Varner dão carona a um jovem desconhecido na estrada, Ben Quick (Newman), recém-foragido do Massachussets, onde foi suspeito de atear fogo em propriedade de um fazendeiro local. Quick decide trabalhar para a família que controla as maiores riquezas d...

GUIA CRÍTICO DE DIRETORES JAPONESES#15: Isao Yukisada

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  YUKISADA, Isao (n. 3 de agosto de 1968) 行定勲 Um dos mais elegantes e bem sucedidos dos jovens diretores japoneses, Yukisada trabalhou inicialmente como assistente do especialista em filmes de jovens Shunji Iwai. Seus próprios filmes iniciais, tais como Open House  (1998) e Zeitakuna Hone ( Luxurious Bone , 2001), não foram distantes de Iwai, com um estilo visual semelhante, onírico, um foco primordial nos jovens, e um talento por explorar os universos mentais intensamente particulares habitados por seus personagens. O sucesso popular, no entanto, veio com Gō  ( Prosseguir , 2001), um incomumente social e realista drama analisando a problemática vida de um adolescente coreano residente no Japão. Mesmo prejudicado, sobretudo em suas cenas iniciais, pelas técnicas de edição e retórica visual de vídeo pop, possui muitos momentos reveladores, tais como o encontro do herói com um policial perplexo, não consciente de seu status enquanto "estrangeiro".  Os filmes seguintes...

Filme do Dia: Physical Aspects of Puberty (1952)

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  P hysical Aspects of Puberty (EUA, 1952).  Rot. Adaptado : Baseado no livro de Elizabeth B. Hurlock. Através da voz mais impessoal de um narrador, e com auxílio de animações básicas, explica-se, após a imagem de dois adolescentes caminhando de mãos dadas, que no caso de Johnny, aos 14 anos, sua glândula pituitária envia da região cerebral hormônios de crescimento ao longo de três anos. O marco definidor da puberdade é marcado por uma animação que apresenta as fases do líquido que se transformará no esperma, quando ele surge involuntariamente nas poluções noturnas. No caso das mulheres o exemplo é Jane, e também segue o mesmo esquema inicial das glândulas pituitárias exportando hormônios para determinadas regiões do corpo. A narração não deixa de ressaltar, o que é imensamente sabido, mas como se trata de um curta pretensamente didático não custa lembrar: que as mulheres desenvolvem as características púberes geralmente antes dos homens. Com Janie ocorre aos 13 anos. Uma da...

Filme do Dia: The Ghost of Kasane (1957), Nobuo Nakagawa

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  T he Ghost of Kasane ( Kaidan Kasane-ga-Fuchi , Japão, 1957). Direção Nobuo Nakagawa . Rot. Adaptado K ō han Kauichi, a partir da peça de de Enchō San’yūtei. Fotografia Yoshimi Hirano. Música Chumei Watanabe. Montagem Toshio Gotō. Dir. de arte Akira Ogumi. Com Katsuko Wakasugi, Takashi Wada, Noriko Kitazawa, Tetsurō Tanba, Kikuko Hanaoka, Sumiko Abe, Akira Nakamura, Unpei Yokoyama,Shuji Kawabe. Pressionado pelo massagista cego Soetsu a quem devia dinheiro, samurai (Nakamura) assassina-o com requintes de crueldade e em várias etapas. Quando seu serviçal e esposa se deparam com o cadáver na sala, o Samurai afirma que o corpo deve ser jogado em um local de difícil localização. O serviçal afirma que é o pântano de Kasane. Quando Fusae, sua esposa,   massageia o samurai, ela   faz menção ao assassinato cometido por ele, ele a toma por Soetsu e a mata, afogando-se nas águas do pântano. Vinte anos se passam. Shinkichi (Wada), empregado da casa, e filho do massagista, ...

Filme do Dia: Tarantellen af Napoli (1903), Peter Elfelt

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  T arantellen af Napoli (Dinamarca, 1903). Direção: Peter Elfelt. Esse filme se contamina do início ao final pela graça e frescor do casal de bailarinos que executam sua dança em um singelo cenário. Sua graça e leveza em muito se afasta da maior parte de filmes americanos contemporâneos que apresentam números de dança, mais interessados em explorar o lado burlesco da atração. Elfelt, normalmente dirigindo  filmes oficiais para a realeza dinamarquesa, onde a aridez dos temas acaba compometendo parcialmente a sua ocasional eficácia enquanto filme ( Kejser Wilhelms Ankom sttil Kobenhavn , por exemplo) aqui parece ter como resultado o oposto, a simplicidade da produção conta com o encantamento do tema. Elfelt. 1 minuto e 13 segundos.

Filme do Dia: Baronesa (2017), Juliana Antunes

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  B aronesa (Brasil, 2017). Direção e Rot. Original Juliana Antunes. Fotografia Fernanda de Sena. Montagem Rita M. Pestana & Affonso Uchoa. Com Andreia Pereira de Sousa, Leid Ferreira, Felipe Rangel Soares. Sem dúvida menos autocomplacente e masturbatório que algumas referências do cinema de fluxo brasileiro tais como Estrada para Ythaca , também se centra na esfera do cotidiano de um grupo de amigos. Mas o faz a partir de um recorte cotidiano voltado para os afetos e outras pulsões ainda não completamente canibalizadas pelo inabalável senso de comodificação capitalista. E, de forma mais interessante, entremeia documentário e ficcionalização a partir de figuras concretas, como Andreia e Leid- do rapaz se poderia reivindicar maior ficcionalização porque nunca vem a ser chamado pelo nome, apenas Negão. Lógico que se trata de personagens de outro estrato social, e que se pretende aqui apostar numa estética do cotidiano que não nega a violência e as drogas permeando as relaçõ...