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domingo, 10 de janeiro de 2016

Filme do Dia: Leste-Oeste, o Amor no Exílio (1999), Régis Wargnier


Leste/Oeste - O Amor no Exílio Poster


Leste-Oeste, o Amor no Exílio (Est-Ouest,França/Rússia/Bulgária/Espanha/Ucrânia,1999).Direção: Régis Wargnier. Rot. Original: Rustam Ibragimbekov, Sergei Bodrov, Louis Gardel & Régis Wargnier. Fotografia: Laurent Dailland. Música: Patrick Doyle. Montagem: Hervé Schneid. Dir. de arte: Aleksei Levchenko, Vitali Kholoutchouk & Vladimir Svetozarov. Cenografia: Rossitsa Bakeva, Svetlana Filakhtova, Garabed Garabedian, Yvetta Kotcheva, Mikhail Leutchenko, Jean-Philippe Reverdot & Tzvetana Yankova. Figurinos: Pierre-Yves Gayraud. Com: Sandrine Bonnaire, Oleg Menshikov, Catherine Deneauve, Sergei Bodrov Jr., Ruben Tapiero, Erwan Baynaud, Grigori Manukov.
A francesa Marie (Bonnaire) e seu marido russo, Alexei (Menshikov), fazem parte de uma leva de um navio que transporta expatriados russos de volta à terra natal, após o anúncio de perdão publicizado por Stálin. Trata-se de uma armadilha e eles a percebem logo quando o navio atraca no cai, com todos os outros passageiros tendo sido presos e mortos. Cresce a tensão entre o casal. Marie pretende voltar à França a qualquer custo. Tida como espiã,  involuntariamente provoca a morte da avó de Sasha (Bodrov Jr.), dona da pensão onde passam a viver. O sofrimento de ambos os aproxima. Enquanto o marido passa a se relacionar com uma vizinha, Marie acompanha todos os passos de Sasha como nadador e se torna sua amante. A visita de uma famosa atriz francesa de simpatias esquerdistas, Gabrielle (Deneauve) é uma oportunidade para que Marie explique sua situação. Sasha decide partir para a França a qualquer custo e enfrenta 6 horas nadando no mar até chegar ao navio. Exila-se  no Canadá. Marie e o filho Seryozha (Baynaud) conseguem chegar à Embaixada Francesa, graças a ajuda de Gabrielle. Alexei, mesmo com vontade de ir, não pode por conta de sua cidadania russa.
Drama que apresenta, de modo mais trivial possível, o impacto dos conflitos políticos sobre a vida pessoal específica do casal protagonista e das pessoas com quem eles se relacionam. À falta de imaginação visual e academicismo, marcas registradas de Wargnier, soma-se a absoluta falta de sofisticação no retrato dos personagens que descreve. O filme faz uso de artimanhas desgastadas para ilustrar, por exemplo, a decadência da burguesia russa com o surgimento da União Soviética, representada pela avó de Sasha, obrigada a transformar o palacete de sua família em uma ordinária pensão, relembrando saudosa os tempos de fausto em que possuía uma babá francesa. Essa visão bastante esquemática, completamente afeita somente aos imperativos de uma narrativa repleta de intrigas e suspense, assim como fácil maniqueísmo retrospectivo, já é prenunciada logo ao início do filme, na ridícula e pouco convincente cena em que um emigrado russo mal beija o solo ao retornar e logo é arrastado preso e vê o filho ser morto diante de si. Gabrielle/Deneauve, por sua vez é a própria representação do tão sonhado “mundo livre”, sendo capaz de arriscar a si própria e sua reputação apenas para salvar uma desconhecida que encontrara tempos atrás. A visão chapada dos colaboradores do regime stalinista é francamente caricata, somente permitindo uma visão mais nuançada, que leva em conta a própria abdicação de convicções pessoais em termos de estratégia de sobrevivência, no caso de Alexei. No elenco, destaque para a dupla Menshikov e Bodrov Jr., ambos protagonistas de Prisioneiro das Montanhas, sendo o último tragicamente morto com a equipe de filmagem da produção que dirigia no desabamento de uma nevasca em 2002.UGC/France 3 Cinéma/NTV-PROFIT/Gala Films/Mate Producciones/Canal +/Sofica Sofinergie/CNC/Studio 1+1. 120 minutos.


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