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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Filme do Dia: O Menino da Floresta (2012), Jean-Christophe Dessaint

O Menino da Floresta (Le Jour des Corneilles, França/Bélgica/Canadá, 2012). Direção: Jean-Christophe Dessaint. Rot. Adaptado: Amandine Taffin. Música: Simon Leclerc.
          França, segunda década do século XX. Clourge torna-se um velho ermitão desde a morte da companheira no parto que nasce seu filho. Ele havia fugido para a floresta para evitar a ira da comunidade por ter se unido com a jovem que morre. Criando o filho sozinho, torna-se um selvagem. Quando a criança se encontra maior, fica curiosa para ultrapassar os limites da floresta.  Após uma primeira tentativa frustrada, ela o faz de fato quando o pai se encontra bastante doente, com a perna quebrada. A comunidade reage negativamente pelo retorno do ermitão. Pai e filho, no entanto, são acolhidos pelo médico local e a criança se torna próxima da filha do médico, Manon. Com a recuperação de Clourge, esse retorna para a floresta. Seu filho, no entanto, encontra-se dividido entre o amor pelo pai e a forma como foi tratado na cidade, assim como o carinho de Manon. A morte do pai selará de fato sua decisão.
           Com estilo de animação belo e hiper-realista se segue esse sensível conto que mescla mitologia e mundo histórico, privilegiando a dimensão fabular da mesma, ainda que, paradoxalmente, terminando por uma solução na qual é o arrefecimento dessa que sinaliza o final (não por acaso o final da própria narrativa). Mesmo não fazendo o uso dominante da antropormofização que se tornou recorrente no universo da animação, essa se encontra presente no universo fantástico no qual a mãe do garoto se torna um cervo após morta, ao qual o pai irá fazer companhia finalmente após morrer. Evitando o trajeto habitual da dessexualização da infância, o filme apela aos sentidos tanto visualmente quanto através do carisma de seu pequeno protagonista. Talvez seja justamente ao apontar mundos paralelos que se desenrolam simultaneamente, algo quase sempre esquecido no universo fantástico e apresentar o último sem ser excessivo que o filme supere a banalidade reinante em empreitadas semelhantes. E instilar em ambos os mundos compreensões, ainda que diferenciadas, de afetividade e vinculação com os mesmos, por mais que a última se encontre grandemente condenada, como já observado, a não persistir senão sob a forma de conto. Finalement/Max Films Prod./Walking The Dog/Gébéka Films/Région Rhône-Alpes/uFilm para Gébéka Films. 96 minutos.


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