Filme do Dia: The Ghost of Kasane (1957), Nobuo Nakagawa
The Ghost of Kasane (Kaidan
Kasane-ga-Fuchi, Japão, 1957). Direção Nobuo Nakagawa. Rot. Adaptado Kōhan Kauichi, a partir da peça de de Enchō San’yūtei.
Fotografia Yoshimi Hirano. Música Chumei Watanabe. Montagem Toshio Gotō. Dir.
de arte Akira Ogumi. Com Katsuko Wakasugi, Takashi Wada, Noriko Kitazawa,
Tetsurō Tanba, Kikuko Hanaoka, Sumiko Abe, Akira Nakamura, Unpei Yokoyama,Shuji
Kawabe.
Pressionado
pelo massagista cego Soetsu a quem devia dinheiro, samurai (Nakamura)
assassina-o com requintes de crueldade e em várias etapas. Quando seu serviçal
e esposa se deparam com o cadáver na sala, o Samurai afirma que o corpo deve
ser jogado em um local de difícil localização. O serviçal afirma que é o
pântano de Kasane. Quando Fusae, sua esposa,
massageia o samurai, ela faz
menção ao assassinato cometido por ele, ele a toma por Soetsu e a mata,
afogando-se nas águas do pântano. Vinte anos se passam. Shinkichi (Wada),
empregado da casa, e filho do massagista,
é interpelado pela srta. Orui (Wakasugi), filha do samurai, mais velha
que ele e se dizendo apaixonada por Shinkichi. Porém ele a trai com Ohisa
(Kitazawa), por quem se encontra apaixonado desde o início, e é prometida ao
inescrupuloso filho de mercadores locais, Seitarō conta de não suportar mais
ver o rosto de Orui, desfigurado em um acidente. Quando ela sabe de tudo entra
em confronto com a dupla e acaba acidentalmente morrendo. Enquanto as pessoas
dão a notícia de sua morte, Shinkichi afirma que a viram a poucos minutos.
Shinkichi ao fugir com Ohisa, tem visões dela como sendo Orui e a mata, sendo
seu crime testemunhado por Seitarō que o
mata, mas logo após também morrerá em meio às visões.
O modesto
orçamento proporciona, ainda assim, um universo cenográfico evocativo do
período retratado – o último quarto do século XVIII – mesmo não sendo o seu
mais qualificado cenógrafo, que assinou outras produções (como O Fantasma de Yotsuya). Embora vendidos e rotulados como filmes de horror, caberia mais
na rubrica do melodrama, pois se existe o elemento sobrenatural, este é menos
extrínseco que uma explicitação dos fantasmas interiores das personagens,
culminando em uma eliminação de todos os envolvidos digna de uma tragédia
shakespeariana. Há algumas implicações de inverossimilhança no roteiro, como os
filhos dos dois envolvidos na tragédia anterior reproduziram-na uma geração
após – apresentando a forte inserção de motivos budistas na filmografia do
realizador – sem saberem a ascendência um do outro; embora mudanças de
localização e um apelo a motivos que remontam à dramaturgia grega amenizem o
arranjo. O massagista cego deve ter sido um motivo recorrente da sociedade
japonesa, vinculado a maior habilidade táctil compensando a falta de um sentido
tão seminal quanto a visão, incorporado em sua dramaturgia, como percebemos na
dupla presente em The Masseurs and a Woman (1938), de Hiroshi Shimizu.
Sua morte, curiosamente ocorrida logo ao início da narrativa, talvez
paradoxalmente indutora de maior páthos, por conta de quão arrastada e
resultante de diversos golpes em momentos variados por seu algoz, mas também por ser a única desvinculada em si própria,
de motivos sobrenaturais e fomentadora destes após já ocorrida; nos outros
casos, parece se seguir um protocolo quase mecânico a se repetir que diz
respeito a alucinação gerada por uma comoção associada à culpa a gerar novas
mortes, inclusive a dos perpetradores do crime. Este tema tradicional japonês
gerou ao menos outros 5 títulos para o cinema, o primeiro deles por Mizoguchi
nos últimos anos do mudo e uma lançada no mesmo ano desta, assinada por Ryosuke
Kurahashi. Nakagawa dirigiu outros 4 filmes no mesmo ano, e meia-dúzia no
seguinte, o que pode ser observado como testemunho da pujança da indústria
cinematográfica japonesa à época. |Daiei Tokyo Daini para Shintoho Film Dist.
Committee. 66 minutos.![]()

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