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Mostrando postagens com o rótulo Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#165: Humberto Mauro

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  MAURO, HUMBERTO . (Brasil, 1897-1983). O melhor diretor de cinema brasileiro da primeira metade do século XX, Humberto Mauro foi também o mais prolífico, dirigindo somente doze longas-metragens em sua carreira de cinquenta anos, mais 235 curtas e médias, a maior parte deles no Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) , onde se tornou diretor técnico em 1936. Com efeito, funcionou como uma espécie de "laureado do cinema" de cultura brasileira e, em 1952, quando Ganga Bruta (1933) foi redescoberto durante uma grande retrospectiva do cinema brasileiro em São Paulo, Mauro começou a receber a aclamação merecida. Mauro nasceu em uma fazenda  em Volta Grande, Minas Gerais, de um pai imigrante italiano e mãe brasileira. Sua família se moveu para Cataguazes e, seguindos os passos de seu pai, estudou engenharia na capital do estado, Belo Horizonte. Ele abandonaria o curso em um ano e então cursou um curso por correspondência em eletricidade, que o capacitou a instalar energia el...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#164: Bye Bye Brasil

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  BYE BYE BRASIL . (Brasil, 1980). A quintessência do sucesso de uma agência cinematográfica estatal Embrafilme , nos primórdios dos anos 80, e um filme cuja reputação parece ainda crescer globalmente. Bye Bye Brasil , dirigido por Carlos Diegues , é um road movie irônico que atravessa o emblemático nordeste brasileiro, indo do Planalto Central à Amazônia, uma região de exploração, a comentar sobre as mudanças ocorrendo na sociedade, especialmente o influxo da televisão e como ela modifica o entretenimento brasileiro. Bye Bye Brasil foi financiado pela Embrafilme e mais que recuperou este investimento, chegando próximo do 1,5 milhão de espectadores (sendo a décima maior bilheteria entre os filmes brasileiros de 1980 a 1984). Foi defendido como um destinatário ideal  de verbas estatais de acordo com o Plano Nacional de Cultura de 1975, em sua tentativa de "criar uma identidade nacional através da preservação das diversidades regionais", e foi um sucesso internacional; por exem...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#151: Arthur Omar

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  OMAR, ARTHUR (*) (Brasil, 1948). Durante um período do declínio do cinema brasileiro nos anos 80, Artur (ou Arthur) Omar emergiu como talvez o mais significativo representante do cinema experimental brasileiro. Sua obra em cinema e vídeo do final dos anos 70 e anos 80 sempre levantava questões sobre arte e política, enquanto experimentava com ideias formais e temáticas. Nascido em Poços de Caldas, Minas Gerais, como Arthur Omar Noronha Squeff. Desde o início de sua carreira cinematográfica, sua obra pode ser caracterizada como "experimental". Seu terceiro curta, Congo  (1972), construído como um texto semiótico, começava a desconstruir a forma documentário . Jean-Claude Bernadet descreveu Congo , que contém mais texto escrito que imagens (e que, na verdade, nunca apresentam seu tema, o congo ou a congada , uma dança), como sendo sobre "a relação que estabelecemos com a cultura popular, desde que nosso único modo de compreendê-la, porque jamais seremos capazes de produz...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#148: Suriname

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  SURINAME . (República do Suriname). Antigamente colônia britânica, depois holandesa, o Suriname se tornou independente da Holanda em 1975. Margeado pela Guiana ao oeste, pela Guiana Francesa  ao leste, pelo Brasil ao sul e pelo Oceano Atlântico ao norte, o Suriname tem uma população atualmente de apenas um pouco mais de 500 mil habitantes, e é o menor estado autônomo na América do Sul. Como as vizinhas Guianas, a maior parte da população vive na região costeira norte (que inclui a capital, Paramaribo), e o país igualmente não possui uma verdadeira história do cinema, ainda que um proeminente diretor nascido no Suriname, Pim de la Parra, tenha escrito e dirigido mais de vinte e cinco longas desde 1965 (*). Habitado por variadas populações indigenas, incluindo o grupo de fala arawak nomeado "surinen", a área foi visitada por exploradores franceses, espanhois e holandeses no século XVI e foi estabelecida (em Marshall's Creek) pelos ingleses, que chamaram o território de Su...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#142: Histórias Extraordinárias

