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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Filme do Dia: El Despojo (1960), Antonio Reynoso



El Despojo (México, 1960). Direção: Antonio Reynoso. Rot. Original: Juan Rulfo. Fotografia: Rafael Corkidi. Montagem: Xavier Rojas.
Camponês oprimido, assassina o patrão e abandona o local em que morava-trabalhava com a mulher e um filho enfermo. Atravessam áreas desérticas e pequenos povoados, onde não recebem solidariedade de outros populares. Findam por enterrar o filho que não resiste.

Curta seminal para o estabelecimento do cinema moderno e de preocupações sociais na cinematografia mexicana. Como outra produção-chave da produção moderna mexicana (La Formula Secreta) também é vinculada ao escritor Juan Rulfo e dialogando também  com a modernidade cinematográfica europeia em termos de elaboração estilística e resistência a uma entrega fácil dos elementos de sua fábula, assim como evidente ambiguidade em relação aos mesmos – a exploração sexual da esposa pelo patrão, o retorno ao momento em que o camponês é atingido por uma bala já próximo do final do curta. Chega a ser tocante a percepção de quanto a tentativa de desfolclorizar figuras regionalistas tradicionais, tal como observadas pela cinematografia padrão até então se tornam um eixo comum dessa produção latina do período. Assim, esse curta evoca as primeiras realizações do Cinema Novo brasileiro, e sua descrição do camponês matando seu senhor imediatamente evoca Deus e o Diabo na Terra do Sol, da mesma forma que a caracterização de tipos populares pretende se afastar o máximo possível de produções icônicas como Maria Candelaria, assim como Rocha pretendia fazê-lo de filmes como O Cangaceiro. Suas imagens da aridez da terra e a dura iluminação, por sua vez, afastam-se do pictórico de Gabriel Figueroa para o filme de Emílio Fernandez e aproxima-se da de filmes como Vidas Secas, de Nélson Pereira dos Santos ou La Tierra Quema, de Raymundo Gleyzer. Cinefoto. 11 minutos e 54 segundos.

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