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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Filme do Dia: O Amor é Estranho (2014), Ira Sachs

O Amor é Estranho (2014) Poster
O Amor é Estranho (Love is Strange, EUA, 2014). Direção: Ira Sachs. Rot. Original: Ira Sachs & Mauricio Zacharias. Fotografia: Christos Voudouris. Montagem: Affonso Gonçalves & Michael Taylor. Dir. de arte: Amy Williams & Steve Grise. Cenografia: Kendall Anderson. Figurinos: Arjhun Basin. Com:  John Lithgow, Alfred Molina, Tatyana Zbirovskaya, Olya Zueva, Jason Stuart, Darren E. Burrows, Marisa Tomei, Charlie Tahan, Eric Tabach.
Ben Hull (Lithgow) e George Garea (Molina) se casam após 20 anos de relacionamento em comum, inclusive boa parte dele vivendo juntos. Porém, o casamento resulta na demissão de George da escola católica que era o sustentáculo da vida do casal. Enquanto Ben vai viver com um sobrinho Elliott (Burrows) e sua esposa Kate (Tomei) e o filho do casal Joey (Tahan), George é acolhido por um casal de policiais gays. Em ambos os casos a situação é tensa. Ben provoca ou testemunha situações do tipo com a família do sobrinho. George se sente incomodado pelo constante fluxo de visitas no apartamento onde se encontra.  Enquanto George busca uma acomodação mais barata para o casal, Ben volta a pintar. Num dos dias que estava pintando leva uma queda e luxa o braço. George, por sua vez, conhece numa das inúmeras festas no apartamento dos policiais um homem disposto a alugar um bom apartamento e por um preço bastante em conta. Porém, a solução parece chegar um pouco tarde demais.
Conseguindo desenvolver alguns efeitos dramáticos melhor que em um longa anterior (Deixe a Luz Acesa), o filme gesta algum grau de envolvimento com o drama de seus personagens, algo não exatamente presente na produção anterior. Em parte isso se deve também ao elenco, sobretudo Tomei. Outro ponto positivo é que mesmo a demissão tendo sido proveniente da explicitada hipocrisia do clero católico, todo ele conhecedor, assim como os alunos, da relação do casal, o filme não elabora tal situação somente ao nível da vitimização das personagens nem tampouco surgindo  exatamente como engajada  propaganda gay.  Ou ainda rompantes ocasionais de espirituosidade e bom humor, como é o caso da reclamação de Ben de não pintar mais por não conseguir trabalhar com a proximidade de outros, deixando de perceber que reproduz a mesma lógica com Kate, que lhe escuta. Dito isso, mesmo aqui os obstáculos ainda são diversos e vão desde certas quebras de enredo que levam ao desaparecimento súbito de personagens, como é o caso de Vlad ou, ainda pior, e igualmente atrelado a isso, a utilização “fácil” do recurso à morte de um personagem como moeda de troca geradora de pathos, a seu modo uma saída tão pouco criativa ou propositada quanto as que pululavam nas produções do período clássico do cinema (abordadas, de forma panorâmica, em O Celuloide Secreto).  E o risco perigoso da aproximação da manipulação emocional mais rasteira surge na cena em que Joey visita o membro sobrevivente do casal e depois chora de soluçar, partindo após o encontro para uma relação amorosa, “abençoado” pela conversa tida sobre o falecido e com os raios de sol a espraiarem, de forma entrecortada, os laivos de esperança e futuro. E, de forma mais crônica, através de uma trilha musical excessivamente dependente de criar um efeito emocional a partir das peças de Chopin, as mesmas que George ensaia com suas alunas de piano. Novamente o roteiro foi co-escrito por Maurício Zacharias (Madame Satã, O Céu de Suely), o que talvez justifique a menção a Entre a Loura e a Morena, assim como a uma situação de assalto no Rio. Charlie Guidance/MM...Buttered Panini Prod. para Sony Pictures Classics. 94 minutos.

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