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  HISTORIAS EXTRAORDINARIAS. (Argentina, 2008). Um filme narrativo digital grandemente experimental e longo (mais de quatro horas) foi realizado por menos de 50 mil dólares, Histórias Extraordinárias , escrito e dirigido por Mariano Llimás, é uma obra-chave de um grupo de ex-estudantes da Fundación Universidad del Cine. Inspirado pelo professor Rafael Filippelli e o anti-cinema de seu favorito Jean-Luc Godard , este grupo realizou cinema sem o apoio do Instituto Nacional de Cine e Artes Audiovisuales (INCAA) e contra o que o crítico de cinema argentino chamou de "cinema argentino oficial". Notavelmente divertido para um filme que entrecorta suas três principais histórias sequer enlaçados, no qual não há resolução para os tópicos narrativos e a voz over (de Daniel Hendler, Juan Minujn e Verónica Llinás) domina do início ao final, Histórias Extraordinárias envolve o espectador nas intrigas da própria narrativa.  Na primeira história, através do olhar distanciado de um investiga...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#129: Eduardo Escorel

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  ESCOREL, EDUARDO (1945). Talvez o melhor montador da história do cinema brasileiro, Eduardo Escorel foi também um importante documentarista, e dirigiu uns poucos e notáveis filmes de ficção, incluindo Lição de Amor  (1975). Sua inspiração para trabalhar com cinema veio da observação, enquanto estudante, do documentarista sueco Arne Suckesdörff, quando este ministrava um curso de cinema no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1962/63. Escorel começou a trabalhar como montador em 1964 e em 1965 foi assistente de Joaquim Pedro de Andrade   em seu primeiro filme de ficção, O Padre e a Moça . Em 1966, Escorel co-dirigiu seu primeiro documentário, Bethânia Bem de Perto .  Tanto de Andrade quanto Gláuber Rocha , para quem trabalhou primeiro como montador de Terra em Transe , em 1966, foram destacados realizadores modernistas, o que certamente poderia suscitar o argumento de Escorel ter sido uma figura-chave em forjar em um estilo narrativo dialético sua contribu...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#116: José María Beltrán

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  JOSÉ MARÍA BELTRÁN . (Argentina/Espanha, 1898-1962). Talvez o melhor diretor de fotografia  durante a era de ouro do cinema argentino, José María Beltrán é hoje uma figura virtualmente desconhecida, a despeito de ter ganho o prêmio de Melhor Fotografia em Cannes, em 1951. Nascido na Espanha e tendo trabalhado como diretor de fotografia de 1925 em diante, durante a era silenciosa. Trabalhou regularmente com os mesmos diretores, incluindo Eusébio  Fernández Ardavín (cinco filmes) e Carlos Velo (oito filmes). Muitas de suas contribuições em meados dos anos 30 foram curtas documentais dirigidos por Velo, incluindo Infinitos  (1935). Beltrán aparenta ser firmemente do lado republicano, e trabalhou como diretor de fotografia em todos os quatro longas produzidos por Luis Buñuel para Fimofóno S.A., incluindo o primeiro e mais comercialmente bem sucedido, Don Quintin el Amargo  (1935), e o último,  Centinela Alerta!  ( Coração de Soldado , 1937), que alegada...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#106: John Alton

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  ALTON, JOHN (EUA/Argentina, 1901-1996). Nascido Johann Altmann (Aldon Jacko) em Sopron, então localizado no Império Austro-Hungáro, tornou-se o maior diretor de fotografia em p&b dos melodramas criminais hollywoodianos, hoje conhecidos como cinema noir . Alton também desempenhou um papel central no desenvolvimento da indústria cinematográfica argentina, nos primórdios dos anos 30. Emigrou aos Estados Unidos em 1919, aportando em Nova York. Alton se lembra em trabalhar em um veículo para Marion Davies no Astoria, Queens, e seu primeiro emprego em Hollywood foi como técnico de laboratório para a MGM, em 1924. Tornou-se diretor de fotografia em 1927 e viajou para a França e a Alemanha, comandando o departamento fotográfico dos estúdios da Paramount em Joinville, Paris, por um tempo.  Alton mudou-se para a Argentina em 1932, a convite dos pioneiros do rádio Enrique Susini, para ajudar a construir e equipar o primeiro estúdio sonoro do país, S.A. Radio-Cinematografica Lumito...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#105:Realizadores Exilados Chilenos

