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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Filme do Dia: Um Casamento à Indiana (2001), Mira Nair


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Um Casamento à Indiana (Moonsoon Wedding, Índia/Itália/Alemanha/França, 2001). Direção: Mira Nair. Rot. Original: Sabrina Dhawan. Fotografia: Declan Quinn. Música: Mychael Danna. Montagem: Allyson C. Johnson. Dir. de arte: Stephanie Carroll & Sunil Chabra. Figurinos: Arjun Bhasin. Com: Naseeruddin Shah, Lillete Dubey, Shefali Shetty, Vijay Raaz, Tilotama Shome, Vasundhara Das, Parvin Dabas, Kulbushan Kharbanda.
Os quatro dias que antecedem ao casamento de Aditi (Das), filha de uma família de classe média alta indiana e o noivo arranjado que ainda não conhece, Hemant (Dabas). Durante esses poucos dias, muitas pequenas histórias envolverão a família e as pessoas que lhes são próximas, indo desde a vontade do irmão homossexual de Aditi manifestar sua vontade de dançar na festa, proibido pelo pai até a paixão do organizador do evento Dubey (Raaz) pela criada de Aditi, Alice (Shome), passando pela revelação da prima de Aditi, Ria (Shetty), de que fora abusada sexualmente por um dos melhores amigos da família. Mesmo tendo revelado uma traição ao futuro marido à véspera do casamento, Aditi acaba sendo   desculpada por Hemant e, na celebração final, também Dubey finalmente consegue conquistar o coração de Alice.
O filme de Nair enfatiza, sobretudo, a convivência entre tradição e modernidade na classe média indiana. Nesse sentido, o casamento tradicionalíssimo em que os noivos sequer se conhecem mescla-se à moderna forma que o jovem reage à confissão da traição da noiva; da mesma forma, na festa une-se batidas disco aos tradicionais ritmos indianos. Realça-se mais, ao final de contas, os laços de fraternidade e comunhão que os choques que a família pode trazer numa sociedade que segue a tendência mundial de se cultivar mais o individualismo. Assim, os valores familiares prevalecem, em última instância,  na expulsão do amigo do patriarca do convívio da família e os pequenos percalços que esse convívio demasiado intenso pode proporcionar – como o desgosto dos pais pela devoção do filho à dança e ao convívio com as mulheres – são minimizados, mesmo que não chegam a ser levado a termo de todo. Embora descreva um universo de classes sociais diametralmente opostas – com o casal Dubey/Alice e as belas inserções documentais de cenas do cotidiano de Nova Delhi apresentando uma pobreza típica das metrópoles subdesenvolvidas – igualmente não chega a desenvolver nenhum conflito decorrente de tal situação. Ainda que a descrição dos costumes de um grupo grande de personagens confinado em um restrito espaço-tempo, enfatizando o lado cômico, sugira uma aproximação com Altman (que, por sinal, realizou algo semelhante em seu Cerimônia de Casamento), falta a sutileza da ironia e sobra generosidade na descrição dos personagens. O enredo se ressente, igualmente, das facilidades que visam o happy-end final, não muito distante das novelas globais, em que aos dois novos casais sugere-se um terceiro, que irá desencalhar Ria, finalmente livre do fantasma do assédio sofrido na infância. Ainda assim mais eficiente, enquanto narrativa, que o sofrível Kama Sutra. Leão de Ouro no Festival de Veneza. Delhi Dot Com/IFC Productions/Keyfilms Roma/Mirabai Films/Pandora/Paradis Films. 115 minutos.

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