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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

The Film Handbook#105: Walerian Borowczyk

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Walerian Borowczyk
Nascimento: 21/10/1923, Kwilicz, Polônia
Morte: 03/02/2006, Paris, França
Carreira (como diretor): 1946-1988

Juntamente com Tashlin e Kon Ichikawa, Walerian Borowczyk é um caso raro de bem sucedido realizador de ação ao vivo proveniente da animação. Dada a excelência de sua obra em ambos os meios nos anos 60 e primórdios dos 70, seu posterior direcionamento rumo à pornografia soft é particularmente desanimador.

Após estudar arte, o jovem Borowczyk rapidamente estabeleceu-se como um animador grandemente original. Frequentemente realizados com Jan Lenica, curtas como Once Upon a Time/Szkola e Dom revelaram não somente um domínio seguro de uma diversidade de técnicas de animação (fotomontagem, colagem, desenho) mas também uma visão sombria e frequentemente violenta do caos e destruição similar a dos surrealistas. Mudando-se para França em 1959, tornou-se ainda mais ousado. Les Jeux des Anges é um retrato kafkaniano da tortura e da crueldade, enquanto Renaissance>1 faz uso de trabalho de câmera em reverso para apresentar um universo de objetos quebrados - uma boneca, uma coruja empalhada, um livro de orações, um trompete - miraculosamente se refazendo a si próprios. Sua engenhosidade macabra, no entanto, pode ser observada  nos momentos finais, quando o último objeto a se constituir, uma granada de mão, destrói o absurdo e bravo novo mundo.

Realizado em 1969, o primeiro longa de ação ao vivo de Borowczyk, Goto, l'ile d'amour>2 narra uma história bizarra e altamente criativa do breve florescimento do amor numa colônia prisional de uma ilha fascista, suas celas cinzas e decadentes e corredores uma distorção assombrosa da sociedade moderna. Os métodos do diretor derivaram de seus primeiros filmes, com a câmera raramente se movendo, ausência de perspectiva para reforçar a bidimensionalidade, e objetos - notadamente uma parafernália misteriosa de tortura - impregnado de tanta significação quanto seus personagens. De forma semelhante, em Blanche>3, uma versão estilizada da história de Mazeppa, sobre trágicas intrigas palacianas em um castelo francês no século XIII, o senso visual cria um quadro vivo de crueldades, traição e amor condenado. Uma obra-prima, seu frio e reservado trabalho de câmera é enriquecido pela tocantes interpretações do veterano Michel Simon como o aristocrata ciumento e envelhecido e por Ligia Branice (a mulher do diretor) como sua jovem e frágil consorte.

O sucesso de seus dois primeiros longas estabeleceu Borowczyk com fama de erótico, e seus filmes posteriores  moverem-se para os domínios do gênero da exploração do sexo. Apesar de seus visuais distintamente elegantes ainda poderem ser encontrados em material relativamente sensacionalista tais como Contos Imorais/Contes Immoraux, Story of Sin/Dzieje Grzechu (realizado durante um breve retorno à Polônia), O Monstro/La Bête, Atrás dos Muros do Convento/Interno di un Convento e Lulu, o interesse do diretor na lógica narrativa foi vago e superficial, suas anteriormente brilhantes observações de objetos inanimados agora mero fetichismo. Ocasionalmente, sua antiga habilidade de evocar um mundo fragmentado, dividido por paixões desenfreadas reemergiria: no sombrio, ocasionalmente brilhante Dr. Jekyll e as Mulheres/Docteur Jekyll et les Femmes>4, o Sr.Hyde se torna  um insaciável monstro bissexual nascido da repressão vitoriana e sua noiva, cega pelo amour fou, decide se unir a ele em uma busca assassina e autodestrutiva por transcendência sensual. Mais frequentemente, no entanto, a excitação ganhava ascendência sobre ambições subversivas em filmes como Arte de Amar/Ars Amandi, Emmanuelle 5 e Cérémonie d'Amour.

Borowczyk, no entanto, merece admiração por ter observado a animação como uma forma de arte séria e por ter rompido as barreiras falsas entre ação ao vivo e técnicas normalmente menosprezadas como de "desenhos animados". É uma pena que ele tenha se tornado uma figura marginal ao repetidamente se voltar para material indigno de seus talentos.

Cronologia
A obra de Borowczyk deriva menos de convenções cinematográficas anteriores que da pintura moderna, talvez mais notavelmente do Surrealismo e Cubismo. Sua obra tem sido enormemente influente em posteriores animadores do Leste Europeu, e talvez possamos compará-lo com os filmes do surrealista tcheco Jan Svankmajer.

Destaques
1. Renaissance, França, 1963

2. Goto, l'Ile d'Amour, França, 1969, c/Ligia Branice, Pierre Brasseur

3. Blanche, França, 1972 c/Ligia Branice, Michel Simon

4. Dr.Jekyll e as Mulheres, França, 1981, Udo Kier, Marina Pierro, Patrick Magee

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 31-2.


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