O Dicionário Biográico de Cinema#347: Sofia Coppola



 Sofia Coppola, n. N. York, 1971

1998: Lick the Star (c). 1999: The Virgin Suicides [As Virgens Suicidas]. 2003: Lost in Translation [Encontros e Desencontros]. 2006: Marie Antoniette [Maria Antonieta]. 2010: Somewhere [Um Lugar Qualquer]. 2013: The Bling Ring [Bling Ring: A Gangue de Hollywood].

Sim, Sofia é o bebê (ostensivo, masculino) batizado na grande e assassina conclusão de The Godfather [O Poderoso Chefão] (72, Francis Ford Coppola) e é alguém que pode narrar sua infância em termos dos filmes e locações nos quais seu pai a mantinha por perto, em companhia. A primeira vez que tomou consciência de si própria foi logo após One from the Heart [O Fundo do Coração], em Rutherford, quando Sofia pintava quadros de vodu para postar na entrada de automóveis da casa da família para espantar os oficiais de justiça que poderiam levar a mobília da casa. 

Então é compreensível que os críticos e cinéfilos igualmente se maravilharam no quanto seu pai a ajudou e a influenciou em Encontros e Desencontros. Em vez disso, talvez fosse melhor que percebessem que aquele filme tem um ar calmo e relaxado, uma visão divertida da vida, algo que seu estimado pai nunca conseguiu realmente alcançar. Sim, a filha cresceu numa guerra  podendo se tornar uma grande lutadora - ou alguém que busca qualquer tipo de diversão para evitar o hálito malfazejo do conflito.

Não penso que conheçamos o suficiente de Sofia Coppola ainda - exceto, digamos, observar como está se desenvolvendo. Dizem que atuava, mas parece mais que participou em certos filmes por estar nas locações: foi a criança em um barco em The Godfather: Part II [O Poderoso Chefão: Parte II] (74, Coppola); é a irmã criança de Diane Lane em The Outsiders [Vidas sem Rumo] (83, Coppola) e Rumble Fish [O Selvagem da Motocicleta] (83, Coppola); está em The Cotton Club [Cotton Club] (84, Coppola) e Peggye Sue Get Married [Peggy Sue - Seu Passado a Espera] (86, Coppola), e então substituiu Winona Ryder como Mary Corleone em The Godfather: Part III [O Poderoso Chefão: Parte III] (90, Coppola). Foi criticamente destroçada por este trabalho, e seu pai poderia ter pensado sobre a escolha mais cuidadosamente. Mas diz muito do estoicismo de Sofia ter ela resistido à tempestade e praticamente decidido  que sua carreira como intérprete estava encerrada. 

Foi cursar o ensino médio em Napa, perto da casa de Rutherford, e frequentou a Cal Arts por um tempo, antes de abandoná-la. Desde então, entrou e saiu de uma breve série cômica, Hi-Octane, com sua amiga Zoe Cassavetes (filha de John) e criou uma companhia de roupas com outra amiga, Stephanie Hayman. 

Não há dúvida que os laços familiares a ajudaram, já que não era nem próxima de tão articulada, convincente ou ambiciosa quanto seu pai (ou seu marido, Spike Jonze - apesar da relação ter findado em 2003). Então, penso que é notável que já tenha se movido de filmar um livro que gostou, As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides para pensar um filme de roteiro próprio, Encontros e Desencontros. O último é o seu melhor filme até o momento. Embora seja uma obra pequena, verdadeiramente modesta, tateando em direção a uma sensibilidade que ainda não foi alcançada - e que talvez lhe escape. Sim, ela poderia ser prejudicada pelo excesso de elogios, exceto pelo fato de não ter certeza se acredita em algo "demasiado". Maria Antonieta foi bem mais preciosista e um sinal de alerta que a história poderia ser eclipsada pela direção de arte. 

Os mesmos problemas emergiram com Um Lugar Qualquer e Bling Ring: A Gangue de Hollywood. O primeiro venceu um prêmio em Veneza e obteve alguma apreciação crítica, mas possui a surpreendente qualidade de ausência de ironia: não conseguia tirar os olhos da celebridade vazia. Bling Ring foi pior. Precisava ser um estudo do vazio juvenil, mas foi trespassado pelas roupas e acessórios como se fossem uma gangue de zumbis. Pense em Bling Ring como um filme de zumbis e começa a fazer sentido. Pense em Spring Breakers [Spring Breakers - Garotas Perigosas] e Bling Ring desaparece. 

Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 544-46. 

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