CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Filme do Dia: Tommy (1975), Ken Russell


Tommy Poster


Tommy (Reino Unido, 1975). Direção: Ken Russell. Rot. Adaptado: Ken Russell, baseado no álbum e argumento de Pete Townshend. Fotografia: Dick Bush, Robin Lehman & Ronnie Taylor. Montagem: Stuart Baird. Dir. de arte: John Clark. Figurinos: Shirley Russell. Com: Oliver Reed, Ann-Margret, Roger Daltrey, Elton John, Eric Clapton, Tina Turner, John Entwistle, Jack Nicholson, Keith Moon, Paul Nicholas, Barry Winch.
Criança (Winch)  se torna cega, surda e muda após um trauma emocional de testemunhar o assassinato de seu pai pelo padrasto (Reed). Quando jovem torna-se o rei do pinball, e objeto de adoração e louvor por uma multidão de jovens.
É a lógica do excesso que se torna pressuposto desse cansativo musical que além de abdicar de diálogos (assim como, por exemplo, a seu modo fizera Os Guarda-Chuvas do Amor, de Demy) também o faz propriamente de uma narrativa linear, ao contrário do filme de Demy. Antes parece se assistir a um encadeamento de videoclipes em que o maior elemento de ligação acaba sendo a própria histeria e o kitsch – talvez melhor representado pela tosca seqüência na qual Tommy, vivido sofrivelmente por Daltrey a maior parte do tempo, corre por entre imagens de fundo, numa colagem visual que consegue condensar muito do mau gosto do estilo visual de uma época. Ao final de contas como não poderia ser excessivo um filme dirigido por Russell, conhecido por uma trilogia de releitura “pop” dos “astros” da música erudita Tchaikovski, Mahler e Lizst (este realizado imediatamente após este filme) e a proposta de  adaptar uma “ópera-rock” de The Who? O resultado final apresenta saídas visuais que primam pela auto-condescendência e excessiva facilidade com que tudo é traduzido de forma praticamente literal. Para mais uma comparação desfavorável em relação ao filme de Demy, basta igualmente apontar a ironia fácil com que são ridicularizados os cacoetes dos filmes clássicos, em contraposição a arguta sutileza daquele. Soma-se, portanto, à tradição de pretensiosidade vazia que acompanha as investidas cinematográficas de outras bandas pop como Beatles (Magical Mystery Tour), Monkees (Os Monkees Estão Soltos) ou Led Zeppelin (as encenações que entremeiam os números no palco da banda em Rock é Rock Mesmo) e Pink Floyd (The Wall). Destaque para as presenças de Tina Turner como a Rainha do Ácido e Elton John, no talvez melhor momento do filme, encarnando o rei do pinball com Pinball WizardAinda na trilha Listening to You, I`m Free, Do You Think It´s All Right?, entre várias outras. RSO/Hemdale Film. 111 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário