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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Filme do Dia: O Homem Forte (1926), Frank Capra

O Homem Forte (The Strong Man, EUA, 1926). Direção: Frank Capra. Rot. Original: Hal Conklin, Robert Eddy & Arthur Ripley. Fotografia: Glenn Kershner & Elgin Lessley. Montagem: Harold Toung & Arthur Ripley. Com: Harry Langdon, Priscilla Bonner, Gertrude Astor, William V. Mong, Robert McKim, Arthur Thalasso, Brooks Benedict.
Paul Bergot (Langdon), soldado belga nas trincheiras da I Guerra Mundial, recebe uma foto de uma garota, Mary Brown (Bonner), que ele nunca viu. Com o término da guerra ele parte para os Estados Unidos. Lá tenta trabalhar no teatro de variedades com Zandow (Thalasso), outro emigrado. Bergot, no entanto, quase se torna vítima da astúcia da ladra, Lily (Astor), que se faz passar por Brown. Ao partir para o interior, para lá se apresentar com Zandow, Bergot conhece a verdadeira Mary Brown, que é cega, e se apaixona por ela. Um movimento religioso liderado pelo pastor Joe (Mong) pretende banir o teatro de variedades e com as confusões armadas por Bergot o teatro literalmente rui, para o prazer de parte da população local. Bergot então se transforma num guarda e consegue se aproximar de vez de Mary Brown.
Esse filme representa um momento de ascensão na carreira de Langdon, que por um breve momento chegou a se equiparar com alguns dos grandes nomes do humor silencioso. O auge de sua carreira se dá nessa parceria que empreendeu com Frank Capra, iniciada aqui no primeiro longa do realizador. Langdon faz um tipo de homem–criança cuja máscara facial se aproxima mais da impassibilidade de um Buster Keaton do que da marotice de um Chaplin. Ao contrário dos outros, vivenciando seu momento de estrelato já com idade relativamente avançada (mais de 40 anos), torna-se compreensível que não se apele tanto para os malabarismos físicos de Chaplin e Keaton, embora tampouco esses se encontrem ausentes – geralmente menos provocados que sofridos pela ação de terceiros e com uso de trucagens. Algumas tiradas visuais são verdadeiramente inspiradas, como a da seqüência dos bancos da igreja tombando em efeito-dominó, outras abertamente hilárias, como a da apresentação de magia improvisada na qual o herói tira pombos até de seu próprio traseiro. A narrativa burla os protocolos do modelo clássico em sua evidente segmentação em três momentos, o da guerra, da confusão com a ladra e no interior. Na verdade, o único fiapo de elemento comum que une esses três momentos é a adoração de Bergot por Mary Brown. Essa, aliás, à título de comparação com outra protagonista cega de um filme de Chaplin, Luzes da Cidade (1931), é descrita de modo longe do sentimental. Nesse sentido, todo o segundo bloco do filme, sobretudo a longa seqüência no carro com a ladra são desvios do tema central e que apenas servem como motivo para eventuais gags, não havendo qualquer desdobramento futuro e a personagem de Lily simplesmente desaparecendo da história após ter recuperado o valor de seu furto. Se o filme não apresenta nenhuma preocupação em desmascarar a ladra e fazê-la pagar por seu crime, até mesmo por se tratar de uma trama secundária e não a principal como chega a sugerir em determinado momento, possui uma dimensão moral eminentemente mais convencional que a de Chaplin, cujo Carlitos sempre carrega uma  subliminar mensagem moral anti-establishment. Aqui, muito pelo contrário, o herói através de artimanhas típicas do próprio vaudeville (de onde, aliás, foram provenientes todos os grandes comediantes do período, incluindo Langdom) destrói esse espaço de diversão associado ao sexo e a jogatina, o que demonstra uma ética muito mais afinada com o moralismo pós-griffithneano no cinema.  presente em outros filmes da época tais como Show People (1928), de King Vidor. Assim, não deixa de ser irônico que algumas das referências mais diretas ao personagem de Chaplin se deem justamente com um Langdon travestido de policial, geralmente uma figura a ser ludibriada ou evitada por Carlitos.  National Film Registry em 2007. Harry Langdon Corp. para First National Pictures. 75 minutos.

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