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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Filme: O Libertador (1940), John Cromwell


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O Libertador (Abe Lincoln in Illinois, EUA, 1940). Direção: John Cromwell. Rot. Adaptado: Grover Jones & Robert Sherwood,  a partir da peça do último. Fotografia: James Wong Howe. Música: Roy Webb. Montagem: George Hively. Dir. de arte: Van Nest Polglase. Cenografia: Casey Roberts. Com: Raymond Massey, Gene Lockhart, Ruth Gordon, Mary Howard, Minor Watson, Alan Robets, Harvey Stephens, Howard Da Silva.
Partindo de New Orleans e se estabelecendo como um relativamente simples advogado do Kentucky, Abe Lincoln (Massey), torna-se o chefe dos correios e logo é eleito deputado estadual, a partir de seu crescente carisma. Sua vitória coincide com a morte de sua amada Ann Rutledge (Howard). Posteriormente, Lincoln se vincula à advocacia e se torna o motivo de admiração da dama da sociedade Mary Todd (Gordon), para o horror de sua família. Eleito congressista em Washington, concorre à presidência, derrotando o rival Stephen Douglas (Lockhart), fazendo um discurso emocionado ao partir do Kentucky.
Essa esquecida produção talvez seja a mais razoável adaptação biográfica do célebre presidente norte-americano, compartilhando com a contemporânea e mais famosa A Mocidade de Lincoln (1941), de John Ford, o fato de se deter no período de formação do político. Sua vantagem em relação ao filme de Ford se encontra em se afastar do excessivo sentimentalismo-paternalismo de viés populista, bastante comum nas produções de recorte mais histórico do realizador, mesmo sendo menos inventiva visualmente. As situações mais perigosamente prestativas a tal tipo de situação, como o do reencontro entre Lincoln e o local onde sua mãe foi enterrada, com a presença da voz over repetindo desnecessariamente uma frase que lhe dissera quando de sua despedida, mesmo sendo pouco criativa em termos de epifania, tampouco arrisca cair no pieguismo excessivo. Seu Lincoln, melancólico e taciturno, não consegue se entregar a alegria nem mesmo quando recebe a notícia de sua vitória sobre uma campanha que pouco antes afirmara ser a mais corrupta da história americana. Livre das obrigações de verossimilitude histórica e de mimetismo, inclusive evidentemente com relação a caracterização de seu protagonista, que impregnam em demasiado a realização de Spielberg de mais de sete décadas após (Lincoln), o filme consegue lidar com bastante maturidade no respeito ao complexo relacionamento entre Lincoln e sua esposa, vivida com brilhantismo e sagacidade pela então estreante Gordon. Consegue ser bem mais efetivo, inclusive, em sua opção final, que não procura acrescentar nenhum desnecessário desfecho, por demais forçado na produção de Spielberg, relativo ao assassinato de Lincoln. O longo e emocionado discurso final, assim como a imagem de Lincoln se afastando do povo no trem acaba por se tornar muito mais significativa e pungente que o proselitismo deslocado que finda  Lincoln. Max Gordon Plays & Pictures Corp. para RKO Radio Pictures. 110 minutos.


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