Filme do Dia: Carta de uma Desconhecida (1948), Max Ophüls
Carta de uma Desconhecida (Letter from an Unknown Woman, EUA,
1948). Direção: Max Ophüls. Rot. Adaptado: Howard Koch, baseado no romance Brief einer Unbekannten, de Stefan Zweig. Fotografia:
Franz Planer. Música: Daniele Amfitheatrof. Montagem: Ted J. Kent. Dir. de
arte: Alexander Golitzen. Cenografia: Russell A.Gaussman & Ruby R. Levitt.
Figurinos: Travis Banton. Com: Joan Fontaine, Louis Jourdan, Mady Christians, Marcel Journet, Art
Smith, Carol Yorke, Howard Freeman, John Good, Leo B. Pessin.
Na Viena do início do século um
ex-pianista prodígio, Stefan Brand (Jourdan), hoje decadente, afirma para seu
criado que deverá partir antes que amanheça, para evitar um confronto. O criado
lhe entrega uma carta. Ela foi escrita por Lisa Berndle (Fontaine), mulher que
o amou por toda a vida. Através da leitura da longa carta, Brand acompanha-a
como sua vizinha, quando passou a admirá-lo. Sua empolgação, indo contra a
família, ao manter um romance com Brand que diz que voltará a vê-la em duas
semanas e nunca mais aparece. O nascimento de seu filho, a quem Lisa dá o nome
de Stefan. Seu casamento, sete anos após, com o aristocrata Johann Stauffer
(Journet), com quem leva uma vida morna e passa a freqüentar a alta sociedade.
O reencontro ocasional com Stefan, em uma ópera, e sua decisão pela separação
de Johann e a separação do filho, que acaba, como ela, contraindo tifo e
morrendo. Ao voltar ao estúdio de Stefan, este não a reconhece, embora o
próprio criado o faça. Ao terminar a
carta, Stefan, arrasado, vai ao encontro de Johann, que o espera em frente a
seu apartamento.
Esse melodrama, filmado com grande
fluidez visual e a elegância habitual de Ophüls, possui entre seus maiores
méritos nunca aproximar-se do cinismo, no retrato da paixão romântica que
descreve. Enquanto a postura da protagonista pode ser tida como ingênua, ao
jurar amor, mesmo depois de tudo o que ocorrera, ela rebate de forma trágica,
mais que cômica, na figura de um dândi que perdera qualquer força vital. O tom
romântico, que permeia o filme, não deixa de enfatizar a amargura dos
personagens principais que, mesmo ambientados em uma primorosa reconstituição
da Viena fin-de-siécle, ganham um
caráter universal em sua busca de conquistarem a realização de seus desejos
afetivos. Entre as cenas de destaque, o passeio que Lisa realiza com Stefan em
um Panorama, simulação de trem que os leva por um passeio por paisagens
européias tão artificial quanto os próprios sentimentos do rapaz.
Discretamente, o cineasta também faz referência aos comentários da classe que
serve essa aristocracia, sejam os músicos que decidem não mais tocar a valsa
que embala a noite romântica do casal ou o esforço do operário que pedala para
que o casal possa ter um momento de escapismo no Panorama. O romance de Zweig
havia sido adaptado anteriormente como Narkose
(1929), com direção de Alfred Abel e Ernst Garden e roteiro do célebre
teórico Béla Balázs. National Film Registry em 1992. Rampart/Universal Pictures. 86 minutos.

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