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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Filme do Dia: A Morte num Beijo (1955), Robert Aldrich


A Morte num Beijo (1955) Poster


A Morte num Beijo (Kiss Me Deadly, EUA, 1955). Direção: Robert Aldrich. Rot. Adaptado: A.I. Bezzerides, baseado no romance de Mickey Spillane. Fotografia: Ernest Laszlo. Música: Frank De Vol. Montagem: Michael Luciano. Dir. de arte: William Glasgow. Cenografia: Howard Bristol. Com: Ralph Meeker, Maxine Cooper, Cloris Leachman, Gaby Rodgers, Albert Dekker, Paul Stewart, Juano Hernandez, Wesley Addy, Fortunio Bonanova, Nick Dennis, Percy Helton, Albert Dekker, Keith McConnell.
      Mike Hammer (Meeker) se vê envolvido em uma misteriosa trama, após dar carona a uma garota que foge de um hospício, Christina (Leachman), que é encontrada morta, numa simulação de acidente de carro. Mesmo intimado pelo amigo policial Pat (Addy) a falar o que sabe à Polícia, Hammer pretende investigar – e, se for o caso, faturar – por si próprio. Juntamente com a companheira da agência de detetives e ocasional amante Velda (Cooper) envolver-se-á com tipos perigosos, que não param de assassinar pessoas próximas ao meio de Hammer, como o amigo mecânico Nick (Dennis) e o recepcionista do clube (McConnel). Dá guarida em sua casa a amiga de Christina, Lily Carver (Rodgers) e enfrenta os capangas do mafioso Carl Evello (Stewart) e após invadir a residência de um colecionador de arte abstrata, encontra a indicação de um médico (Helton), que trabalha no morgue da cidade e realizou a autópsia de Christina. Recordando que uma das frases que Christina insistira era de que ele devia lembrar-se e com ajuda dos versos de uma poeta homônima da falecida, que Christina admirava e a quem em sua homenagem recebera o nome, Hammer consegue matar a charada, que consiste numa chave em um clube fechado. Lá, após insistir com o recepcionista encontra um armário com uma misteriosa substância que lhe queima a pele. Enquanto isso, Velda se encontra capturada na casa do Dr. Soberin (Dekker), tendo como parceiro ninguém menos que a pretensa Lily Carver, embora trate-se de uma impostora, já que Carver foi assassinada há dias. Hammer, mesmo acusado de irresponsável por Pat consegue descobrir a casa e quando lá chega a falsa Carver já assassinara Yeager e por abrir a caixa, apesar da advertência para que não o fizesse. Enquanto a substância toma conta da atmosfera e aos poucos explode a casa, Hammer consegue se afastar com Velda.
Esse empolgante thriller noir herda muitas das características de filmes semelhantes da década anterior, como a labiríntica história, o excessivo número de personagens, a misoginia e a falta de credibilidade no que as pessoas aparentam ser – Lily Carver não só não é Lily Carver, como é oposto da indefesa moça que aparenta ser – e a elas adiciona um tempero que se encontrava condizente com a pauta do dia, a Guerra Fria. Mais especificamente o material que pode provocar a fissão nuclear. Muito próximo de Füller em filmes como Anjo do Mal (1953), Aldrich também cede a tentação de incluir no estilo noir, por excelência atemporal, inquietações típicas que a sociedade americana vivenciava na época, e também como Füller, utiliza-se de uma fotografia que ressalta uma limpidez na imagem pouco comum aos filmes do gênero, dando-lhe um certo status moderno – acentuado por alguns excelentes diálogos, como o que Christina afirma que não se importa em ter homens mais flácidos, desde que com o cérebro mais vitaminado. Talvez ainda mais que no filme de Füller seja presente um certo tom sensacional na narrativa. As diversas sequências de Hammer em seus carros-esporte tornam o filme um semi-road movie (com destaque para as bela seqüência inicial). Parklane Pictures/United Artists. 105 minutos.

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