Filme do Dia: Terra Estrangeira (1995), Walter Salles & Daniela Thomas
Terra Estrangeira (Brasil, 1995).
Direção: Walter Salles & Daniela Thomas. Rot. Original: Marcos Bernstein,
Millôr Fernades, Walter Salles & Daniela Thomas. Fotografia: Walter
Carvalho. Música: José Miguel Wisnik. Montagem: Felipe Lacerda & Walter
Salles. Dir. de arte: Daniela Thomas. Figurinos: Cristina Camargo. Com:
Fernando Alves Pinto, Fernanda Torres, Alexandre Borges, Laura Cardoso, Tchéky
Karyo, Luís Melo, João Lagarto.
Depois da morte súbita da mãe
(Cardoso), Paco (Pinto) consegue realizar o sonho de viajar para a Europa
através das mãos do estranho empresário Ígor (Melo). Viajando para Portugal,
Paco vai ao encontro de Miguel (Borges), o contato de Ígor, mas o encontra
morto por overdose. Vai então ao encontro da ex-namorada de Miguel, Alex
(Torres). Juntos viajam para tentar contatar diretamente os homens que estão
por trás do contrabando. Não conseguem e Paco fica sem a companhia de Alex que
afirma que ele deve voltar ao Brasil. Paco acaba sabendo, em uma reunião com
Igor e os homens para quem ele trabalha, que as pedras preciosas se encontram
em um violino que trouxe na sua bagagem, que desapareceu misteriosamente do
hotel que se encontra em Lisboa. Procura desesperado por Alex na livraria de
Pedro (Lagarto) e foge com ela rumo a San Sebastián, cidade da sua mãe. Quando
estão próximos da fronteira são surpreendidos por Ígor e um capanga seu. Paco mata-o
mas também é ferido mortalmente por este e morre, no carro, nos braços de Alex,
que cruza a fronteira violentamente.
Nesse seu segundo longa, Salles,
embora ainda se utilizando prioritariamente de recursos dos filmes de gênero no
estilo noir, presença absoluta de seu
trabalho anterior, A Grande Arte,
aproxima-se gradualmente de uma reflexão sobre o Brasil, característica que se
radicalizará no seu próximo filme, Central do Brasil. O resultado final é grandemente irregular, prejudicado
principalmente por sua pretensão de aliar o drama pessoal com a realidade
política brasileira mais ampla, com resultados na maior das vezes pífios – o
melhor exemplo é a morte da mãe logo após escutar o confisco das poupanças que
marcou o início da era Collor. Ainda assim, consegue criar uma atmosfera de uma
Europa bela e trágica ao mesmo tempo, recorrendo tanto aos cenários naturais
(soberbamente fotografados em b&p por Carvalho) quanto ao beco sem saída
que seus protagonistas acabam por se encaminhar e se enredar cada vez mais.
Enquanto metáfora do país, cujas ilusões políticas se esvaeceram tão rápido, em
suas devidas proporções, quanto a utopia
européia de Paco, o resultado é demasiado superficial para ser empolgante.
Videofilmes Produções Artísticas. 100 minutos.

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