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  REALIZADORES CHILENOS NO EXÍLIO . Desde setembro de 1973, quando o General Augusto Pinochet liderou um golpe militar contra o presidente marxista eleito Salvador Allende, assassinando- no processo, o Chile   vivenciou um reinado de terror, durante o qual mil e duzentas pessoas foram assassinadas, incluindo a atriz de 25 anos Carmen Bueno e o cinegrafista de 27  Jorge Müller; mais de 25 mil pessoas foram presas; e outras 200 mil partiram para o exílio. Quase todas as figuras de destaque do cinena chileno à época, incluindo Pedro Chaskel , Helvio Soto  e Rául Ruiz , estiveram entre os que abandonaram a sua terra natal, enquanto Miguel Littín e Patricio Guzman  terminaram seus filmes no exílio. Todas estas figuras, e algumas outras poucas que desenvolveram carreira no estrangeiro, como Valéria Sarmiento  e Gustavo Justiniano , retornaram ao Chile após 1990, quando eleições democráticas ocorreram, e alguns destes retornaram para viver no país. Porém, muitos ...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#104: José María Velasco Maidana

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VELASCO MAIDANA, JOSÉ MARÍA. (Bolivia, Ca. 1900-1989). O mais significativo pioneiro do cinema boliviano, cuja obra serve como inspiração para os realizadores socialmente conscientes para as regiões montanhosas andinas da América do Sul, José María Velasco Maidana, havia esquecido, ele próprio, tudo sobre seus filmes quando entrevistado, em 1978, por Alfonso Gumucio-Dagron, e sua obra havia desapercido por completo até a restauração de seu segundo longa, Wara Wara   (1930), foi completada em 2010. Nascido na Bolivia, Velasco Maidana estudou composição musical e conduziu o Conservatório Fontonva de Buenos Aires, e ao retornar ao seu país natal, tornou-se um professor de história da música no Conservatório Nacional de La Paz. Seu primeiro longa foi o famoso La Profecía del Lago   (1923-25) que se tornou um filme desaparecido antes mesmo de sua estreia, por conta da censura. Em 1927 realizou um curta documental sobre a inauguração do estádio de futebol Hernando Silles, e em 1928 ...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#99: Whisky

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  WHISKY  (Uruguai, 2004). O primeiro grande sucesso global do cinema uruguaio foi Whisky , que seguiu sua dupla premiação na Mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes, sendo distribuído em vinte países, ganhando outras prêmios em oito festivais internacionais de cinema, e recebendo os prêmios Ariel (México) e Goya (Espanha) da indústria cinematográfica.  Juan Pablo Rebella   e Pablo Stoll seguiram a seu primeiro longa divisor de águas, 25 Watts  (2001), Whisky   (pronuncia Weekee em espanhol), sendo o equivalente uruguaio para a exortação de língua inglesa "cheese", para fazer o sujeito de uma fotografia sorrir. Os realizadores, juntamente com o produtor Fernando Epstein, montaram sua própria companhia, Control Z Films, para distribuir 25 Watts  e co-produzir outros. Conseguiram administrar recursos do Fondo Montevideo para El Fomento y Desarollo de la Producción Audiovisual (FONA) e então atraíram co-produtores da Espanha (Wanda Visión S.A...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#96: CINEMA EXPERIMENTAL

