Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#166: Margot Benacerraf
BENACERRAF, MARGOT. (Venezuela, 1926)*. Mais conhecida por seu documentário poético e inovador Araya (1959), Margot Benacerraf também tem sido uma importante administradora e promotora dos cinemas venezuelano e latino-americano em geral. Nascida na Venezuela de pais sefárdicos norte-africanos, estudou filosofia e arquitetura na Universidade Central, e em 1948 escreveu uma peça que vençou um prêmio que a habilitou a estudar a escrita teatral em Nova York. Após atuar em um filme estudantil, e agora enamorada pelo cinema, partiu para a França, para estudar cinema em 1950. Graduou-se no prestigiado Institut des Hautes Études Cinématographiques (IDHEC), em Paris, em 1954; enquanto na cidade trabalhou na Cinemateca, sob os auspícios de Henri Langlois, uma experiência que influenciaria posteriomente sua carreira. Ao terminar seus estudos em novembro de 1951, retornou a sua casa na Venezuela e completou seu primeiro filme, um curta documental, Reverón (1952) sobre o famoso pintor visionário venezuelano, que foi bem recebida no Festival de Berlim de 1953. Começou a trabalhar em Araya em 1957, filmando os habitantes de um pequeno vilarejo da costa caribenha, muitos dos quais são apresentados trabalhando incessantemente na coleta de sal. Simultaneamente celebratório e ironicamente crítico deste trabalho, o filme é sempre belo, e recebeu dois prêmios importantes no Festival de Cannes, em 1959.
Infelizmente, Benacerref não realizaria outro filme, mas se tornaria ativa promotora da cultura cinematográfica venezuelana. Em 1965, tornou-se a primeira diretora de atividades culturais para o Instituto Nacional de Cultura y Bellas Artes (INCIBA) e em 1966 fundou a Cinemateca Nacional, comandando-a por três anos. Em 1969 inaugurou uma escola e um centro de atividades de cinema, em Caracas. Em 1987, o Ateneo, um proeminente cinema de arte de Caracas, recebeu o nome dela, e ela foi homenageada com o Prêmio Nacional de Cinema da Venezuela (1995), assim como em outros países, incluindo Itália (Ordem do Governo da Itália) e Chile (Comenda Bernardo O'Higgins). Por alguns anos esteve a frente da filial venezuelana da Fundavisual Latina (Fundação do Novo Cinema Latino-Americano), que havia sido liderada por Gabriel García Márquez. Através de seus esforços, esta organização montou o primeiro festival bienal de curta metragem e video da América Latina em Caracas, 1992. Ainda ativa no meio, divide seu tempo entre Caracas e Paris. Ver também MULHERES.
Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Cinema. Plymouth: Rowman & Littlefield, pp. 76-77.
N. do E: (*) falecida em 2024.

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