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sexta-feira, 8 de julho de 2016

The Film Handbook#83: Jim Jarmusch



Jim Jarmusch
Nascimento: 22/01/1954, Akron, Ohio, EUA
Carreira (como diretor): 1979-

Raramente filmes experimentais ou underground foram além de pequenas plateias especializadas.Felizmente, o culto que rodeia a obra de Jim Jarmusch parece crescer em tamanho; ele possui engenhosidade e fervor do seu lado.

Sua estreia no longa-metragem se deu enquanto estudante de cinema, com Férias Permanentes/ Permanent Vacation uma narrativa parcamente estruturada de um adolescente alienado vagando melancolicamente pelos arredores de Nova York e memoravelmente principalmente por suas  estilizadas locações fotográficas. Porém foi com Estranhos no Paraiso/Stranger than Paradise>1 que o diretor conquistou seu primeiro reconhecimento público mais amplo.  Sobre dois amigos hilariantemente inertes - lacônicos, auto-obsessivos, viciados em sordidez - cujas vidas vistosamente apáticas são transformadas pela chegada inesperada de uma jovem húngara, prima de um dos dois. Filmado em resoluto branco&preto, consiste em sua integralidade de cenas breves e sem ação, cada uma delas filmada de um ângulo estático. Minimalista em seu estilo, através de seus diálogos deprimentes, mas notáveis, esbranquiçada paisagem fotográfica (que levam uma enevoada Cleveland e uma ensolarada praia da Flórida parecerem semelhantemente desoladas e poéticas) e seu humor suavemente absurdo. Originalmente um curta sobre a chegada de uma garota em Nova York mas acrescido de dois segmentos nos quais o trio viaja ao redor de uma América despovoada e onírica, o filme é uma análise original e  nada convencional dos conceitos de lar, pertencimento e estranheza.

Daunbailó/Down by Law>2 foi outra narrativa de parasitas de pose cujo complacente auto-respeito é transformada - mesmo que temporariamente pela chegada de um estranho: quando dois pequenos vigaristas de New Orleans, julgados e presos, descobrem a si próprios dividindo uma cela, sua animosidade mútua é dispersa por um italiano tagarela e idiota de inglês macarrônico e que lhes assegura confiança na vida o suficiente para fugirem para os pântanos da Louisianna. O comportamento ultra blasée novamente rende a realização dos princípios humanos básicos; novamente o filme, em lustroso preto&branco, compreende três atos, centrados em uma inércia intencional, forçado aprisionamento e liberdade de movimento; uma vez mais conversas banais são imbuídas de poesia e humor. Parte conto de fadas, parte humor noir, Daunbailó tanto celebra quanto tem sua comédia derivada das excentricidades de seus personagens. Se o humor em grande parte representa uma tendência a neutralizar em relação ao que havia de mais estiloso de seu filme anterior, Jarmusch, no entanto, permanece fiel a uma estética vagamente experimental, com montagem elíptica, uma história desprovida de ação climática e maneirismos taciturnos que continuadamente solapam o "realismo".

Jarmusch deveria evitar em por demasiada ênfase em cenas estáticas que descrevem pessoas estilosas e mortalmente entediadas. Ele surge, no entanto, como grande promessa enquanto criador peculiar de personagens críveis que são usualmente relegados às margens dos filmes mais comerciais e de refrescantes filmes híbridos que resistem a qualquer categorização. Seu senso visual é soberbo e seu controle atmosférico possante; deseja-se apenas que o sucesso não comprometa seu estilo altamente individual.

Cronologia
Jarmusch pode ser comparado com cineastas independentes de Nova York como Eric Mitchell, Amos Poe, Michael Oblowitz, Spike Lee e Lizzie Borden, enquanto Warhol, Cassavetes e Shirley Clarke se encontram entre seus antecessores artísticos. Ele estudou cinema com Nicholas Ray, e Estranhos no Paraíso foi completo com filme doado por Wenders. Ele tem falado de sua admiração por Godard, Antonioni, Bresson, Ozu e Dreyer

Destaques
1. Estranhos no Paraíso, EUA/Al. Ocidental, 1984 c/John Lurie, Richard Edson, Eszter Balint

2. Daunbailó, EUA, 1986 c/John Lurie, Tom Waits, Roberto Benigni

Fonte: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 141-2.

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