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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Filme do Dia: A Caminho de Kandahar (2001), Mohsen Makhmalbaf


A Caminho de Kandahar Poster


A Caminho de Kandahar (Safar e Ghandehar, Irã/França, 2001). Direção e Rot. Original: Mohsen Makhmalbaf. Fotografia: Ebrahin Gafori. Música: Mohammed Reza Darvishi. Montagem: Mohsen Makhmalbaf. Dir. de arte: Akbar Meshkini. Com: Niloufar Pazira, Hassan Tantai, Sadou Teymouri.
Após receber uma mensagem da irmã de que pretende suicidar-se no próximo eclipse lunar, por não mais aguentar as condições de opressão no Afeganistão, a jovem jornalista Nafas (Pazira) retorna do Canadá para reencontrar a irmã, que vive em Kandahar. Ao pegar uma carona de um helicóptero da Cruz Vermelha, atravessa a fronteira com um grupo, que é assaltado e decide retornar para o Irã. O jovem Khak (Teymouri), recém-expulso da escola por não recitar o corão adequadamente, serve de guia para Nafas. Adoecida com a água que bebeu, Nafas vai se consultar com o médico local, Tabib Sahid (Tantai), que recomenda que ela se desfaça do guia. Com Sahid ela vai até um posto médico, onde um grupo de afegãos mutilado espera por próteses que são jogadas por um helicóptero. Quando retorna com Sahid, encontram um homem que demonstra disposição de levá-la para Kandahar, por 250 dólares. São barrados como suspeitos no meio do caminho, quando acompanham um grupo que leva uma noiva para a cerimônia de casamento.
Essa obra que possui um forte tom documental (principalmente nas sequências iniciais, em que a protagonista narra com mais freqüência o que observa para um gravador, assim como no próprio estilo  câmera na mão), também não se esquiva em apresentar imagens de extrema poesia, algumas vezes beirando o surreal – como, por exemplo, nas imagens das próteses sendo jogadas do céu e descendo lentamente em para-quedas. Makhmalbaf apresenta ainda outras peculiaridades de um cotidiano sobre um regime teocrático: uma escola onde os garotos mesclam a leitura do corão com as virtudes dos armamentos que levam consigo; as consultas médicas que são realizadas através de um pequeno buraco de uma lona. Assim como alguns mecanismos para tentar burlar a onipresença do regime talibã, como a mulher que põe batom por baixo da burca ou o segundo guia de Nafas, que se traja de mulher. Mesmo em um cenário tão desolador – logo no início Khak retira um anel de um esqueleto que posteriormente fará questão de deixar com Nafas – Makhmalbaf não deixa de mesclar o drama com momentos cômicos, como na seqüência em que um homem se encontra descontente com a prótese que foi feita para sua esposa. O final, que trunca com as expectativas de sabermos se a empreitada de Nafas foi ou não bem sucedida, ao apresentar uma bela imagem de um pôr-do-sol sob o ponto de vista da burca da protagonista, pode ser compreendido tanto como uma recusa a seguir o modelo da narrativa tradicional, com seu final típico, seja feliz ou infeliz ou, menos provavelmente, como uma impossibilidade de finalização do filme como proposto, seja por motivos financeiros ou políticos. Uma de suas fraquezas é apresentar alguns monólogos da protagonista, geralmente versando sobre preocupações com a irmã, que soam pouco convincentes. Uma polêmica após o lançamento do filme: o ator que vive o personagem do médico negro americano Tabib Sahid foi acusado de ter assassinado um compatriota iraniano nos EUA em 1980. Prêmio Ecumênico no Festival de Cannes. Bac Films/Makhmalbaf Film House/Studio Canal. 85 minutos.

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