Filme do Dia: Timor Lorosae - O Massacre Que o Mundo Não Viu (2001), Lucélia Santos



Timor Lorosae – O Massacre Que o Mundo Não Viu (Brasil, 2001). Direção Lucélia Santos Rot. Original Pedro Neschling & Lucélia Santos. Fotografia Luís Abramo. Música Carlos Pacini Filho & Carlos Pacini.. Montagem: Mair Tavares.

Nesse documentário, filmado em vídeo digital, Santos (que também narra o filme) nos apresenta um retrato das atrocidades cometidas no Timor Leste. Após o enfraquecimento das forças nacionais com uma guerra civil, a Indonésia invade o país e perpetra um verdadeiro massacre. Sem apoio da comunidade internacional, a causa da população oprimida apenas ganhará maior destaque da mídia internacional com o Prêmio Nobel da Paz concedido a um bispo que é referência nacional. O filme se apoia nas imagens de arquivo e entrevistas com personalidades (como o próprio bispo, embora os depoimentos mais interessantes sejam os do carismático líder da resistência Xanana Gusmão e do cinegrafista Max Stahl, que filmou cenas chocantes de um massacre ocorrido em um cemitério). Também são entrevistadas pessoas que tiveram seus parentes massacrados e membros da ONU. À guisa de não transformar o documentário em algo extremamente impessoal e referindo-se somente a dados gerais, Santos acompanha a celebração de um culto à memória de um seminarista, um ano após seu bárbaro assassinato, juntamente com outros religiosos e um jornalista, que comoveu a comunidade. Após o momento de catarse e choro coletivo, uma festa com mesa farta. Entre alguns dados interessantes que o filme apresenta, encontram-se o fato de que apenas 30% da população timorense era católica e que tornou-se maciçamente somente após as pressões do regime indonésio para que todos fossem partidários de alguma religião, assim como a mistura de etnias que compõem a pequena nação. Mesmo com tantas imagens de violência, uma das cenas que mais impressiona é a da arrogância de um líder guerrilheiro apoiado pela ditadura indonésia, que abertamente espanca a população e dança grotescamente em praça pública. Assim como a declaração de Gusmão de que pior do que todas as perdas materiais sofridas, após anos de conflito, foi o fato de terem sido roubado dos timorenses a sua própria alma, repersentada pelos costumes e tradições. A narrativa finda com um apanhado geral das imagens filmadas e com a indagação sobre qual será o futuro político e econômico do país, após a implantação de um governo provisório pela ONU, a inexistência de uma economia própria que vá além da de subsistência e o esfacelamento da frente de coalização política que lutou contra a invasão indonésia. Nock Produções. 75 minutos 

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