CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Filme do Dia: A Star Athlete (1937), Hiroshi Shimizu

A Star Athlete (Hanagata Senshu, Japão, 1937). Direção: Hiroshi Shimizu. Rot. Original: Masao Arata & Tobei Kujiwara. Fotografia: Suketaro Inokai. Com: Shuji Sano, Shinichi Himori, Toshiaki Konoe, Chishu Ryu, Kenji Oyama, Yoshiko Tsoubouchi, Bakudankozo, Fujiyo Nagafune.
Num colégio preparatório para o exército, Seki (Sano) é considerado o mais invejado atleta, ainda que sua falta de disciplina incomode o companheiro Tani (Ryu). Um grupo grande parte em marcha por dois dias pelo campo. Na estalagem, onde uma das crianças adoeceu por conta de uma fruta que Seki lhe ofereceu, este sofre publicamente uma censura moral por parte do chefe do grupo (Oyama) e de uma humilhação física imposta por Tani. Ele as aceita sem orgulho ou mágoa.
Shimizu, considerado um cineasta mais tipicamente japonês que propriamente universal, está longe de possuir o mesmo estilo marcante de seus contemporâneos Ozu ou Mizoguchi. É curioso enquanto este filme, de evidente conotação de propaganda, acaba se diferenciando dos seus similares ocidentais produzidos na Europa e nos Estados Unidos. Mesmo que a explícita moral contida na cena em que Seki toma consciência de que os valores do grupo são muito mais importantes do que os individuais, aponte para algo mais convencional, o fato do filme se inspirar em um modelo que se contrapõe justamente ao perfil mais limitado e menos nuançado de Tani (vivido por Ryu, ator-fetiche de Ozu) arrefece o grau de monumentalização do protagonista enquanto herói exemplar. Conhecido por ser preguiçoso e viver dormindo, Seki ganha no desafio que lhe é feito por Tani. O prosellitismo também sai arranhado pelo modo descosturado com que a narrativa, longe de dramática, impõe-se e por amadoras interpretações que tendem a soar, ainda que involuntariamente, anti-naturalistas. E, pelo mesmo motivo, tampouco o pretenso senso de humor consegue ser plenamente efetivo. No plano visual, o destaque certamente é para a longa seqüência que descreve a ida ao campo, elaborada quase que por completo com travellings que representam a interação dos jovens estudantes com os grupos de pessoas que encontram pela estrada. Shochiku Eiga. 64 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário