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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

The Film Handbook#110: Peter Yates

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Peter Yates
Nascimento: 24/07/1929, Aldershot, Hampshire, Inglaterra
Morte: 09/01/2011, Londres, Inglaterra
Carreira (como diretor): 1962-

O comercialmente mais bem sucedido diretor britânico a se mudar para Hollywood nos últimos vinte anos, Peter Yates é mais conhecido por seus filmes de ação. Porém sua melhor obra apresenta um grande interesse nos personagens e em sua posição na sociedade; somente quando se engaja na dimensão humana de um filme é que ele consegue transcender a mera eficácia narrativa.

Antes de entrar para o cinema como assistente de dublagem, Yates havia trabalhado no teatro (como ator e diretor formado no RADA) e corrida de carros, como empresário e reserve de pilotos, Após trabalhar como assistente para Tony Richardson, Jack Cardiff e outros, ele finalmente realizaria sua estreia como diretor, dirigindo o musical com Cliff Richard Tudo Começou em Paris/Summer Holiday. Nem esse nem a versão de uma comédia de fantasia surreal One Way Pendulum foram dignos de nota, porém para o filme de ação de baixo orçamento com momentos bem sucedidos Os 26 do Expresso Postal/Robbery (sobre O Grande Roubo do Trem) ele filmou uma perseguição de carros tão bem que um admirado Steve McQueen o convidou para Hollywood para dirigir Bullitt>1. Novamente, enquanto filme de ação policial, o filme foi grandemente rotineiro, porém a encenação e montagem efetivadas por Yates de uma longa cena de perseguição de carros através das ruas íngremes de San Francisco foi tão virtuosa que ele se tornou um grande sucesso. Estabelecido de vez nos Estados Unidos, realizaria um inócuo estudo do romance de um casal em John&Mary/John and Mary, sendo que o fracasso do filme assegurou a maior parte de sua obra posterior - Seu Último Combate/Murphy's War, Os 4 Picaretas/The Hot Rock - uma agradável paródia aos filmes de assaltos sobre  ladrões de jóias desastrados, um veículo para Barbra Streisand Nossa, Que Loucura!/For Pete's Sake, e Emergência Maluca/Mother, Jugs and Speed (barulhenta e agitada farsa de humor negro sobre companhias de ambulâncias rivais)  tinham como foco o humor banal e ação espalhafatosa. Somente Os Amigos de Eddie Coyle/The Friends of Eddie Coyle>2, um autenticamente sombrio e subestimado filme de ação a respeito de traição e decepção no submundo de Boston, com um interpretação enérgica de Robert Mitchum como um larápio nas horas vagas transformado em informante da polícia, revelou habilidade em evocar os códigos morais de uma subcultura inteira, através da sutileza com que é observada a interação de personagens críveis e nunca glamorizados.

Apesar da aventura submarina, O Fundo do Mar/The Deep, ter sido pura tolice, seu sucesso comercial permitiu Yates realizar seu melhor filme até o momento, O Vencedor/Breaking Away>3. Escrito por Steve Tesich (também imigrante), o filme foi uma narrativa hilariante e sempre apaixonada dos dilemas enfrentados por quatro jovens que acabaram seus estudos em uma pequena cidade universitária, um dos quais é tão obcecado por ciclismo que sua admiração pela equipe italiana o leva a aprender a língua, comer pasta, realizar serenatas para sua namorada com uma ária de Verdi e rebatizar seu gato como Fellini (provocando assombro em seu pai operário). Na aparência, o filme é somente uma edificante comédia sobre ritos de passagem; indo além, no entanto, revela-se uma rara análise sobre as divisões de classe nos Estados Unidos enquanto lida com o desemprego, o elitismo estudantil e as desilusões adolescentes. Da mesma forma, perspicaz e original, mesmo que de longe menos coerente, foi o também escrito por Tesich  Testemunha Fatal/Eyewitness (The Janitor)>4. Sua trama peculiar e romântica de comédia de ação (um zelador vietnamita afirma ter testemunhado um assassinato simplesmente para angariar a simpatia da apresentadora de notícias de seus sonhos) permitiu caracterizações não convencionais, relacionamentos observados de forma terna e tenso suspense. Desapontadoramente, no entanto, a obra posterior de Yates foi menos destacada: Krull foi uma ficção-científica visualmente espetacular mas rasa; O Fiel Camareiro/The Dresser uma exagerada e lamentavelmente teatral versão da peça de Ronald Harwood sobre um velho ator e seu assistente gay, sendo o último retratado de forma ofensiva e cômica; Eleni foi um amontoado de clichês mesclando filme de ação de vingança com filme de época numa pictórica e primitiva vila grega durante a guerra civil; Sob Suspeita/Suspect um controverso drama de tribunal com filme de conspiração; e Pesadelo na Rua Carroll, um filme de ação rotineiro, ocasionalmente atmosférico ambientado nos paranoicos anos 50 da caça às bruxas.

A despeito de seu profissionalismo, Yates aparenta se encontrar confuso com demasiada frequência nos momentos de tranquilidade que ocorrem entre as cenas de ação; e talvez não seja acidental que sua melhor obra funcione como uma visão pouco comum e marginal da sociedade americana. Quando lida com material mais tipicamente enraizado nas convenções dos gênero ele é, na melhor das hipóteses, um técnico competente.

Cronologia
É difícil comparar a errática carreira de Yates com qualquer outro; se ele não possui as visões idiossincráticas de Russell ou Roeg ou as ambições de Boorman, ele é talvez mais talentoso que outros conterrâneos expatriados tais como Schlesinger, Parker, Tony Richardson e Ridley Scott.

Destaques
1. Bullitt, EUA, 1968 c/Steve Macqueen, Jacqueline Bisset, Robert Vaughn

2. Os Amigos de Eddie Coyle, EUA, 1973 c/Robert Mitchum, Peter Boyle, Richard Jordan

3. O Vencedor, EUA, 1979 c/Dennis Christopher, Dennis Quaid, Paul Dooley

4. Testemunha Fatal, EUA, 1980 c/William Hurt, Sigourney Weaver, James Woods

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 322-4.

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