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sábado, 16 de janeiro de 2016

Filme do Dia: Memórias Póstumas (1999), André Klotzel




Memórias Póstumas  (Brasil/Portugal, 1999). Direção: André Klotzel. Rot.Adaptado:  André Klotzel, baseado no romance homônimo de Machado de Assis. Fotografia: Pedro Farkas. Música: Mário Manga. Montagem: André Klotzel. Dir. de arte: Adrian Cooper. Figurinos: Marjorie Gueller. Com: Reginaldo Farias, Petronio Gontijo, Viétia Rocha, Sônia Braga, Otávio Muller, Marcos Caruso, Sthepan Nercessian, Débora Duboc, Walmor Chagas, Nilda Spencer.
       Depois de morto, Brás Cubas (Farias) relembra os últimos momentos de sua vida retornando a sua infância e juventude (Gontijo). Sua cara paixão por uma prostituta (Braga), contemporânea da Independência do país, interrompida pelo pai (Nercessian). Sua viagem à Corte e sua segunda paixão, por quem termina por se afastar, inconformado por a moça, apesar de bela, ser coxa. O encontro com o antigo amigo, Quincas Borba, agora miserável e morando na rua. O amor doentio por Vírgilia, esposa do bonachão político Lobo. Amor que dura anos, mas não ressiste a mesmice do tempo e as desconfianças cada vez maiores de Lobo. Os anos de maturidade e a sensação de tempo perdido. O reencontro com o amigo Quincas Borba, devotado a uma nova filosofia e outra vez rico. A morte do pai e a prematura morte de sua esposa, que casara por conveniência, seguida pela de Lobo e de Borba. No leito de morte, recebe a visita de  Vírgilia. Depois de morto, orgulha-se de não ter legado a desprezível herança de sua experiência de vida para ninguém, já que não tivera filhos.
         Sem qualquer ousadia formal e contando com o apuro de uma produção requintada, Klotzel conseguiu ser fiel ao espírito iconoclasta do livro, realizando uma boa comédia. Com algumas adaptações previsíveis para a linguagem cinematográfica – como o próprio Farias, em notável desempenho,  dirigindo-se diretamente para a câmera, como eqüivalente da narrativa em primeira pessoa do texto literário ou ainda seqüências que se repetem, para ilustrar a diferença entre a cena que o autor imaginara e o que realmente se sucedera – o que mais se destaca no filme é a própria verve satírica de Machado de Assis. A perda de ritmo, em alguns momentos da  narrativa, não chega a comprometer essa despretensiosa produção, provavelmente a melhor adaptação do autor para o cinema. Cinemate Material Cinematográfico/Cinematográfica Brasileira/IPACA/Lusa Filmes/PIC-TV/Secretaria de Estado da Cultura/Superfilmes. 102 minutos.


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