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  CINEMA EXPERIMENTAL . Estritamente falando, qualquer filme no qual qualquer experimentação estilística-formal ocorra, ainda que seja com tema único ou divisor de águas, pode ser denominado como "cinema experimental" ou de avant garde , mas a tendência na América do Sul é fazer uso do termo no modo como é aplicado na América do Norte, em relação aos filmes abstratos ou grandemente poéticos, geralmente curtos em duração, sendo formalmente não narrativos. De fato, existem poucos movimentos obviamente experimentais na América do Sul, à parte do movimento do Cinema Marginal brasileiro, também conhecido como udigrudi ( underground ), do final dos anos 60, onde uma série de jovens diretores, inicialmente associados com o Cinema Novo , e rompendo com o mesmo e realizando filmes narrativos de orçamento extremamente baixo, agressivamente rudes e algumas vezes sem sentido, incluindo o paulista O Bandido da Luz Vermelha , de Rogério Sganzerla  (1968) e o baseado no Rio de Janeiro Matou...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#89: Eliseu Subiela

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  SUBIELA, ELISEO.  (Argentina, 1944-*). Mais conhecido por seus filmes "realistas mágicos" e a ficção científica sucesso internacional,  Hombre Mirando al Sudeste  [ Homem Olhando para o Sudeste , 1986), Eliseo Ignacio Subiela é um dos mais proeminentes realizadores sul-americanos dos últimos trinta anos. Nasceu em Buenos Aires, estudos letras e filosofia na Universidad de Buenos Aires e cinematografia na Escuela de Cine de la Plata. Produziu, escreveu e dirigiu seu primeiro curta,  Un Largo Silencio , em 1963, filmado pelo cinegrafista Juan José Stagnaro. Realizou outro curta em 1965 e depois foi um dos nove diretores e três roteiristas (e dez produtores/diretores de fotografia/editores) do bastante longo (210 minutos) documentário  Argentina, Mayo de 1969: Los Caminos de la Liberación  (1969). Talvez a participação de Subiela nesta obra radical de esquerda delimitou sua habilidade para trabalhar na indústria de cinema, particularmente após o golpe m...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#83: Imagem Latente

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  Imagem Latente . (Chile, 1987). O primeiro longa a lidar criticamente com a ditadura de Augusto Pinochet a ser realizado abertamente no Chile , Imagem Latente , dirigido por Pablo Perelman , foi proibido de ser exibido publicamente tanto pela Censura quanto pela corte de apelações. No entanto, sua reputação no estrangeiro cresceu, através de exibições em festivais de cinema estrangeiros, começando por Havana, em dezembro de 1987. Em 1990, após um governo civil ser eleito, depois de 17 anos de ditadura militar, as restrições da censura de algum modo relaxadas, Imagem Latente  foi lançado, juntamente com seis outros longas chilenos - um ano marcante certamente.           Pedro (Bastián Bodenhöfer) é um fotógrafo profissional que trabalha no mercado publicitário, e cujo irmão desapareceu em 1975, aproximadamente dez anos antes da ação principal de Imagem Latente . Pedro e sua esposa, que é mais politicamente engajada, e que se encontra convencida que se...

Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#79: Joaquim Pedro de Andrade

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  ANDRADE, JOAQUIM PEDRO DE  (Brasil, 1932-1988). O "poeta" satírico do Cinema Novo  brasileiro, Joaquim Pedro de Andrade é o único dos grandes realizadores sul-americanos a ter toda sua obra restaurada e lançada em uma caixa de DVDs, pela Carlotta, na França, e Filmes do Serro, no Brasil . Andrade nasceu no Rio de Janeiro; enquanto estudava física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, tornou-se um ativo membro cineclubista. Em 1953 realizou seu primeiro curta em 16mm, e em 1959 dirigiria dois documentários  em preto&branco para o Instituto Nacional do Livro, sobre o sociólogo Gilberto Freyre e o poeta Manuel Bandeira. Inicialmente programados para serem partes de um mesmo filme, mas dividi-los certamente ressalta O Poeta do Castelo , no qual as imagens de uma vida cotidiana deliberadamente aborrecida e solitária são animadas pela voz over de Bandeira reinvindicando a visita a uma cidade mágica - provavelmente, está indo apenas caminhar pelo Rio. O Mestre de...