Filme do Dia: Os Filhos de Katie Elder (1965), Henry Hathaway

 


Os Filhos de Katie Elder (The Sons of Katie Elder, EUA, 1965). Direção Henry Hathaway. Rot. Adaptado William H. Wright, Allan Weiss & Harry Essex, a partir do conto de Talbot Jennings.  Fotografia Lucien Ballard. Música Elmer Bernstein. Dir. de arte Hal Pereira & Walter H. Tyler. Cenografia Sam Comer & Ray Moyer. Figurinos Edith Head. Maquiagem e Cabelos Loren Cosand & Web Overlander. Com John Wayne, Dean Martin, Martha Hyer, Michael Anderson Jr., Earl Holliman, Jeremy Slate, James Gregory, Paul Fix, George Kennedy, Dennis Hopper, Rhys Williams.

1898. Os quatro filhos de Katie Elder voltam a se reunir após a morte da mãe, na pequena Clearwater, Texas. John (Wayne), o primogênito, ganhou fama de pistoleiro. Tom (Martin), de jogador e trapaceiro (aliás, como o pai). Matt (Holliman) é o mais discreto dentre todos. O caçula Bud (Andereson Jr.), foi enviado pela mãe para estudar uma faculdade de mineração. Muito próxima de Katie, uma mulher amada na comunidade por sua generosidade, Mary Gordon (Hyer) repreende os quatro pelo pouco apoio que deram à mãe. Eles discutem a respeito de como poderiam dar encaminhamento a algo que fizesse Katie feliz. Chegam a um acordo, sob protestos, que deve ser a continuidade dos estudos de Bud. Contra si possuem a influência do poderoso Hastings (Gregory), que se diz proprietário de um rico rancho que fora dos Elders, ganha em um jogo com o pai dos Elders, morto pouco após, e que contrata um exímio pistoleiro, Curley (Kennedy), antevendo possíveis problemas com a família. Striker (Williams), homem que fechara um acordo com Katie, e não sabia de sua morte, aceita a proposta dos irmãos de transportar 400 cavalos à venda, tendo participação nos lucros do negócio. O admirado xerife local, Billy Wilson (Fix), morre ao confrontar Hastings, que põe a culpa nos Elders, deixando a cidade em polvorosa pelo linchamento dos irmãos. Estes tem que ser transferidos, para sua segurança, e no meio do transporte deles um atentado é planejado por Hastings, em conluio com vários xerifes, no qual Matt vem a ser morto.  O único xerife que não concorda com a trapaça, Ben (Slate), vem a ser morto por Hastings, enquanto Curley é morto por John. Com Bud ferido, John decide um arriscado retorno à cidade. John afirma ao juiz que poderá comprovar que estavam distantes da cena da morte de Billy Wilson, e este concorda com o atendimento a Bud. Tom sequestra o agitado filho de Hastings, Dave (Hopper). Diante do juiz e de John, Dave confessa os crimes de seu pai, antes de morrer dos ferimentos provocados acidentalmente pelo pai. Tom leva um tiro de Hastings pelas costas e John, enfurecido após todos estes incidentes, explode a loja de munições com Hastings em seu interior.

Há uma louvável parcimônia em relação ao ethos da valentia dos tiros e sopapos em sua primeira metade não menos que admirável. John, por exemplo, desautoriza os laivos do irmão mais jovem diante do perigoso Curley, e reafirma as características que lhe foram jogadas a respeito do pai morto, como provocação. E o autocontrole de um já maduro John, com o peso da persona cinematográfica e do próprio nome de batismo de Wayne não soa como complacente, algo não muito fácil de se crer. A música de Bernstein parece ter sido criada para uma saga de pioneiros, e mesmo quando emerge com maior frequência na parte final, mais agitada e menos interessante do filme, soa deslocada. Que Matt seja o irmão morto é mais que plausível, pois o mais figurante e inexpressivo dos quatro, enquanto personagem e também estrelismo cinematográfico. De Martin, dada a sua relevância na trama e sua fama, pode-se criar um bolão de apostas sobre sua sobrevivência ou não.  Do mais jovem e também pouco conhecido há a blindagem da representação futura de uma nova ordem não mais atrelada à violência, mas sim a certa respeitabilidade pacífica, representada pelo curso universitário, que o próprio jovem tanto detesta, um marcador quase tão intenso contra sua virilidade quanto a da idade (garoto x homem) que lhe é lembrada pelos irmãos, e sobretudo por John, também tornado figura paterna. Este morrendo, não haveria maior sentido para uma empreitada que provocaria tanto sangue e mortes.  Ao contrário do lobo solitário que se poderia pressupor a partir do início, quando assiste ao funeral da mãe distante dos outros irmãos e dos membros da comunidade, para não falar de toda uma imensidade de filmes do gênero (a exemplo do mais célebre, Rastros de Ódio), o John de Wayne finda sua graça não partindo de cavalo em meio a uma imensa pradaria, mas recebendo o promissor convite de se unir a personagem um tanto anódina de Mary Gordon, para se juntar nos cuidados do irmão/filho do novo casal. Tudo de uma forma trivial e poupando o espectador de alguma cena romântica. No geral, fica-se com a impressão do filme dialogar mais com uma segunda camada de representações sobre o Velho Oeste, a cinematográfica, que diretamente com o mito, algo semelhante neste sentido, a um gênero emergente por volta desta produção, o western-spaghetti, embora com critérios muito distintos deste. Algo poderia ter sido limado do roteiro, sem a menor perda: o episódio desnecessário do acordo para a travessia e venda dos cavalos.  |Wallis-Hazen para Paramount Pictures. 122 minutos.

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