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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Filme do Dia: Jom (1982), Ababacar Samb-Makharan


Jom Poster


Jom (Senegal/Al. Ocidental, 1982). Ababacar Samb-Makharan. Com: Abou Camara, Lamine Amadou Camara, Fatou Fall, Omar Gueye, Zator Sarr, Omar Cek.
Um menestrel cataliza todos os anseios de seu povo, reproduzindo e ao mesmo tempo fazendo parte de uma linha imemorial de homens que possuíam em comum o sentido de Jom, de dignidade humana diante das adversidades. No passado, o confronto com os colonos belgas e seus aliados de outras tribos senegaleses. No presente, a exploração do emprego doméstico por uma elite de pouca ou nenhuma preocupação social e a tentativa de suborno e cooptação de empregados de uma indústria cujo proprietário age de forma truculenta e ditatorial.
Samb-Makharan vai direto ao ponto. Através de seu protagonista consegue unificar o passado e o presente de exploração sem cair numa dimensão nacional-chauvinista, já que tanto no passado não se deixa de omitir as cisões internas e a utilização de mão de obra escrava de determinadas tribos sobre outras quanto – e principalmente – no presente se tem um deslocamento da figura do opressor do colonizador para a própria elite burguesa do país. Cai-se, sem dúvida, no risco do esquematismo, representado de forma mais do que caricata no dono da indústria. Destaque para a longa seqüência em que uma dançarina de índole “progressista”, mesmo que fazendo parte da elite, consegue desafiar o establishment cantando e dançando em tributo das domésticas exploradas e maltratadas por suas patroas egoístas, onde a determinado momento, a dimensão do jom se instaura de forma mais lúdica e menos esquemática e pomposamente verborrágica como na maior parte dos outros trechos do filme. As interpretações triviais, repletas de gesticulação excessiva com as mãos, soam de uma empostação menos teatral que amadora e acabam se unindo a um estilo que, de modo orgânico, prima por uma simplicidade que não se escusa em apresentar a platéia que decide pelo final da greve constantemente desviando seu olhar para observar a câmera. Baobab Films/ZDF. 76 minutos.


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