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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Deus é Brasileiro (2003), Cacá Diegues


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Deus é Brasileiro (Brasil, 2003). Direção: Cacá Diegues. Rot. Adaptado: João Ubaldo Ribeiro, João Emanuel Carneiro & Renata de Almeida Magalhães, baseado em contos de Ubaldo Ribeiro. Fotografia: Affonso Beato. Música: Chico Neves, Hermano Viana & Sérgio Mekler. Montagem: Sérgio Mekler. Dir. de arte: Fernando Zagallo, Edu Ramos & Vera Hambúrguer. Com: Antônio Fagundes, Wagner Moura, Paula Duarte, Stepan Nercessian, Hugo Carvana, Bruce Gomlewsky, Castrinho, Chico de Assis, Susana Werner, Toni Garrido.
                 Num dia de pesca fraca e fugindo da cobrança de Baudelaire (Nercessian), o simplório malandro Taoca (Moura) encontra Deus (Fagundes), que o leva para uma pequena odisséia em busca de um homem que pretende transformar em santo, para que possa descansar durante um tempo. Junta-se ao grupo a jovem Madá (Duarte). Viajando, primeiro de ônibus, depois caminhando, eles são testemunhas de um casamento e com os dons de Salvador, como Taoca passa a chamar o Inominável, procuram o candidato a santo em favelas dos manguezais do Recife, angariam dinheiro com números de magia que fazem com que Madá flutue e ele retire uma palmeira da cartola. Madá é dispensada por Deus ao buscar indícios da mãe morta. Após finalmente encontrarem o homem que Deus pretende transformar em santo, junto aos índios, nem as poderosas demonstrações divinas, como a passagem acelerada do tempo, conseguem motivar o incréu, que permanece ateu. Retirando-se decepcionado com Taoca, eles reencontram Madá que vai com uma caravana de prostitutas para um minério, sob o comando de Baudelaire. Eles roubam o veículo e são surpreendidos, em uma canoa, por Baudelaire que atira contra eles. Aparentemente mortalmente ferida,  Madá escapa graças a sua medalha, enquanto Deus os abandona ao seu amor.

             Essa bela fábula que, partindo de contos diversos de Ubaldo Ribeiro, mescla elementos populares e influências bíblicas com humor engenhoso, ao mesmo tempo que apresenta boa parte do Brasil contemporâneo, da miséria dos indígenas às músicas que são sucesso nos rádios, é um retorno a forma de um dos mais celebrados cineastas do Cinema Novo, após diversas produções destituídas de brilho. Curiosamente, justamente quando volta a tematizar o Brasil, tema que orientou alguns de seus mais significativos trabalhos como Bye Bye Brasil e Os Herdeiros. Seu tratamento visual com fotografia exuberante e efeitos especiais torna-se particularmente feliz ao expressar uma dimensão de encantamento presente na narrativa, sem cair nos clichês do realismo fantástico tipo exportação. Comovente em vários momentos e com uma graça semelhante à própria arte popular, que influenciou sua origem literária, afasta-se do hermético e aproxima-se, nesse quesito, de outra adaptação literária recente de igual apelo popular, O Auto da Compadecida. Há um certo momento, Diegues brinca com a relação entre o diegético e o extra-diegético – Taoca pede para que Deus baixe a trilha sonora de uma seqüência – de forma semelhante a que Godard fizera em O Demônio das Onze Horas.Aliás, na trilha sonora, Diegues volta a utilizar-se de Villa-Lobos, igualmente presente na trilha e nos momentos finais de Os Herdeiros.Filmado nos estados de Alagoas, Pernambuco, Tocantins e Rio de Janeiro.   Rio Vermelho Filmes/Globo Filmes/Columbia Tri Star Filmes do Brasil/Luz Mágica Produções/Teleimage. 110 minutos.

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