Filme do Dia: O Mercador de Veneza (1911), Gerolamo Lo Savio

 


O Mercador de Veneza (Il Mercante di Venezia,  Itália, 1911). Direção Gerolamo Lo Savio. Rot. Adaptado a partir de William Shakespeare. Com Ermete Novelli, Francesca Bertini, Olga Giannini Novelli.

 Antonio, em desespero financeiro, assina um contrato espúrio com um mercador judeu, Shylock (Novelli), oferecendo uma parte de seu próprio corpo (cerca de meio quilo dele, de qualquer parte), caso a dívida não seja cumprida. Lorenzo, amigo de Antonio, foge com Jessica (Bertini), filha de Shylock, levando  parte da riqueza do mercador. Shylock descobre que Jessica foi “raptada”. As naus de Antonio são afundadas, e ele não se encontra em possibilidade de honrar suas dívidas. Porzia, noiva de Antonio, sabe de sua prisão e decide salvá-lo. Travestida de advogado, Porzia liberta Antonio. É lembrado a Shylock que será destituído de suas terras e bens, caso derrame uma gota só de sangue cristão. Quando já afia sua faca para cumprir seu contrato com Antonio.

Filmado em Veneza, fazendo uso de planos aproximados dos atores (a maior parte deles em planos médios ou de conjunto), colorização artesanal sobretudo de seus vestuários e a utilização de locações na célebre cidade das lagunas em radical contaste com internas em estilizados cenários de estúdio. Pouco mais  de metade de sua metragem original sobreviveu, então não pode-se por no crédito da falha de produção o momento em que um homem que desce a escadaria da residência do hebreu, seja “substituído” por uma mulher – ambos são vistos mais adiante, em plena satisfação pela tramoia ser posta em andamento e dividindo, já próximos da câmera e centralizados no quadro, um quinhão da fortuna. O raptada entre aspas, diz respeito mais a informação do narrador via cartela, mais que não coincide com o que vemos na imagem, com ela simplesmente concordando em ir com Lorenzo. O filme mantém uma quantidade de personagens e subtramas que se tornam impossíveis de se ajustarem de forma razoável ao pouco tempo disponível de exposição da trama.  Ao final, Shylock parece doar por conta própria e não como obrigação da corte, sua fortuna, uma parte para a comunidade e a outra para o homem que desposou sua filha.| Film d’Arte Italiana para Pathé Frères. 10 minutos e 36 segundos.

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