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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Filme do Dia: Jaguar (1954/1969), Jean Rouch


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Jaguar (França, 1954/1969). Direção: Jean Rouch.
         Três jovens nigerianos, Lam, Illo e Damore, decidem partir em uma viagem pela Costa do Ouro, futura Gana. No caminho se deparam com os Somba, que choca-os por viverem todos nus e por serem considerados feiticeiros. Um dos jovens, Damore, afirma que é errado gracejaram dos costumes dos Somba, pois eles parecem um povo pacífico. Os amigos encontram pela primeira vez o mar e se assustam com sua força. Após terem recusadas a entrada deles na fronteira da Costa do Ouro, os três jovens passam pelas costas da aduana e se separam. A câmera segue Damore, que parte  para Accra a pé e de carona. Ele se torna um trabalhador bem sucedido em Accra, onde existe uma gigantesca feira, e passa a considerar a si próprio como um Jaguar, um homem elegante, belo e que impõe admiração a todos. Ocasionalmente os amigos se encontram em sua própria banca de feira e desmontam o negócio para retornarem para a Nigéria como homens experientes que vivenciaram realidades que a sua comunidade não vivenciou.

           Nesse filme, Rouch utiliza pela primeira vez sua técnica de cruzar documentário e ficção e faz da voz off (na maior parte das vezes de Damore, algumas vezes do próprio Rouch) e da pós-sincronização de comentários sobre a imagem, características que voltariam a se fazer presentes, no mais impactante e esteticamente elaborado Eu, um Negro. Aqui, de qualquer modo, Rouch deixa patente sua fenomenal ruptura com o filme e a antropologia etnográfica clássica, que filma ou estuda esse “outro” apenas enquanto uma curiosidade científica. Mais que isso, já que consegue espelhar esse espanto pelo exótico não no foco central do filme – os três jovens -  como era de se esperar, mas no que os próprios três jovens observam, tribos que lhe parecem grotescamente primitivas, em um primeiro momento. A partir desse movimento oposto da etnografia clássica, o cineasta consegue expressar a subliminar mensagem de que todo ato bárbaro é o efetivado por uma outra cultura que não a nossa, ao mesmo tempo que o critério de racionalidade para julgá-lo não é outro que o de nossa própria sociedade. Filmado em 16 mm.  Les Films de La Plêiade. 110 minutos.

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