O Dicionário Biográfico de Cinema#349: Travis Banton
Travis Banton (1894-1958), n. Waco, Texas
Travis Banton nunca ganhou, ou foi indicado, a um Oscar, e isto porque a categoria de figurino não foi criada pela Academia antes de 1948, quando o prêmio foi para Roger Furse por Hamlet. Naturalmente, no mesmo ano, Banton (quase certamente alcóolatra por então) ganhou um de seus últimos créditos, pelas roupas em Letter from an Unknown Woman [Carta de uma Desconhecida] (Max Ophüls). Muita pouca coisa dá certo perfeitamente. Mas tente encontrar um personagem vestido por Banton que não está "correto".
Banton foi homem de um pequeno bando de homens e mulheres que perceberam que roupas poderiam fotografar ao menos tão bem quanto a pele. E era o limiar do paraíso quando os dois se misturavam. Fez uns poucos filmes silenciosos, mas é crucialmente a vinda do som que marca a chegada da alta costura. Poderíamos deduzir disso que as roupas faziam barulho; pode-se ouvir um grande vestido quando uma garota passa. Além disso, a roupa - ou a combinação dos elementos - está a caminho dos clássicos planos de dois personagens do cinema americano: pense em Herbert Marshall de smoking preto e Kay Francis, de vestido negro, lado a lado, em Trouble in Paradise [Ladrão de Alcova] (32, Ernst Lubitsch). Claro, há um impulso maior, mais culminante, por trás de tudo isso. Veja, enquanto a América encontra a pobreza em grande estilo (eles chamaram-na Depressão), Banton e outros aconselharam uma roupa melhor para tremer os olhos empobrecidos dela.
Ninguém dirigiu tal política, mas em retrospecto a decisão de Hollywood de ter o sonho permanecendo rico e estilizadamente vestido é vital. Vai com aposentos maiores que a vida e o culto de pessoas adoráveis. E atinge seu apogeu, suponho - o auge do êxtase descuidado - no visual Déco, as roupas suaves e a irrealidade alegre dos musicais de Astaire & Rogers. Mas a grande era da Paramount, convencida de que um orçamento generoso o suficiente para manter Waco, Texas, por seis meses, ficou próxima do segundo lugar. Pense no vestido incrível de Carole Lombard no lixão em My Man Godfrey [Irene, a Teimosa] (36, Gregory La Cava) - e aquele vestido é de Travis Banton.
Estudou em Columbia e na Art Students League e foi um estudante do celebrado costureiro Robert Kalloch e trabalhou para a casa de Madame Frances. Foi lá, em 1919, que desenhou um vestido de casamento para Mary Pickford, quando se casou com Douglas Fairbanks. Em 1924 foi contratado pela Paramount para The Dressmaker from Paris (Paul Bern). Permaneceu e descobriu que amava. Até que iniciasse a beber pesadamente, foi um trabalhador bastante ágil, não demasiado interessado em pôr suas mãos no talento feminino. Ele também barganhou com o estúdio um orçamento que o levou a Paris a cada ano para uma nova temporada - e então iniciou os fertéis vínculos entre o cinema e as roupas comuns (!), que as pessoas podiam comprar.
Pode ser dito que teve sorte de se encontrar na Paramount à época de Lubitsch, Sternberg e Mitchell Leisen (ele próprio um estilista). Mas o estúdio teve sorte de tê-lo e confiou sua fé nas roupas. O ícone de todo vestido fino com mulher muito magra dentro dele ainda vivendo, e conforme ela se mova, o vestido sussura - é o auge do erotismo moderno. Banton podia ser tão extravagante quanto Sternberg quisesse, mas a verdadeira elegância dele é o estilo da Park Avenue - se ao menos a Park Avenue lembrasse disso.
Até 1938, ele comandou os figurinos na Paramount - contratando Edith Head como sua principal assistente. Mas foi Banton com filmes (e muitos mais): The Wild Party [Garotas na Farra] (29, Dorothy Arzner) - na verdade, Clara Bow foi sua modelo mais desobediente, muitas vezes pensando em "melhorar" seu trabalho com cintos, fivelas, laços e enfeites; The Canary Murder Case [O Drama de uma Noite] (29, Malcolm St. Clair e Frank Tuttle); Morocco [Marrocos] (30, Josef von Sternberg); Dr. Jekyll and Mr. Hide [O Médico e o Monstro]; Shangai Express [O Expresso de Xangai] (32, Sternberg) - suponha que ela tivesse um véu?; Blonde Venus [Vênus Loira] (32, Sternberg); Love Me Tonight [Ama-me Esta Noite] (32, Mamoulian); One Hour with You [Uma Hora Contigo] (32, Lubitsch e George Cukor; A Farewell to Arms [Adeus às Armas] (32, Frank Borzage); Design for Living [Sócios no Amor] (33, Lubitsch); Belle of the Nineties [Uma Dama do Outro Mundo] (34, Leo McCarey); The Scarlet Empress [A Imperatriz Vermelha] (34, Sternberg); The Devil Is a Woman [Mulher Satânica] (35, Sternberg); Hands Across the Table [Corações Unidos] (35, Mitchell Leisen); Desire [Desejo] (36, Borzage); Easy Living [Garota de Sorte] (37, Leisen); Angel [Anjo] (37, Lubitsch); Intermezzo [Intermezzo: Uma História de Amor] (39, Gregory Ratoff); Made for Each Other [Nascidos para Casar] (39, John Cromwell).
Naturalmente, Banton concentrou-se sobre as mulheres, mas não negligenciou os homens - pensemos nas vestimentas excêntricas de Gary Cooper em The General Died at Dawn [O General Morreu ao Amanhecer] (36, Lewis Milestone) e os uniformes em The Lives in Bengal Lancer [Lanceiros da Índia] (35, Henry Hathaway).
Mas Banton foi afastado da Paramount em 1938 e foi para Fox - simplesmente não era a mesma coisa: The Return of Frank James [A Volta de Frank James] (40, Fritz Lang) oferece muito menos oportunidade. Mas fez Blood and Sand [Sangue e Areia] (41, Mamoulian); Man Hunt [O Homem que Quis Matar Hitler] (41, Lang) e Scarlet Street [Almas Perversas] (45, Lang), que é muito mais interessante. Depois disso foi para a Universal e ganhou créditos em A Double Life [Fatalidade] (47, Cukor) e The Paradine Case [Agonia de Amor] (48, Alfred Hitchcock). Mas Miss Head era agora a decana de sua arte e ofício, ganhando Oscars e proporcionando um visual mais classe média a Audrey Hepburn e Grace Kelly. Se Travis Banton houvesse feito Rear Window [Cortina Rasgada] (54, Hitchcock), Kelly envergaria um vestido de coquetel ou de noite em todas as cenas.
Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 160-2.

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