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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Filme do Dia: A Lenda da Fortaleza Suram (1986), Sergei Paradjanov & Dodo Abashidze


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A Lenda da Fortaleza Suram (Ambavi Suramis Tsikhitsa, URSS, 1986). Direção: Sergei Paradjanov & Dodo Abashidze. Rot. Adaptado: Vaja Gigashvili, a partir do livro de Daniel Chonqadze. Fotografia: Yuri Klimenko & Sergo Sikharulidze. Música: Jansug Kakhidze. Montagem: Kora Tsereteli. Dir. de arte: Aleksandr Dzhanshiyev & Besarion Gelashvili. Figurinos: Irina Mikatadze. Com: Dodo Abashidze, Sofiko Chiaureli, Zura Kipshidze, Veriko Andjaparidze, Levan Uchaneishvili, Dudukhana Tserodze, Leila Alibegashvili, Tamari Tsitishvili.
O amor entre Vardo (Alibegshvili) e Durmishkan (Kipshidze), não se concretiza pois ele é liberto da prisão, mas ela continua escrava. Durmishkan busca amealhar dinheiro o suficiente para libertar Vardo. Ela continua na Fortaleza de Suram, única fortificação do principado que é constantemente atacada e destruída. O Príncipe, impressionado com a acuidade das premonições de Vardo sobre o sexo dos futuros infantes, liberta-a. Descrente do retorno de seu amado, Vardo busca a ajuda de uma vidente, que não apenas prevê seu futuro como morre e a deixa como sua sucessora. Durmishkan, por sua vez, encontra um ex-cativo como ele,  Osman-aga, que lhe acolhe. Um grupo busca uma já envelhecida Vardo (Chiaureli) para descobrir como a Fortaleza de Suram será protegida. Ela afirma que somente com o emparedamento de um belo jovem de olhos azuis. O próprio jovem que a escuta se prontifica a ser emparedado e a Fortaleza finalmente resiste gloriosa.

Apresenta uma narrativa bem mais convencional que o último longa do realizador, lançado nada menos que 15 anos antes (A Cor da Romã), tendo passado inclusive por um longo período preso em um campo de trabalhos forçados. A força do filme resiste no modo lírico como articula a representação visual de narrativas orais a partir de rigorosos tableaux, cuja disposição frontal, raramente cede espaço para imagens em profundidade, ainda que tampouco estas se encontrem ausentes. Em ambos os casos, observa-se a propensão a um talento nas composições visuais pouco comum no cinema. Partindo de um conto tradicional da sua Geórgia natal, Paradjanov investe em sua dimensão mítica e atemporal, fazendo uso de uma movimentação de atores longe de naturalista, um uso bastante sofisticado da banda sonora – com destaque para os efeitos sonoros que acompanham as “vozes” das videntes, mas igualmente para sua bela trilha de composições tradicionais – figurinos e locações, assim como um uso bastante impressionante das cores e orquestração de elementos em cena. Seu tom fabular é auxiliado por cartelas que auxiliam na orientação dos eventos descritos e seu uso parcimonioso de recursos associados com o cinema moderno, como a apresentação sucessiva de três tomadas de um semelhante plano ou do uso de anacronismos (entrevistos apenas em dois breves momentos, quando se observa ao fundo do cenário medieval petroleiros no mar) em oposição ao uso anterior por figuras como Jean Cocteau ou, mais aproximadamente, Derek Jarman. Refugiando-se em uma forma épica mais que propriamente dramática, o filme não deixa de enfatizar, a todo momento, sua evocação da narrativa oral, representada inclusive na longa digressão que acompanha a narrativa de Osman-aga para Durmishkan, repleta de momentos poéticos, como o suco da romã cortada no ar a lhe arder nos olhos. Quartuli Pilm. 88 minutos.

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