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sábado, 10 de dezembro de 2016

Filme do Dia: Cléo das 5 às 7 (1962), Agnès Varda


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Cléo das 5 às 7 (Cléo de 5 à 7, França/Itália, 1962). Direção e Rot. Original: Agnès Varda. Fotografia: Paul Bonis,  Alain Levent & Jean Rabier. Música: Michel Legrand. Montagem: Pascal Laverièrre & Janine Verneau. Dir. de arte: Jean-François Adam. Dir. de arte: Bernard Evein. Figurinos:Alyette Samazueilh. Com: Corinne Marchand, Antoine Bourseiller, Dominique Davray, Dorothée Blank, Michel Legrand,  José Luis de Villalonga, Loye Payen, Serge Korber, Raymond Cauchetier.
Enquanto aguarda pelo resultado de um exame médico que poderá dar uma guinada em sua vida, corroborando o pessimismo da cartomante Cléo (Marchand) passa essa hora e meia que a separa do resultado, saindo para compras com a criada Angèle (Davray), encontrando-se com a dupla que compõe para ela, Bob (Legrand) e Plumtif (Korber), encontrando a amiga Dorothée (Davray) que trabalha posando nua para artistas e seu namorado Raoul (Cauchetier) ou encontrando por acaso um homem que parece ter uma possibilidade de morte iminente quase tão radical quanto o dela, Antoine (Bourseiller), que decide ir ao hospital com ela.
Embora não exatamente uma membra integrante da Nouvelle Vague, e seu “clube do bolinha”, Varda, com esse seu primeiro longa, talvez o mais famoso igualmente, termina por se aproximar sob vários aspectos da produção dos “jovens turcos”: o tom ainda mais etnográfico com que acompanha sua protagonista, em parte reminiscente da etnografia de Jean Rouch que também serviu de base ao filme de estreia de Godard (Acossado); uma apresentação, aqui ainda mais intensa, da charmosa vivacidade de Paris; a deambulação pelas ruas dos personagens (acompanhada, inevitavelmente, do olhar dos curiosos, novamente evocativa do primeiro longa de Godard); a bela fotografia em p&b, que também pune pelo branco, mesmo que não fazendo uso tão vazado da contra-luz – destaque para os momentos nos quais se ressalta praticamente uma divisão de quadro menos por efeito ótico que por ilusão criada na composição da própria cena. Porém, a  influência de Acossado também surge, incorporando cenas do próprio curta da realizadora estrelado por Godard/Anna Karina em montagem diversa da original. Dividido em “capítulos” cuja indicação surge sobre a imagem, demarcando de forma aproximada – alguns tempos demasiado mortos são excluídos – a breve odisseia temporal de sua protagonista que, ao contrário do título, vai até as 6h30, o filme talvez se renda a um aceno de felicidade mais marcado que os aparentemente mais escapistas filmes do marido da realizadora, Jacques Demy. De fato, o encontro ao final com a figura de Antoine, parece sinalizar, antes mesmo do veredito final do médico, para uma compreensão de que a angústia está associada a ausência da vivência de um verdadeiro amor. Algo que, interpretado sobretudo particularmente a partir da condição feminina de sua protagonista, vivida com graça por Marchand, que jamais teria outro destaque em sua carreira, pode soar demasiado dependente da presença masculina para sua segurança. Algumas poucas referências cinematográficas observadas em seu curso incluem os cartazes de filmes como Entre Deus e o Pecado (1960) e Um Cão Andaluz (1928), de Richard Brooks e Buñuel respectivamente. Se experiências semelhantes de compressão temporal já haviam rendido narrativas com maior proximidade com eventos espetaculares tais como Matar ou Morrer (1952) ou Punhos de Campeão (1949), de Fred Zinnemann e Robert Wise respectivamente também renderia posteriormente filmes com bem menor ênfase em golpes dramáticos como Meu Jantar com André (1981), de Louis Malle. Ciné Tamaris/Rome Paris Films. 90 minutos.



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