Filme do Dia: Um Gato em Paris (2010), Jean-Loup Felicioli & Alain Gagnol

 


Um Gato em Paris (Une Vie de Chat, França/Holanda/Suíça, Bélgica, 2010). Direção: Jean-Loup Felicioli & Alain Gagnol. Rot. Original: Alain Gagnol. Música: Serge Besset. Montagem: Hervé Guichard.

Zoe possui um gato de estimação. Filha de uma investigadora policial, Jeanne,  que teve o marido morto em ação pelo perigoso criminoso Victor Costa, mal sabe Zoe que seu gato, Dino, possui uma vida secreta à noite, compartilhando dos roubos do ladrão Nico. Certa noite, a garota resolve seguir Dino e se vê envolvida numa situação na qual Nico se torna seu protetor contra a quadrilha de Costa, da qual faz parte ninguém menos que sua babá, Claudine.

Iniciando com uma interessante premissa, a da vida dupla do gato, que poderia antecipar de forma mais complexa a observância de dois mundos distintos, o respeitável de classe média e o de criminalidade romântica (contraposta a uma criminalidade corporativa e, de fato, ameaçadora) e aparentemente herdeira de certos traços boêmios, logo, no entanto, irá embarcar numa trama bem mais convencional de ação e suspense evocativa dos filmes de Hitchcock, inclusive na cena final em torno de um monumento-ícone da cidade em questão (aqui a Catedral de Notre-Dame), assim como em sua grandiloquente trilha sinfônica, reforçadora do suspense. Existem flertes com o universo adulto, seja ao implicitamente se valer da indefinição completa de papeis, com o final selando a união de Nico e Jeanne, que certamente sugere uma referência ao noir e, a determinado momento, o capo Costa batiza sua atrapalhada trupe de forma semelhante ao líder de Cães de Aluguel, inclusive com um Sr. mas não passam disso, tendo em vista que os papéis de vilania continuam, de fato, bem demarcados, para não falar das excessivas coincidências entre universo doméstico e público – não apenas o gato se vinculando ao criminoso, como a residência desse sendo invadida pelo grupo de Costa e como golpe de misericórdia, a criada da casa sendo igualmente parte da gangue do mafioso; se no último caso, a infiltração das “forças do mal” surgiriam como plenamente justificáveis, em termos de espionagem de sua principal rival, não é o que a trama parece acentuar. Quanto ao mundo do crime, é significativo que o ladrão de aura romântica possua nome italiano e o líder e mais violento personagem do filme, latino, afastando do universo criminal os próprios franceses. Bem mais relevante, de fato, é a fragilidade de um roteiro que não nos faz identificar-se nem com os personagens nem com a trama apresentada e sem a produção tampouco ter estilo o suficiente que sustentasse o interesse continuado. Folimage/Digit Anima/France 3 Cinéma/Lumière/Lunanime/RTBF/Rhône-Alps Cinéma. 70 minutos.

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