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domingo, 17 de janeiro de 2016

Filme do Dia: Marcas da Violência (2005), David Cronenberg


Marcas da Violência (2005) Poster


Marcas da Violência (A History of Violence, EUA/Alemanha, 2005). Direção: David Cronenberg. Rot. Adaptado: Josh Olson, baseado na história em quadrinhos de John Wagner & Vince Locke. Fotografia: Peter Suschitzky. Música: Howard Shore. Montagem: Ronald Sanders. Dir. de arte: Carol Spier & James McAteer. Cenografia: Peter P. Nikolakakos. Figurinos: Denise Cronemberg. Com: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes, Peter MacNeill, Stephen McHattie, Greg Bryk.
Tom Stall (Mortensen) leva uma vida tranquila na cidadezinha de Millbrook, onde possui um café, quando recebe a visita de dois homens mal intencionados. O episódio leva a que Stall mate os dois homens em auto-defesa e se transforme numa espécie de “herói” local. Sua indisposição com o assédio da imprensa se torna pior quando ele e sua família passam a ser assediados pelo violento Carl Fogarty (Harris), que jura ser ele o violento criminoso Joey Cusack. Ele afirma nunca ter visto Carl antes. A pressão continua, até o momento em que Tom não pode mais negar diante da família, após ter massacrado dois capangas de Carl e ter tido a vida salva pelo filho Jack (Holmes). Confusa, sua esposa Edie (Bello), não quer dormir mais no mesmo quarto que ele. Tom recebe uma ligação do irmão, o mafioso Richie (Hurt), convidando-o a sua mansão. O que era para ser um acerto de contas que finalizaria com a morte de Tom torna-se o oposto, ele matando todos os homens da casa, inclusive o irmão.
De um aparente realismo a história de Cronenberg vai se dirigindo para seu extremo oposto, tornando-se antes uma fábula que parece desmascarar toda a violência contida nos subterrâneos dos mais calmos e pacíficos cidadãos tipicamente americanos. Na sua mescla de Sob o Domínio do Medo (1971), ao retratar tanto no pai como no filho uma predisposição genética para ser mais violento do que os opositores violentos com os quais se defrontam (metáfora, em sentido mais amplos, para os próprios EUA contemporâneos?) e a não verossimilitude das reações do protagonista contra diversos homens ao mesmo tempo, típicas dos filmes de violência, Cronenberg constrói sua própria versão. Parece haver uma propensão que chama quase o humor na facilidade com que Tom/Joey se livra de seus adversários, como se Cronenberg achasse por bem ironizar com enraizados valores americanos a partir de uma demonstração sintetizada e escabrosa (os rostos em decomposição são um destaque à parte) da forma que habitualmente foram utilizados nos espetáculos mais triviais. A dimensão esquizo de seu protagonista, já antecipada por seu olhar amortecido e aparentemente indiferente a tudo que ocorre ao seu redor, no belo trabalho de atuação de Mortensen, já havia sido o tema central de um dos filmes mais interessantes do realizador, Spider. Embora a história se passe numa cidade fictícia americana, foi de fato filmada em cidade do mesmo nome no Canadá. New Line Prod./BenderSpink/Media I! Filmproduktion München & Co.  para New Line Cinema. 96 minutos.


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