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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Filme do Dia: O Lobo Atrás da Porta (2013), Fernando Coimbra


O Lobo Atrás da Porta (Brasil, 2013). Direção e Rot. Original: Fernando Coimbra. Fotografia: Lula Carvalho. Música: Ricardo Cutz. Montagem: Karen Akerman. Dir. de arte: Tiago Marques. Figurino: Valeria Stefani. Com: Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabíula Nascimento, Tamara Taxman, Juliano Cazarré, Paulo Tiefenthaler, Thalita Carauta, Isabelle Ribas, Thalita Carauta, Emiliano Queiroz.
         Com o desaparecimento súbito da filha, Sylvia (Nascimento), vai em busca de ajuda policial. O investigador (Cazarré) ouve o pai da criança, Bernardo (Cortaz), que de imediato pensa que foi ação de sua amante, Rosa (Leal), com quem manteve até recentemente uma relação extra-conjugal. A partir do relato de Rosa, aos poucos o quebra-cabeças vai fazendo sentido.
         Com roteiro relativamente virtuoso e uma narrativa que é traçada a partir de flashbacks – sem se esquivar do chamado “corredor do logro”, ou seja, apresentando informações “falsas” em alguns desses – o filme pode ser enquadrado dentro de um filão que se aproxima do cinema de gênero, com melhor resultado final que outras produções contemporâneas de semelhante objetivo (a exemplo de Quando Eu Era Vivo). O trabalho de câmera, que episodicamente chama atenção para si, como na cena em que se observa do alto Rosa jogando seu celular de um mirante, não chega a transformar tal estratégia em vício (como é o caso de realizadores como Paolo Sorrentino em filmes como A Grande Beleza). Noutros momentos se opta  por composições interessantes, como a janela que enquadra a tensão amorosa entre Rosa e Bernardo.  Já no plano da direção de atores, ou talvez melhor seja se referir a elaboração dos personagens,  o filme vai da medida certa de drama para o personagem de Rosa (numa segura interpretação de Leal) até o exagero caricaturalmente histriônico da personagem que encarna a garota que Rosa inclui em seu plano passando pelo personagem que tende ao over de Cortaz. Não menos caricata é a representação da situação de quase catatonia literal vivida no ambiente doméstico por Rosa e seus pais. O fato da narrativa manter eficaz o interesse pela trama e a originalidade com que é tratada uma história típica de um fait divers não provocam necessariamente um correspondente adensamento do drama retratado, que segue a bússola da espetacularização mais que a de pretensões autorais em ambientes socialmente semelhantes como Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral. O filme, no entanto, possivelmente consegue se aproximar mais de sua pretensão que o de Amaral. A imagem comprimida do comboio do trem suburbano é um motivo recorrente que parece sinalizar para o universo asfixiante de seus personagens, motivo que leva a uma fuga do mesmo através do sexo por parte de Rosa e Bernardo, porém demasiado estéril e limitado para ser emancipador, antes sendo seu reverso – ainda que a ausência de culpa de Rosa ao final,  assim como a acertada recusa de apresentar a situação do casal após a tragédia o desviem da possibilidade de leitura exclusiva de chave moral.  Gullane Filmes/TC Filmes/Cabra Filmes/Pela Madrugada para Imagem Filmes. 101 minutos.

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