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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Filme do Dia: As Diabólicas (1954), Henri-Georges Clouzot



As Diabólicas (Les Diaboliques, França, 1954) Direção: Henri-Georges Clouzot. Rot.Adaptado: H.G.Clouzot, René Masson & Frédéric Grendel,   baseado no romance Celle qui n'était plus de Pierre Bolieau Thomas Narcejac. Foto: Armand Thirard. Música:George Van Parys. Montagem: Madeleine Gug. Com: Simone Signoret, Véra Clouzot, Paul Meurisse, Charles Vanel, Jean Brochard, Thérèse Dorny, Michel Serrault, Georges Chamarat, Jean Lefebvre, Jacques Varennes.

Christina Delasalle (Clouzot), proprietária de uma escola onde seu marido é o patrão, juntamente com a amiga Nicole Horner (Signoret), sua funcionária, também professora, amiga e amante de seu marido, resolvem matá-lo. Michel Delassale (Meurisse), é um perfeito canalha: bate na amante, humilha a esposa e vive às suas custas, sendo avaro nos gastos com a alimentação das crianças. Nicole planeja um final de semana em seu apartamento, aproveitando que as crianças sairão em excursão. Lá, Christina, seguindo o plano de Nicole, liga para o marido reinvindicando divórcio e, enquanto Nicole sai para o apartamento vizinho, quando ele chega adormece-o com um sonífero. Quando Nicole retorna, ambas colocam Michel em uma banheira cheia de água e cobrem-na com uma toalha, após uma sessão de sufocamento por parte de Nicole. Christina, que é católica e cardíaca sente-se mal com a operação, mas consegue resistir, graças a grosseria final de Michel que, quando sentiu-se novamente no domínio da situação e que ela se encontrava blefando a respeito do divórcio, esbofeteou-a. Juntas, elas levam o cadáver até a escola, chegando de madrugada e depositando o corpo na piscina. Nos dias seguintes, Christina não aguentará de ansiedade, culminando com uma bola jogada pelos meninos na piscina. Ela pede que a piscina seja esvaziada e, para sua surpresa, não encontram nenhum cadáver por lá. Já a ponto de ir a polícia confessar o crime, sentindo-se extremamente culpada, Christina muda de idéia quando Nicole lhe mostra uma manchete no jornal sobre um corpo despido que apareceu no Sena. Ela vai até o necrotério mas o cadáver é de outro. Fica ainda mais perturbada quando um inspetor, Fichet (Vanel) começa a lhe interrogar sobre o desaparecimento de seu marido. Para piorar a situação, um dos alunos diz ter visto Michel e seu vulto sai em uma foto de equipe do colégio. O terno de Michel, com que ele se encontrava quando morto, é entregue pela lavanderia. Não aguentando mais a pressão, Christina confessa o crime, não sendo levada à sério por Fichet. Certa noite ela é assustada por ruídos e encontra as luvas de Michel sobre a máquina de escrever, acabando por sucumbir ao vê-lo ressurgir de dentro da banheira. Logo Michel comemora com Nicole o motivo do plano de ambos: a morte de Christina para ficarem juntos e com o dinheiro dela. Não por muito tempo, no entanto, já que Fichet os surpreende ainda em plena comemoração. O mesmo garoto que afirmara ter visto Charles vivo, diz ter também visto Christina.

Farsa um tanto quanto esquemática que, no entanto, possui seu charme, seja na bem dosada mistura entre terror, suspense e comédia, seja no seu tom hiper-realista e, por vezes, graficamente próximo das histórias em quadrinhos. Nada que se compare, no entanto, com o mais ambicioso O Salário do Medo (1953), do mesmo cineasta. Malhado pelos cineastas-críticos da Nouvelle Vague, como representante do cinema de qualidade francês, posteriormente Clouzot seria “reabilitado” por Truffaut. Serrault, em início de carreira, faz uma ponta. Refilmado com Sharon Stone e Isabelle Adjani como as duas protagonistas e direção de Jeremiah S. Chechik  em 1996. Vera Filmes. 114 minutos.


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