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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Sons Britânicos (1970), Jean-Luc Godard & Jean-Henri Roger


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Sons Britânicos (British Sounds, França, 1970). Direção e Rot. Original: Jean-Luc Godard & Jean-Henri Roger. Fotografia: Charles Stwart. Montagem: Elizabeth Kozmian.

Ainda que o filme possua todas as características dos filmes produzidos pelo Grupo Dziga Vertov, manifestos políticos dirigidos por Godard e outros colaboradores sobre assinatura coletiva, acabou sendo assinado pelos dois realizadores. E, embora seja ainda mais ingenuamente político em seu panfletarismo que outros filmes desse momento de politização radical de Godard (como Vento do Leste e Um Filme Como os Outros) e de boa parte do mundo, como na sua adesão ao maoísmo, é bem mais inventivo e elaborado formalmente que o último. Inicia com uma longa e engenhosa seqüência numa fábrica de automóveis inglesa, que reproduz ironicamente uma narrativa em off típica do mais clássico cinema documental para traçar comentários marxistas sobre apropriação do trabalho operário, trabalho assalariado, etc. Como na sua produção do período, há um uso expressivo do som que remete ao título, sendo incluídos uma polimorfia discursiva que vai da descrição de datas históricas representativas para o movimento operário e seus respectivos acontecimentos repetidos por uma criança do que escuta de uma voz adulta a um comentário sobre a condição feminina a partir da nudez despojada e deserotizada de uma mulher. Ou ainda a dublagem do discurso radicalmente reacionário de um jovem sobre a Guerra do Vietnã, negros e imigrantes, que bem pode ter sido colado na imagem de algum líder de esquerda estudantil. Ou ainda uma seqüência na qual estudantes procuram aproximar de seus interesses ideológicos algumas canções dos Beatles como Hello Goodbye e Revolution. Aliás, essa seqüência pode ser tomada como sintomática de que toda arte fundamentalmente é dependente para ser ou não bem sucedida de sua expressividade com relação ao meio ao qual pertence numa dimensão até mais efetiva que sua coloração ideológica. Ou seja, o trabalho dos estudantes de intervenção política nos refrões das canções dos Beatles demonstra a dependência muito maior de um meio expressivo sofisticado para eles difundirem sua causa maoísta, já que eles próprios não parecem dotados de nenhuma criatividade o suficiente para fazê-los por si próprios, do que o oposto. Também faz menção à própria indústria cinematográfica, um tema que Godard habitualmente consegue ironizar com êxito. Encerra com um constrangedor panfletarismo de punhos que atravessam a bandeira do Reino Unido, declarando palavras de ordem radicais, sofrível em relação ao restante do filme. Kestrel Productions/LWT. 52 minutos.

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