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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Filme do Dia: Morangos Silvestres (1957), Ingmar Bergman


Morangos Silvestres Poster




Morangos Silvestres (Smultronstället, Suécia, 1957) Direção: Ingmar Bergman. Rot.Original: Ingmar Bergman. Fotografia: Gunnar Fischer. Música: Göte Lovén & Erik Nordgren. Montagem: Oscar Rosander. Com:Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand, Jullan Kindahl, Folke Sundquist, Björn Bjelfvenstam, Naima Wifstrand, Gunnel Broström, Gertrud Fridh,Gunnar Sjöberg, Max von Sydow.
         O Professor Isak Borg (Sjöström), aposentado sente a morte se aproximar, ou pior, sente-se morto em vida - como fará questão de comentar mais adiante (suas preocupações  acabam se refletindo em um sonho, em que um esquife desce a rua sem ter ninguém dirigindo-o. O caixão cai do esquife e ele próprio procura puxá-lo para dentro do caixão) recebe uma carta da universidade onde ensinara que pretende lhe render uma homenagem. Sua nora, Marianne (Thulin) afirma que deseja fazer a viagem a Lund com ele. Iniciando um diálogo que nunca tiveram, ambos são francos. Borg afirma que sempre imaginara que ela nunca gostara dele. Marianne lembra-se da frieza com que fora recebida logo que se casara e fora morar com ele e, no primeiro dia, ele lhe dissera que não queria saber de seus problemas conjugais. No meio do caminho, Isak visita sua mãe (Wistfrand), aos 95 anos e impertubável em sua frieza. Visitando o jardim da casa onde morara quando jovem, um canteiro de morangos silvestres faz-lhe relembrar sua prima Sara (Andersson), por quem fora apaixonado e que se casara com seu irmão e seus dias em família. Um grupo de jovens, Sara (Andersson), Anders (Sundquist) e Viktor (Bjelfvenstam) que pretende viajar à Itália pede-lhe carona, o que só faz aumentar seu sentimento de nostalgia, tanto pela vitalidade dos jovens, como pela semelhança da jovem com sua prima (fato que comenta com ela). Mais adiante, quase sofrem um acidente, quando procuram se desviar de um carro. O outro carro capota. Dentro dele se encontra um casal, que também passa a viajar com eles. Sten Almann (Sjöberg) e sua esposa (Broström). Porém o casal não cessa de discutir, com o marido afirmando que sua esposa é histérica e ela o esbofeteia, provocando-lhe o choro. Marianne, que assumiu a direção, pede que eles se retirem do carro, em respeito aos jovens. Marianne, a certo momento da viagem, quando os jovens se afastaram, escuta Isak reclamar de as vezes se sentir como um morto em vida e afirma-lhe que seu filho possui uma personalidade idêntica, vez por outra lhe afirmando a mesma coisa, inclusive quando ela lhe dissera que se encontrava grávida, o que o deixou transtornado e ela temerosa de ter um filho que seguisse as inclinações do pai e do avô. As confissões mútuas se encerram com a aparição súbita dos jovens trazendo flores. Logo chegam a Lund. Borg participa das comemorações pela manhã, ao qual os jovens assistem e prestigiam. A noite é levado a janela de seu quarto por uma serenata feita pelos jovens, que se despedem carinhosamente. Marianne reencontra seu marido Evald (Björnstrand), que pede que ela volte a morar com ele. A noite, os dois antes de saírem para uma festa, passam na cama de Isak para se despedirem. Marianne afirma que não sente raiva dele e beija-o no rosto. Isak aos poucos se desliga da vida.
         De tom proustiano, um dos filmes mais líricos de Bergman, que utiliza-se grandemente do flashback para construir seu singelo conto agridoce. Em todos os momentos de recordação, é o próprio Isak envelhecido que surge. O cineasta prova mais uma vez que o cinema não se encontra impermeável a discutir com habilidade sobre as alegrias e misérias da condição humana, seu tom melancólico e nostálgico raras vezes reproduzido com tanta intensidade e beleza pelo cinema. Uma das peculiaridades do filme é a narrativa (como que refletindo as reflexões e lembranças de Isak) parece particularmente sensível aos relacionamentos afetivos entre homens e mulheres que encontra - o do triângulo jovem, o casal que discute no carro, o casal do posto de gasolina e, obviamente, o de seu filho com Marianne, como que procurando apresentar diversas formas de amor possíveis e sua  relação com a vida do protagonista. Brilhante direção de atores (com destaque para Sjönströn e Thulin) e fotografia. Svensk Filmindustri. 91 minutos.




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