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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Filme do Dia: Quando Desceram as Trevas (1944), Fritz Lang

Quando Desceram as Trevas (Ministry of Fear, EUA, 1944). Direção: Fritz Lang. Rot. Adaptado: Seton I. Miller, baseado no romance de Grahan Greene. Fotografia: Henry Sharp. Música: Victor Young. Montagem: Archie Marshek. Dir. de arte: Hans Dreier & Hal Pereira. Cenografia: Bertram C. Granger. Com: Ray Milland, Marjorie Reynolds, Carl Esmond, Hillary Brooke, Percy Waram, Dan Duryea, Alan Napier, Erskine Sanford.
Após internado dois anos num sanatório por ter favorecido a morte da esposa enferma, Stephen Neale (Milland) parte para Londres. Porém, antes de embarcar no trem ele passa por uma quermesse onde por engano leva o bolo que continha um segredo de uma orgnização secreta nazista. Stephen se encontra em meio a uma situação na qual não sabe exatamente quem é quem, incluindo a bela jovem, Carla Hilfe (Reynolds), por quem se apaixona, e um dos homens que acreditava fazer parte da gangue, mas que na verdade se trata do Inspetor Prentice (Waram), que torna-se seu aliado, após ele finalmente conseguir encontrar o bolo, que prova a veracidade de sua narrativa que soa demasiado fantástica aos ouvidos de Prentice.
Não é necessário muito esforço para descobrir o que do romance de Greene (no auge das adaptações de seus romances para o cinema) atraiu Lang: a efetiva impossibilidade de se saber ao certo a identidade “moral” dos personagens, seus verdadeiros caráteres. Não que isso seja algo desconhecido do gênero filme de ação noir, muito pelo contrário, mas por ser uma obsessão que o realizador carrega consigo desde os populares seriados mudos que dirigiu na Alemanha como As Aranhas (1919-20), ou a mais célebre série Mabuse. O espectador é obrigado a se tornar um duplo do protagonista, sentindo que a qualquer momento pode escorregar pois tudo que existe de sólido pode subitamente se esfumaçar diante de seus olhos. É um mundo de tal intensidade persecutória, que muito espanta a relativa falta de desconfiança que o Neale de Milland nutre de sua amada. O desfecho, perfeitamente desnecessário e protocolar, com sua “piadinha” de ocasião, bem poderia ter sido eliminado, em prol do impactante e soturno plano do Prentice de Waram, a melhor interpretação do elenco diga-se de passagem, subindo a escadaria do edifício após ter eliminado o último dos malfeitores. Produção aparentemente modesta, que nem mesmo busca apresentar cenas em locações londrinas como era então habitual ou fazendo uso de back shots, que não deixam de se encontrar presentes aqui, mas por motivos outros. Paramount Pictures. 86 minutos.

2 comentários:

  1. Concordo com sua anotação sobre o desfecho. Foi extremamente contrastante com tudo o que passara anteriormente. Fiquei desconcertado. Pena, pois o suspense que o precedera foi muito bem realizado.

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  2. Como afirma Bordwell, um teórico que se deteve sobre o cinema clássico americano, os finais de filme hollywoodianos do período são muito mais convenções formais narrativas que propriamente algo que dialoga de forma mais coerente e orgânica com o restante das obras.

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