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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Filme do Dia: Quarto 666 (1982), Wim Wenders


Quarto 666 Poster


Quarto 666 (Chambre 666, França/Al. Ocidental, 1982). Direção e Concepção: Wim Wenders. Fotografia: Agnés Godard. Música: Jürgen Knieper. Montagem: Chantal de Vismes.
Festival de Cannes, 1982. Num quarto de hotel, muitos dos realizadores presentes ao evento foram convidados por Wenders a gravar um depoimento sobre o futuro do cinema. Talvez o filme, dado os próprios limites de seu formato,  funcione melhor como registro pontual, e em grande parte datado, de algumas preocupações de realizadores dentre os mais renomados do cinema mundial do que propriamente traga alguma conclusão ou visão geral mais abrangente sobre o que seja.  Os depoentes, sentados em uma cadeira, gravam seu áudio e voz para uma câmera fixa. Porém, até mesmo numa proposta tão limitada em termos de estilo se pode perceber a beleza e o apuro da imagem através tanto da fotografia quanto do enquadramento. Alguns cineastas tiram partido de um dos meios mais discutidos nos depoimentos, a televisão, como Godard (cujo depoimento, primeiro, prolonga-se por mais de um quarto do filme no tom habitualmente obscuro que também impregnou seus filmes do período e posteriores) que fala ao lado das imagens de uma partida de tênis. Outros, como Herzog, desligam a TV. Uns poucos se demonstram mais reticentes quanto a utilização das novas tecnologias que o vídeo começa a trazer para o cinema, como é o caso de Ana Carolina, mas a maior parte se apresenta favorável a novas experimentações, como é o caso mais evidente de Antonioni. Dentre um elenco de nomes mais associados com um perfil mais autoral, como Fassbinder, que surge aparentemente entediado em breve fala, há menos de um mês de sua morte, Chantal Akerman ou mesmo Monte Hellman, torna-se diferenciada a presença de um nome como Spielberg. Finaliza com a imagem do mesmo majestoso cedro que inicia, com o áudio do depoimento de Yilmaz Güney, que não pode ir até o quarto, por se encontrar ameaçado pelo governo turco e que acabaria ganhando a Palma de Ouro do ano por seu Yol. Conta ainda com depoimentos, dentre outros, de Susan Seidelman, Paul Morrisey, Robert Kramer, Noël Simsolo e Romain Goupil.  Antenne-2/Chris Sievernich Filmproduktion/Films A2/Gray City/Wim Wenders Prod. 45 minutos.

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