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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Filme do Dia: Panelkapcsolat (1982), Béla Tarr


Panelkapcsolat Poster


Panelkapcsolat (Hungria, 1982). Direção e Rot. Original: Béla Tarr. Fotografia: Barna Mihóc & Ferenc Pap. Montagem: Agnes Hrinatzky. Figurinos: Tamás Breier. Com: Judit Pogány, Róbert Koltai, Kyri Ambrus, Gabus P. Koltai, Józsefné Sothó, András Udvarhelyi, Làszlo Varga, Istvanne Szabó.
A dificuldade na relação entre uma mulher, Feléseg (Pogány) e um homem, Férj (Koltai), ele técnico qualificado, ela dona de casa, para manter sua união. Enquanto Feléseg busca exaustivamente uma postura mais participativa do marido na criação dos filhos esse tem rompantes ocasionais de abandonar a família, seja para trabalhar em outro país e ascender profissional e socialmente, seja simplesmente por não aguentar tamanha pressão.
Esse primeiro filme de Tarr realizado com elenco profissional, ainda assim guarda fortemente uma perspectiva quase documental em que o realizador se deterá sobre o drama do casal. Com uma produção extremamente ascética e não fazendo uso de qualquer trilha sonora, Tarr não reproduz na forma, ou melhor, não espetaculariza o drama retratado. Ao contrário de um cinema de espetáculo, não há espaço para qualquer tipo de identificação fácil com os personagens. O que Tarr parece se aproximar, de modo emocionalmente distanciado, são de “flagrantes” de momentos diversos da situação entre o casal em que tem fundamental importância a dinâmica de um processo social, por mais banal que seja, como um evento social com amigos (dos quais não temos menor acesso de quem sejam ou sua relação precisa com o casal), vários momentos de tensão, um momento de lazer, a compra de uma máquina de lavar, etc. O momento, representado por sua ênfase em longos planos e numa aderência por inteiro ao que ocorre na sequência em questão, mas do que qualquer pretensão de explicitação  do antes ou depois, talvez seja a maior força do filme. É exatamente através dessa utilização, associada a momentos banais da vida cotidiana, e o uso do flashback ao início como modo de reiteração da relação claustrofóbica e neurótica em que se ambienta a família. O que talvez torne secundário se imaginar que a sequência que fecha o filme segue ou não uma lógica temporal convencional, podendo tratar-se na verdade, de uma ironia, fechando com um final relativamente “feliz”, dentro das possibilidades do casal - sobretudo da esposa – mas que diz respeito a um período passado na vida de ambos. O tom de realismo documental que o filme se insere parece antecipar uma dramaturgia como a do Dogma-95, ainda que aqui o realizador pareça se encontrar menos disposto a abrir maiores concessões que os diretores nórdicos, em que a dimensão da interpretação do elenco ainda parece bem mais empostada e convencional. Béla Balász Stúdió/Mafilm/MTV-FMS/Társulás Stúdió. 84 minutos. 

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