Filme do Dia: The Black Sphere (2023), Tristan Reed
The Black Sphere (EUA, 2023). Direção
e Rot. Original Tristan Reed. Fotografia Morgen Ludwick. Música Daniel Ehrmann
& Nick Wolfe. Dir. de arte Sophia Haboush. Com Ryan
Yauger, Tristan Reed, Ana Mercado, Benjamin Sanchez, Sahir Mir.
Jovem
skatista, Tyler (Yauger) esmurrado por outro, Mason (Sanchez) com o qual se
encontra casualmente e lhe provoca bullying, ação testemunhada por um
terceiro, Trent (Mir), desmaia em uma
área de bosque, acordando já noite. Seu skate também foi quebrado pelo
agressor. Seu rosto é repentinamente tampado e quando ele se vira depara-se com
um ser extraterrestre, Yazu (Reed), que se perdeu de sua nave. Tyler o leva
para dormir na casa de uma amiga, Ava (Mercado). Na manhã seguinte, ao serem
escorraçados da casa de Ava, pela iminência da chegada de seu namorado, Tyler
volta a encontrar a dupla do dia anterior, e ser novamente agredido. Ele afasta
Yazu, para que os dois não observem a criatura. Yazu viu tudo, no entanto, e
também ouviu a referência ao pai de Tyler ter se matado. Os dois conversam após
o episódio da agressão, e Tyler compartilha o último áudio enviado pelo pai.
Se até
próximo dos seus minutos finais, este curta estudantil consegue elaborar sua
narrativa partindo de uma montagem e senso rítmico relativamente bem
resolvidos, a solução construída para se
relacionar com o antagonista do herói, embora nem de longe incomum ao longo de
décadas de aventura e ficções científicas, dentre outros gêneros, soa demasiado
antenada com os tempos nos quais foi produzido, pela reação extremada ao qual
anteriormente se vincularia uma saída da ordem do social. Que tudo seja
embalado pela pouco criativa licença onírica do mundo semi-consciente,
provocada pela ação inicial, já era de se esperar. Menos esperada, mais talvez
igualmente condizente com os tempos de sua produção, é a absoluta indiferença de
Tyler com o fato de Yazu ter transformado Mason em uma espécie de pizza
gosmenta, pois no dia seguinte conversa com Yazu como se nada houvesse
ocorrido. E que o ET afirma ser assim que lidam com os idiotas de sua terra,
parece muito pouco associado a considerar seu mundo mais evoluído que a Terra –
então para a humanidade evoluir é só extinguir o que lhe aflige? Extrair a
angústia de cada um? E quando tais angústias são muito diversas umas das
outras, pois falamos apenas em termos de um indivíduo – que Tyler, com seus
obstáculos comezinhos, tenha sido motivo de piedade de Yazu, parece um sintoma
de certo narcisismo e agressividade passiva que, quando muito, deveria ficar
confinada aos ressentimentos pueris do personagem, ou de seu criador, mais que
serem elaborados enquanto ficção a buscar uma mensagem; provavelmente
inspirada, e mal inspirada, em O Dia em que a Terra Parou. O que o
destino comezinho do rapaz tem a ver com o da humanidade, sentença balbuciada
por Yazu, é outro mistério não resolvido. Indiana University Media School. 23
minutos e 35 segundos.

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