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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Filme do Dia: Quando um Homem é Homem (1963), Andrew V. McLaglen


Quando um Homem É Homem (1963) Poster


Quando um Homem é Homem (McLintok!, EUA, 1963). Direção: Andrew V. McLaglen. Rot. Original: James Edward Grant. Fotografia: William H. Clothier. Música: Frank De Vol. Montagem: Bill Lewis & Otho Lovering. Dir. de arte: Eddie Imazu & Hal Pereira. Cenografia: Sam Comer & Darell Silvera. Figurinos: Ron Talsky. Com: John Wayne, Maureen O’Hara, Patrick Wayne, Stefanie Powers, Jack Kruschen, Chill Wills, Yvonne De Carlo, Jerry Van Dyke, Gordon Jones.
G.W. McLintok (John Wayne) é um barão do gado que defende o seu direito à terra com a mesma altivez com a qual defende os índios comanches ameaçados de expulsão de suas terras. Com o retorno de sua esposa, Katherine (O’Hara), que o havia abandonado e  procura se desvencilhar das intimidades do passado, quando era conhecida como Katy, e insinuando não mais querer nada com McLintok, e sua filha Becky (Powers), ao qual se insinua o casamento com o almofadinha Matt (Van Dyke), a vida de McLintok fica atribulada. McLintok prefere que a filha se case com o agricultor que lhe serve como empregado, Devlin (Patrick Wayne). Essa, embora intensamente atraída por Devlin, inicia um namoro com Matt. McLintok aproveita o fato de ser o homem mais poderoso da região, para tentar apaziguar os ânimos e conciliar as divergências, não deixando de sempre fazer de bobo o prefeito Matt Douglas, pai do pretendente à mão de sua filha. Katherine se sente enciumada com a presença de outra mulher em casa, a mãe de Devlin, Louise (de Carlo), após flagrá-los numa situação embaraçosa e bêbados. Enquanto Becky se ajeita com Devlin, sua mãe tenta recuar aos avanços de McLintok e acaba passando um vexame diante de toda a vila.
Esse constrangedor veículo para John Wayne, produzido por sua própria companhia, demonstra a crescente decadência do gênero a partir do momento em que os gêneros clássicos sofrem um período de tentativa de sobrevivência, seja através das super-produções, caso dos musicais, seja através de uma releitura cômica que pretende ser igualmente um comentário velado sobre a cena familiar americana contemporânea à sua produção. O resultado é canhestro tanto em termos de roteiro – perde-se em sub-enredos desnecessários, um deles, o dos índios, simplesmente deixado de lado a determinado momento e utilizado apenas como forma de salientar o poder de seu protagonista – quanto, e ainda mais, de pretensões cômicas. É mais do que evidente que a guerra dos sexos vivida pelo par central (a quarta das cinco vezes em que O’Hara e Wayne contracenaram juntos, sendo a mais célebre Como Era Verde o Meu Vale) serve como pretexto para Wayne apontar sua insatisfação com os novos tempos de emancipação feminina. Ainda que o seu McLintok seja magnânimo o suficiente para respeitar a maior parte do tempo as reservas de sua esposa com relação a si, no final toda a emancipação e pretensa sofisticação da mesma vem a baixo literalmente, de forma marcadamente misógina, ao deixar a personagem somente com sua roupa de baixo  diante das gargalhadas de toda a comunidade. Situação que se reflete na subtrama em que McLintok observa com prazer o seu empregado, Devlin, dar umas “boas palmadas” na sua própria filha, situação que repetirá no desfecho com relação a esposa. A moral evidente da história é que as mulheres são como crianças, aos quais se deve por no seu devido lugar, sem precisar levar muito a sério. Enquanto filme que tampouco se pretende levar tão a sério, essa produção se mostra ainda mais insuficiente, com situações que não chegam a irem além do pastelão pelo pastelão, como a longa, desnecessária e ineficiente sequência em que todos os personagens findam por resvalar numa poça de lama. Patrick Wayne, filho do astro, faz aqui um papel no qual torna-se cópia mais jovem dos valores defendidos pelo pai (e também, como no filme, patrão), em oposição ao desajeitado jovem que é ridicularizado pelo próprio John Wayne em Rastros de Ódio e, aqui, ao almofadinha que se quer pretendente da filha, vivido por Van Dyke. A todos esses comentários sobre o momento contemporâneo a produção –inclusive a fama de reacionário de John Wayne, que vem a baila na boca do personagem de Matt –  ainda se soma a explícita alusão desabonadora ao candidato liberal às eleições presidenciais, Hubert Humphrey, aqui como  o  patético governador Cuthbert H. Humprey. Batjac Prod. para United Artists. 127 minutos.


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