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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Filme do Dia: Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado



Ilha das Flores (Brasil, 1989). Direção e Rot.Original: Jorge Furtado. Fotografia: Sérgio Amon & Roberto Henkin. Música: Geraldo Flach. Montagem: Giba Assis Brasil. Dir. de arte: Fiapo Barth. Com: Júlia Barth, Ciça Reckziegel.
Através da acidentada trajetória de um tomate – plantado pelo Sr. Suzuki, rejeitado na mesa de Dona Anete e encaminhado ao lixão de Ilha das Flores, Furtado constrói um painel de fina ironia, ao qual não faltam referências à diversos momentos históricos da humanidade, o que acaba pondo em xeque um sistema no qual o processo produtivo e o lucro de um criador de porcos fazem com que seres humanos se alimentem dos restos do que é servido aos porcos. Certamente um dos pontos fortes do filme é construir sua dinâmica através do seu bem humorado e criativo processo de montagem, que como em Eisenstein se torna instrumento para se discutir argumentos e expor ideias e que posteriormente se tornaria uma certa coqueluche nas mãos de realizadores menos talentosos que a utilizaram como mero efeito-piada. E, ao mesmo tempo em que discorre sobre uma questão profunda a partir do elemento mais trivial, com a ajuda da ironia séria da narração de Paulo José, que parece narrar para alienígenas pois explica todas as palavras que utiliza, tampouco deixa de questionar os estatutos entre a ficção e o documentário, avisando desde o início não se tratar de um filme de ficção. O fato de ser abertamente encenado não esconde sua proximidade com assertivas de cunho documental mais do que a criação de um universo ficcional – as interpretações aqui são completamente dependentes dos argumentos a serem trabalhados. Um de seus pontos fracos talvez seja a utilização questionável de imagens de cadáveres nazistas e da população esfomeada a catar o lixo como mera ilustração para seu argumento irônico. Trata-se do quarto curta-metragem do realizador que posteriormente transportaria elementos de sua criatividade narrativa para longas-metragens ficcionais bem mais convencionais e distantes do mesmo fôlego. Casa do Cinema. 13 minutos.

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