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sábado, 2 de janeiro de 2016

Filme do Dia: Europa (1991), Lars Von Trier


Europa Poster

Europa (Europa, Súecia/França/Noruega/Alemanha/Suiça, 1991). Direção: Lars von Trier. Rot. Original: Lars von Trier  & Niels Vørsel. Fotografia: Henning Bendtsen,  Edward Klosinski & Jean-Paul Meurisse. Música: Joachim Holbek. Montagem: Hervé Schneid. Dir. de arte: Henning Bahs. Figurinos: Manon Rasmussen. Com: Jean-Marc Barr, Barbara Sukowa, Udo Kier, Ernst-Hugo Järegård, Erik Mørk, Henning Jensen, Eddie Constantine, Max Von Sidow (narração).
         Leopold Kessler (Barr) é um americano que parte prá Europa imediatamente após o término da Segunda Guerra Mundial, para tentar trabalhar na firma ferroviária Zentropa, onde o tio (Järegård) é empregado. Ele passa a ser comissário do vagão-dormitório. Na sua primeira viagem conhece Katharina Hartmann (Sukowa), filha do proprietário da ferrovia, que pede que ele faça a cama. Ela ri de sua desconcertante inexperiência e, ao mesmo tempo, o atrai com seu charme. Intimado a jantar na casa dos Hartmann, ele vai em companhia do tio, que permanece na cozinha. Conhece Max Hartmann (Reenberg), pai de Katharina e seu irmão, o informal Lawrence (Kier). Posteriormente chega o Coronel Harris (Constantine), contato americano que permite que Hartmann se livre de ter sua companhia confiscada por participação no massacre aos judeus. Porém, vítima de cartas anônimas, Hartmann comete o suicídio, enquanto Katharina se entrega a Leopold em meio a um trem de brinquedo. O coronel Harris lhe avisa para tomar cuidados com os lobisomens, terroristas que cometem ações clandestinas nos trens da Zentropa. Max deve ser enterrado em meio a uma viagem de trem, porém as tropas americanas descobrem a aglomeração de pessoas, e as dispersa, apreendendo o caixão. Leopold é convocado por um tio de Katharina a participar de uma ação terrorista, tendo que explodir um trem. Em meio a uma viagem é avisado por Katharina para ir imediatamente a residência de campo da família. Lá encontra seu irmão Lawrence assassinado. Completamente apaixonado por Katharina, a reencontra em uma igreja, por aviso de um padre (Fligare), amigo da família. Casam-se. Na primeira noite com Katharina, no trem, tem pesadelos. Os dois vão morar em uma humilde casa, mas tanto devido as suas viagens como as viagens dela, os dois poucos se vêem. Atormentado entre o dever a cumprir, endossado por Katharina e o fato de poder provocar a morte de dezenas de pessoas, Leopold, que ao mesmo tempo passa por um exame para ver se atende aos pré-requisitos que um funcionário da Zentropa deve ter, aceita um primeiro momento. Devido a imensa pressão da prova e do que vê durante a viagem – sua esposa, prisioneiros em campos de concentração – Leopold desmaia. Quando retorna tem que continuar com o teste até ser chamado, sendo avisado que Katharina foi presa, acusada de ser uma lobisomem e ter escrito as cartas anônimas ao pai. Leopold a encontra, e ela revela que também matou o irmão e pede que não desconfie de seus sentimentos com relação a ele. Completamente ensandecido Leopold atira contra todos no trem. Arrependido, procura desativar a bomba, mas já é tarde demais, morrendo em conseqüência da explosão.
         Trier realizou uma alegoria sobre a Alemanha do imediato pós-guerra de tons sombrios e kafkanianos, onde qualquer tentativa de neutralidade política sucumbe frente a uma necessidade básica de tomar posição, para a continuidade da vida profissional e afetiva. Excessivamente estilizada, sua estrutura é ordenada a partir da voz de um narrador (Max Von Sydow), que é dono do tempo fazendo-o, por exemplo, avançar dois meses ou contando dez até a morte de Leopold, e segue uma linguagem que mescla imagens em cores e p&b, assim como back shots e letreiros, próxima de elementos do videoclipe, embora em planos não tão curtos. Esse excesso visual, que acentua desmesuradamente o caráter metafórico e abertamente não realista da narrativa, também é reflexo de uma moda da época e hoje já soa datado. É em torno do trem que todas as situações tanto pessoais quanto sociais da narrativa se desenrolam nesse filme que, na alucinada frieza de seu estilo, não consegue despertar nenhum sentimento ou reflexão maior, sensação ainda mais assegurada com o pífio desempenho de Barr (excelente em Ondas do Destino). Trier, curiosamente, realizaria filmes de estilo completamente oposto, no sentido de buscar um realismo com a menor quantidade de artifícios técnicos, em filmes como Ondas do Destino (1996) e Os Idiotas (1998). WMG Film/ Svenska Filminstitutet/Institut suisse du film/Det Danske Filminstitut/Gérard Mital Productions/ Nordisk Film & TV/ PCC Productions.113 minutos.


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