Filme do Dia: Rio Violento (1960), Elia Kazan

 




Rio Violento (Wild River, EUA, 1960). Direção: Elia Kazan. Rot. Adaptado: Paul Osborn, baseado nos romances Dunbar´s Cove, de Borden Deal e Mud on the Stars, de William Bradford Huie. Fotografia: Ellsworth Fredericks.  Música: Kenyon Hopkins. Montagem: William Reynolds. Dir. de arte: Herman A. Blumenthal & Lyle R. Wheeler. Cenografia: Joseph Kish & Walter M. Scott. Figurinos: Anna Hill Johnstone. Com: Montgomery Clift, Lee Remick, Jo Van Fleet, Albert Salmi, Frank Overton, Albert Salmi, Jay C. Flippen, James Westerfield, Barbara Loden, Malcolm Atterbury.

Em pleno New Deal  de Roosevelt,  Chuck Glover (Clift) é o terceiro representante de uma entidade governamental que é enviado ao Tennessee para tentar demover uma velha senhora, Ella Garth (Fleet), que não pretende abandonar seu velho sítio em uma ilha, que será inundada, com a construção de uma represa. Encontrando uma resistência inicial de todos, aos poucos Chuck ganha confiança da neta de Ella, a sofrida jovem viúva Carol (Remick), que apaixona-se por ele. Algum tempo depois, Chuck consegue influenciar Carol a voltar a morar com seus dois filhos, na casa que vivera com o marido e os trabalhadores negros que eram empregados de Ella a ganharem a mesma quantia que os trabalhadores brancos em outro local, mesmo enfrentando forte resistência da comunidade. O noivo de Carol, Walter Clark (Overton), acredita que seu envolvimento com Chuck será somente enquanto esse permanecer na região, Porém o novo casal enfrenta o ódio de um dos homens mais influentes do local e dono do posto de gasolina, Hank Bailey (Salmi) que, com uma pequena multidão, surra-os. Carol e Chuck casam-se. Sem nenhuma outra alternativa, após a justiça se pronunciar oficialmente, Ella abandona sua propriedade e morre de desgosto na nova casa que o governo lhe arranjou. Chuck e sua nova família ao abandonarem  a área sobrevoam o antigo terreno, agora submerso, e a imensa represa construída.

Inicia com cenas documentais em p&b dos estragos provocados pela cheia do rio mescladas a imagens provavelmente realizadas pela própria produção do filme. Mesmo que apresente momentos tocantes, o filme sofre com uma certa descostura no roteiro, provável herança de sua fonte ambígua: dois romances. A partir de um certo momento, quando passa a acompanhar a relação entre Carol e Chuck, esquece quase que completamente o tema da desapropriação da ilha e a tentativa de convencimento da matriarca Ella (vivida por uma Van Fleet, atriz de teatro e lançada tardiamente no cinema pelo próprio Kazan em Vidas Amargas, aqui uns trinta anos mais velha que na vida real). Resta o quase sempre interessante tema goethiano da modernidade x  tradição, sendo Chuck o ícone de um novo tempo que trará referências outras para a cultura local, tanto em termos de comportamento pessoal, quanto na agressividade econômica de um novo modelo de vida que passa por cima até dos valores mais caros do mito liberal americano, como o individualismo, representado por Ella. Tal como o Fausto de Göethe, no entanto, Chuck parece menos plenamente feliz que reflexivo ao final de sua jornada inoculadora do germe de “um progresso sem retorno” na região, devido ao alto custo da empreitada – a morte de Ella, a quem aprendera a respeitar com o tempo. O filme possui como sua maior virtude unir ao habitual talento na direção de atores do cineasta expressivas locações naturais, assim como diálogos e personagens menos esquemáticos para sua habitual contraposição entre o individualismo e os valores da sociedade como um todo. Filmado em Cinemascope. National Film Registry em 2002. 20th Century-Fox. 110 minutos.

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