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sábado, 20 de setembro de 2014

Filme do Dia: Osama (2003), Siddik Barmak


Osama (Afeganistão/Japão/Irlanda, 2003). Direção e Rot. Original: Siddiq Barmak. Fotografia: Ebrahim Gafori. Música: Mohammad Reza Darvishi. Montagem: Siddiq Barmak. Dir. de arte: Akbar Meshkini. Com: Marina Golbahari, Arif Herati, Zubaida Sahar, Gol Rahman Ghorbandi, Mohamed Haraf Harati, Mohamed Nader Khadjeh, Khwaja Nader, Hamida Refah.
               Uma garota (Golbahari) é obrigada por sua mãe (Sahar) e avó a se personificar como garoto, para que possa trazer o sustento na sociedade radicalmente machista dos talebãs afegãos, que não permitem que as mulheres trabalhem. Descoberta por um garoto, Espandi (Harati),  que ameaça chantageá-la e que se torna seu maior cúmplice, protegendoa-a das situações de maior risco, ela frequenta algumas particularidades da sociedade restritas aos meninos como o estudo, as orações e os treinamentos militares. É descoberta e, salva da pena capital, torna-se mais uma das esposas de um mulá.
Pungente em seu retrato da dominação masculina e na forma perversa que é o seu desdobramento – a negação do próprio sexo por parte da protagonista – o filme perde muito de sua força ao não conseguir o efeito realista que parece pretender almejar. É evidente a influência do Neo-Realismo – explicitada na cena do hospital, que reproduz, em chave dramática, o efeito cômico buscado por Rossellini em Roma: Cidade Aberta – ao optar por dramatizar uma realidade sofrida pouco tempo depois do ocorrido com atores não profissionais. Porém suas pretensões de um realismo do gênero se chocam com um certo academicismo tanto visual quanto nas interpretações – a garota protagonista parece ser mais profissional que muitos atores profissionais –, o que subverte a lógica inicial e tende mais a espelhar o universo dramático convencional que a própria realidade que busca retratar. Nesse sentido, mesmo sua forma semi-documental de apresentar um movimento de mulheres reprimido pelos talebãs ao início do filme, com a câmera se fazendo passar por um jornalista que será executado posteriormente, soa pouco convincente quando comparado, por exemplo, com A Caminho de Kandahar, de Makhmalbaf, no qual igualmente se percebe um toque autoral aqui inexistente. Barmak Film/Hubert Balls Fund of the Rotterdan Film Festival/Le Brocquy Fraser Productions/NHK. 82 minutos.


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