Filme do Dia: Young Oldfield (1924), Leo McCarey
Young Oldfield (EUA, 1924). Direção
Leo McCarey. Com Charley Chase, Emma Tansey, Marie Mosquini, Joe Cobb, Barney
Oldfield.
Numa
grande corrida internacional em circuito fechado, Barney Oldfield (Oldfield), é
seguido na cola por Jimmy Jump (Chase), que o ultrapassa, vencendo a corrida.
Ao sair do carro é assediado por uma pequena multidão e um cinegrafista
registra o momento. Jimmy cumprimenta Barney e diz que ele também é um grande
corredor. Este, meio a contragosto, aperta sua mão. Jimmy acorda do sonho em pé
no balcão de seu bar. Ann (Mosquini) é sua ajudante. E sua velha mãe (Tansey)
afirma que faltam 8 dólares para pagar a hipoteca em poucas horas. Jimmy parece
ter uma ideia salvadora. Ele espalha com o ventilador uma substância alérgica
que faz todos espirarem e acharem que estão gripados, indo em massa a sua
farmácia. Porém, a mãe esquece o pagamento da hipoteca e, de última hora, Jimmy
se apossa de um carro de corrida e parte. Ao final de toda sua aventureira
jornada e tendo derrubado as paredes de sua casa ao chegar com o cofre onde
acredita se encontrar o dinheiro – e com o cobrador na traseira de seu carro –
descobre o dinheiro não se encontrar nele.
McCarey
surpreende, mesmo fazendo uso de um recurso habitual – pois aqui os indícios
não são nada evidentes – de se tratar de um sonho. E também o desvelando já
pouco depois da ação iniciada. Ann é uma figura deveras surreal de heroína,
fugindo o modelo seja singelo seja mais combativo de mulheres apreciadas pelos
ícones da comédia de então ou pouco depois (Chaplin, Keaton, Langdon, Lloyd),
mas sempre atraentes, usando óculos fundo de garrafa. Fazendo uso de uma
dispersão de motivos nada distante, guardadas as proporções, dos equivalentes
animados contemporâneos estrelados pelo Gato Félix, com a primeira narrativa,
subitamente abortada (o que nos fará lembrar de investidas neste curso
posteriores como as do grupo Mont Pyton), com a presença de uma celebridade das
pistas de então, Barney Oldfield, vivendo a si próprio. Tenta-se um retorno ao
mote inicial do sonho, daí o título do curta. Piadas racistas ou homofóbicas
são bastante frequentes; no caso em questão, Jimmy entra em um túnel no qual
logo passa um trem em um cena. Porém – inexplicavelmente, para pôr na conta da
licença humorística – nada acontece com seu carro além dele ficar com o rosto
tão negro de fuligem quanto os atores brancos a fazerem blackface à
época. As cenas envolvendo trens e carros nos mesmos trilhos também povoaram o
universo de Keaton e provavelmente mais de um curta dos Keystone Cups de
Sennett antes destes. Ao final tudo se resolve, embora sem a necessidade de
todas as mirabolantes aventuras, servindo um pouco como comentário sobre a
própria vida e como são vivenciadas intensamente as angústias do momento e o
quão pouco representam pouco depois – embora nesta conta não se credite as
avarias na casa, ou a soma polpuda arrecadada com o golpe de Jimmy já supre,
embora os deixe novamente com o caixa a zero. O garoto gorduchinho, entrevisto
em vários momentos da narrativa como uma espécie de marcador/coro surge
novamente ao final. E tal como a bastante dispensável garota, que não possui
qualquer motivação na trama além de ser apresentada enquanto “feia”, entra e
sai praticamente impassível, sempre na mesma posição e mesmo local. |Hal Roach
Studios para Pathé Exchange. 14 minutos.![]()

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