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terça-feira, 12 de julho de 2016

Filme do Dia: Das Wandernde Bild (1920), Fritz Lang


Das wandernde Bild Poster


Das Wandernde Bild (Alemanha, 1920). Direção: Fritz Lang. Rot. Original: Fritz Lang & Thea Von Harbou. Fotografia: Guido Seeber. Dir. de arte: Otto Hunte. Com: Mia May, Hans Marr, Rudolf Klein-Rogge, Loni Nest, Harry Frank.
Irmgard (May) possui uma relação com o filósofo radical George Vanderheit (Marr). O mesmo simula a própria morte para escapar obrigações sociais inevitáveis.  Irmgard foge do atual marido e se refugia nos Alpes com seu filho. Ela é perseguida pelo irmão do que acreditam falecido, John (Marr)
Se as poses fatalistas e a vitimização da heroína não parecem muito distantes do universo de Griffith na Biograph e o tema aventuresco e dado a coincidências intensamente melodramáticas, calcado igualmente no caráter pretensamente “exótico” de suas locações trazem, guardadas as devidas comparações, algo não muito distante do que Humberto Mauro tentará empreender no Brasil alguns anos após, não se pode negar a enorme fluência dessa produção, tida como perdida por longo tempo, até ser descoberta uma versão com cartelas em português remanescente na Cinemateca Brasileira. Curiosamente o flashback que adentra a narrativa, quando quase um terço do filme já se apresenta, não é motivado por nenhum personagem, tal como seria habitual no cinema clássico, deixando patente o desejo de se especificar os laços que unem a protagonista a seu “salvador” de muito antes do momento em que essa se inicia. Noutro momento, ele surge motivado por uma lembrança da heroína, referente ao fato dela acreditar que seu amado se encontra de fato morto. Destaque para o preciosismo da versão brasileira que já faz uso do recurso, posteriormente bastante comum, de traduzir no plano da imagem, inclusive páginas de jornal – e com relativo cuidado – do original. Também aqui já se prenuncia o gosto por lendas com laivos de fantasia extremada, embora de forma bem mais secundária que em produções posteriores como Os Nibelungos, como é o caso da recorrente mitologia a respeito dos sinos a anunciarem a morte num efeito  de antecipação mórbida do destino similar – e evidentemente mais dilatado – que as sombras nos filmes expressionistas. É impressionante a quantidade de tempo dispendida no que poderia ser percebida como uma ação climática final bem antes do tempo, o fato do casal se “reencontrar” numa situação iminente de risco de morte, que consegue ser explorada dramaticamente a contento com o recurso aos flashbacks, com tudo inclusive parecendo ser resolvido, vilão morto, etc. A aproximação de Irmgard com a figura da Virgem Maria não se dá apenas no plano de suas ações caritativas, mas igualmente na sua ilustração com agasalhos e uma criança a ninar, bastante próxima da imagem da Virgem observada em diversos momentos do filme, chegando a ser confundida como tal por seu amado. Klein-Rogge é um dos atores mais relevantes da cinematografia de Weimar e do próprio Lang (Mabuse, Metropolis)  Se a ação rocambolesca e os dois irmãos interpretados pelo mesmo ator já não ajudam exatamente na compreensão dos eventos da trama, a ausência de 22 minutos de sua metragem original é um dado crucial no seu caráter lacunar. May-Film para UFA. 45 minutos.


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