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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Filme do Dia: Azul é a Cor Mais Quente (2013), Abdellatif Kechiche

Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle, França/Bélgica/Espanha, 2013). Direção: Abdellatif Kechiche. Rot. Adaptado: Abdellatiff Kechiche & Ghalia Lacroix, a partir da história em quadrinhos Le Bleu est une Coleur Chaude, de Julie March. Fotografia: Sofian El Fani. Montagem: Sophie Brunet, Ghalia Lacroix, Albertine Lastera, Jean-Marie Langelle & Camille Toubkis. Cenografia: Coline Débée & Julia Lemaire. Com: Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux, Salim Kechiouche, Aurélien Recoing, Catherine Salée, Benjamin Siksou, Mona Walravens, Alma Jodorowski.
Adèle (Exarchopoulos) leva uma vida algo insossa de colegial, tentando engatar, sem muita convicção, uma relação com um dos jovens mais desejados do colégio.  Tudo se transforma, no entanto, a partir do momento que cruza na rua com uma garota de cabelos pintados de azul. Rompendo com o jovem,  Adèle se aventura pela noite gay, com um amigo da escola e reencontra a garota, a estudante de arte Emma (Seydoux). Uma paixão nasce entre as duas, que algum tempo depois passam a morar juntas. Mais insegura, tímida e jovem que sua companheira, Adèle ocasionalmente se envolve com um colega da escola na qual trabalha. Quando Emma toma consciência do ocorrido, rompe com Adèle.
Poder-se-ia afirmar que a sinopse soa pálida diante do magnífico trabalho de interpretação do elenco, em parte semi-improvisado para ganhar em espontaneidade. Porém, infelizmente, não é o que se configura de todo. O tom inócuo e  a trivialidade melodramática da história respinga muito além do que deveria, contaminando o filme de certa insipidez, que nem as tórridas cenas de sexo simulado entre a dupla de atrizes nem tampouco seu estilo moderninho e emocionalmente distanciado conseguem mascarar. No caso do sexo simulado se chega menos próximo do sucess d’escandale pretendido que do constrangimento. Há um gosto de déja vù, uma metragem demasiado excessiva e um final pouco empolgante em sua opção a pesarem contra  o excessivo zelo concedido pela crítica. Com mais de 800 horas filmadas, a narrativa soa um tanto disruptiva, com o repentino sumiço do universo dos colegas de escola de Adèle, assim como de sua família. Não há propriamente uma noção de conflito, portanto, em jogo. Poder-se-ia pensar, de maneira algo cínica, no filme como uma contraparte lésbica a O Segredo de Brokeback Moutain, mas por mais que aquele fosse mais convencional em termos de estilo e narrativa, também criava um potencial pathos que aqui fica restrito a momentos bastante isolados de uma panorâmica algo incipiente sobre a vida de Adèle ao qual o título original faz menção. Espanta igualmente a ausência de uma vinculação política, ainda que implícita, na trama, quando se sabe que o realizador efetivou esse comentário em um filme bem menos pretensioso e de resultado final deveras mais efetivo que foi A Esquiva (2003). Destaque para a magnífica fotografia. Palma de Ouro em Cannes. Quat’Sous Films/Wild Bunch/France 2 Cinéma/Scope Pictures/Vértigo Films/RTBF para Wild Bunch. 179 minutos.

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